O pop amazônico de Tony Santos

Em: 14 de outubro de 2014
Artista tem grande influência de Andy wharol, norte-americano criador da pop art
Artista tem grande influência de Andy wharol, norte-americano criador da pop art

Tony Santos quase não lembra, mas sua mãe disse que ele começou a desenhar quando tinha apenas dois anos. “Eu lembro que ainda era criança, porém, com bem mais de dois anos, desenhando, deitado no chão, por horas seguidas. Desenhava o que via em casa, geladeira, fogão, gato, cachorro e até as galinhas que eu via no quintal…”, falou Tony.
Quando já estava com 15 anos, vendo a aptidão do filho para o desenho, a mãe o matriculou no Liceu de Artes Ester Mello, famosa escola de artes plásticas dirigida por Anísio Mello. “Lá me desenvolvi realmente no desenho, aprendi as técnicas de desenhos a lápis, sombreamento a carvão, geometria e profundidade. Estudei durante um ano no Liceu e saí de lá com uma boa base de desenho e pintura a óleo e acrílica. Depois fui estudar com o artista Buy Chaves. Buy me deu várias dicas na pintura”, contou.
Entre os grandes mestres que inspiraram Tony Santos, realmente os ícones em seus estilos. “No começo foi Monet, o mais destacado entre os pintores impressionistas”. O termo impressionismo foi cunhado de forma pejorativa por um crítico de arte a partir de um quadro do francês Claude Monet, “Impressão, nascer do sol”, mas o artista, ciente do movimento que criava, adotou o termo para os quadros seguintes.
Outra fonte de inspiração foi Pablo Picasso. “Quanto a Picasso, sempre gostei das transformações que ele fazia nos rostos das pessoas, em sua fase cubista”, disse. O espanhol Pablo Picasso foi o co-criador do cubismo ao lado de Georges Braque, no qual o visível era geometricamente desconstruído.
Finalmente o grande mestre que tanto inspirou Tony, o norte-americano Andy Wharol, em cujo estilo, a pop art, ele se baseou para desenvolver o seu próprio estilo, o pop amazônico. Wharol reinventou a pop arte principalmente quando expôs as latas de sopa Campbell e a garrafa de Coca-Cola, e rostos de várias personalidades como Marylin Monroe, Elvis Presley e Pelé, em cores contrastantes. “Gosto de fazer a mistura de tudo, colocar num liquidificador, como uma antropofagia. Depois soltar nas minhas telas”, falou.

Criador do próprio estilo
Houve uma época, entre 2004 e 2009, que o artista Tony Santos “adormeceu”. “Fui fazer faculdade de jornalismo e deixei a pitura de lado mas, depois de cinco anos, o artista voltou a falar mais alto. Minha última exposição, com 12 desenhos a lápis e carvão, mostrando anjos, havia sido uma individual, realizada ainda em 2003”, recordou. Mas assim que acabei a faculdade resolvi voltar a pintar, fui estudar arte contemporânea com o curador de artes e professor Cristovão Coutinho, no Caua (Centro de Artes da Ufam) e aprendi ainda mais, principalmente sobre esculturas feitas a partir de objetos reciclados. Quando me formei, em 2011, participei da coletiva ‘+ artistas’, na Galeria do Caua e foi um retorno às exposições”, contou.
Desde então, Tony Santos não mais parou de produzir. “Transformei um dos quartos do meu apartamento em ateliê. Lá, vivo cercado de telas, tintas e, quando estou inspirado, é de entre as quatro paredes que surgem as obras”. Atualmente Tony está preparando mais uma exposição no seu estilo pop amazônico. “Pop amazônico é uma expressão criada por mim mesmo. Tem o pop do Andy Wahrol e o amazônico, que são os motivos que estão aí, nos cercando, na natureza, na cidade, no dia a dia. Estou preparando uma nova exposição, também individual. Ainda não dei nome, mas estou me inspirando em lendas e mitos amazônicos”, revelou o artista.
Além do atelier, onde seu trabalho é introspectivo, a criação de Tony Santos pode ser observada aos domingos, no Largo de São Sebastião, no projeto “Pintando ao vivo no Largo”, idealizado pela artista plástica Rosa dos Anjos. Pelo projeto, como o nome já diz, vários artistas trabalham ao vivo no Largo, pintando seus quadros sob o olhar de curiosos, admiradores e compradores. “Estive no domingo passado e vou estar, novamente, no próximo domingo, dia 19. Aproveito para fazer os quadros para a minha exposição. Já tenho oito telas prontas. Quando tiver umas doze, aí já dá pra expor”, adiantou. “E tem mais, recebi convite para expor fora do Amazonas, mas por enquanto não posso falar”, riu.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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