O saco do Papai Noel

Em: 30 de novembro de 2017
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Dezembro chegando, as luzes piscando, as esperanças voltando através dos pedidos das crianças empolgadas e dos adultos que insistem em continuar crianças. E tudo nos leva a pensar no conteúdo do saco do Papai Noel! Afinal de contas, se ele realmente existisse, como conseguiria este histórico velhinho atender tantas crianças dispersas pelo mundo todo, com as mais diversas expectativas, nos mais diversos níveis, levando às costas um simples e simplório SACO?

No aspecto da economia público, temos por analogia um cenário bem parecido, onde de um lado um grupo cheio de expectativas e com níveis e diversidades totalmente diferenciadas e controversas, passam não apenas um pequeno período natalino, porém toda uma vida, esperando um governo que nem sempre representa a bondade do velhinho mas que vive tentando tirar de seus sacos milagrosos, soluções que não conseguem resolver os problemas.

Diferente da mitologia do Natal, a economia é uma ciência social, trabalhando com seres humanos porém oferecendo regras ou modelos científicos que deveriam ser seguidos para a consecução de seu objetivo maior que é a satisfação das necessidades humanas em todos os sentidos. Quando se diverge dos modelos oferecidos, não se pode acusar a economia como se fosse um Papai Noel desprovido do saco.
A questão humana da economia tem, no aspecto político, um dos entraves maiores no que concerne a líderes políticos que puxam para si não apenas o centro do funcionamento do sistema como chega mesmo a acreditar que são os motores básicos do funcionamento deste. É o egocentrismo que vem destruindo e atrasando de forma continuada e persistente vários momentos de nossa história política e econômica, mesmo que os registros oficiais nem sempre assim o demonstrem. Pelo contrário, as demonstrações oficiais de nossa história buscam registrar de forma parcial ou distorcida os fatos para favorecer pessoas ou grupos, destruindo um de nossos maiores patrimônios que é nossa verdadeira história.

Quanto à economia vista do ângulo técnico, as discussões quando direcionadas de forma séria ficam por vezes um tanto repetitivas, pois infelizmente a história é irrefutável quando se mostra a verdade. Várias vezes discuti aqui, sobre os fatos envolvendo o Plano Real e suas questões pré e pós, no sentido de avaliar as inversões e distorções históricas que se fazem no registro oficial do mesmo. No entanto depois de duas décadas de uma tentativa de mudança ideológica tanto no aspecto político quanto educacional no sistema brasileiro, vivenciamos uma realidade que mais se assemelha a um SACO FURADO DE PAPAI NOEL.

Esta semana o anuncio imponente do acordo entre a AGU e os poupadores enganados com os Planos anteriores ao Real, que está tentando encerrar a sina de quase um milhão de processos de poupadores que se sentiram enganados por estes planos em relação ao que haviam poupado, mostra dois lados de uma mesma moeda. De um lado deveria fazer com que os brasileiros parassem um pouco e analisassem os motivos de oito Planos econômicos terem sido implantados e terem falhado, buscando basicamente o mesmo objetivo: derrubar a hiperinflação brasileira.

Depois das oito falhas, passados vinte anos de fracassos, o acúmulo da inflação já chegava a um absurdo de um quatrilhão por cento, coisa que somente os países mais pobres do mundo haviam chegado perto. Nosso país chegou a decretar a moratória da divida e este fato não é mostrado para os estudantes de hoje, dando a eles a noção exata do nível perigoso em que chegamos. Será que nossos jovens tem noção do perigo que é uma moratória para um país? Do que significa uma inflação de mais de três mil por cento ao ano para este mesmo país? Porque então isto não é mostrado claramente nas escolas como o histórico anterior à aplicação do Plano Real?

Se nossa sociedade fosse consciente de cada fato deste e do que se passou e ralou com reajustes inflacionários três vezes por dia e um país desrespeitado pela comunidade internacional, certamente daria mais valor ao que foi alcançado com um plano que levou em conta os modelos e normas especificamente técnicas e foi um sucesso.

Aqui não tem fator político partidário ou ideológico, apenas o interesse de se respeitar a capacidade técnica de economistas que resolveram o problema de nosso país e o povo não soube respeitar e jogou tudo no lixo novamente. PREFERIU ACREDITAR EM OUTRO SACO DE PAPAI NOEL. (só que de barba preta)

Orígenes Martins

É professor, economista, mestre em engenharia da produção, consultor econômico da empresa Sinérgio
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