O transporte hidroviário não pode naufragar

Em: 14 de novembro de 2013
Mesmo com um potencial gigantesco, com quase 30 mil quilômetros de rios navegáveis, o Brasil ocupa apenas a oitava posição entre os países que mais utilizam os rios para transporte de cargas
Mesmo com um potencial gigantesco, com quase 30 mil quilômetros de rios navegáveis, o Brasil ocupa apenas a oitava posição entre os países que mais utilizam os rios para transporte de cargas

Mesmo com um potencial gigantesco, com quase 30 mil quilômetros de rios navegáveis, o Brasil ocupa apenas a oitava posição entre os países que mais utilizam os rios para transporte de cargas, priorizando modais mais caros e poluentes, como o rodoviário. A falta de investimentos públicos e privados nessa área penaliza a região que mais depende dos rios para transportar mercadorias e passageiros, a Amazônia.
Dados da CNT (Confederação Nacional dos Transportes) confirmam que a intensidade da movimentação de cargas na Região Hidrográfica Amazônica – que compreende a Região Norte, sem o Tocantins, mais o norte do Mato Grosso – cresceu quase 5% no ano passado. É a única região hidrográfica que apresentou crescimento nos últimos três anos, o que se deve, em grande parte, à escassez de estradas e ao aumento da produção na Zona Franca de Manaus.
Mesmo com a importância do transporte hidroviário para a região, uma série de problemas permanece há muito tempo impedindo o crescimento mais acelerado do setor. Falta praticamente tudo. Questões básicas como sinalização náutica e balizamento de rios têm sido ignorados há décadas. Falta de portos adequados, de profissionais de praticagem, de serviços mais eficientes são alguns dos problemas citados pelas empresas de transporte.
A necessidade de novos terminais exclusivos para carga já foi identificada; os projetos foram elaborados, mas caminham a passos de tartaruga, ou nem andam, como é o caso do falecido projeto do Porto das Lajes, uma iniciativa da Log-In Logística. O novo porto na área da antiga Siderama continua sendo uma promessa.
Os investimentos são aprovados, mas o dinheiro, inexplicavelmente, não é aplicado. Só em 2012, o Governo autorizou o aporte de R$ 725 milhões para obras de infraestrura para navegação, mas apenas R$ 126 milhões, menos de 18%, foram efetivamente gastos. Os desembolsos vêm caindo desde 2009. Enquanto isso, o volume de cargas cresce, pressionando cada vez mais os terminais existentes, a ponto de levá-los ao colapso.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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