O zoológico político de Assante

Em: 19 de janeiro de 2015
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Sempre que alguém quer satirizar um quadro político ou até mesmo uma pessoa com cargo político, faz analogia com animais, normalmente com animais mamíferos, que estão sempre mamando nas tetas de sua mãe, que claro, é o governo. O jornalista e escritor Sebastião Assante fez diferente, pensou em animais da nossa fauna, escreveu e a gráfica e editora Uirapuru publicou o livro “Zoológico Político – uma sátira amazônica”.
O cenário é imaginário e foi construído há mais de cinco décadas, bem antes do período da ditadura militar tendo como comandante um também imaginário Ganso do Capitólio que foi herdeiro do “varguismo”, tal figura já é falecida. Mas liderou seu grupo até o final da década de 1950. A fábula é gostosa de ler, porque depois nos conta como surgiu um tal Boto Tucuxi, famoso por fazer naufragar embarcações com urnas cheias de votos contrários, e ainda namorava as mocinhas ingênuas do interior. O livro ilustrado descreve as eleições de 1962, inclusive, narrando ou mostrando através de charges muito interessantes as eleições em Roraima, disputadas pelo Boto, contando como logo depois veio o famigerado golpe de 64, quando todos são perseguidos, jurando que nada fizeram.
O novo império nasce com a reabertura democrática e eleições diretas em 1982, e outra vez entra em cena o Boto namorador. Sob o comando de um ex-senador Bacurau, os porta-vozes do regime militar tentaram se manter no poder, lançando como candidato um Papagaio muito falante que prometia dentre outras coisas “encher a panela vazia” do povo. Foi derrotado, segundo a fábula, era impossível vencer o “Boto namorador”, que foi eleito em 15 de novembro de 1982. Conta-nos ainda que fizeram parte desse processo de redemocratização política os seguintes animais: além do Boto Tucuxi, os Tucanos, Cabeçudos, Tatus, Onças, Peixes-boi, Pica-paus, Gaviões, Preguiças, Cobras e outros animais. Imagine! É muito divertido. Principalmente quando nos conta a respeito da escolinha do professor Boto e suas disciplinas. Em sua sala de aulas eram ministradas várias disciplinas, tais como, assistencialismo com projetos de infraestrutura destinados a fazer “milagre”, construindo modais em áreas de várzea, para facilitar o escoamento da produção de alimentos produzidos pelos cabocos amazonenses. Infelizmente, o projeto da disciplina fracassou por causa das avassaladoras enchentes naturais dos rios da Amazônia. Dentre os alunos do professor Boto, teve destaque o Abelhão, era seu melhor aluno. Na fábula, além de empreiteiro tinha muita sorte, visto que, de vez em quando acertava na loteria esportiva, e a sorte foi tanta que o professor o chamou para ser prefeito do zoológico. Claro, o professor se elegeu governador! Mas, como tudo tem fim, o professor foi traído por seus alunos que abandonaram seus ensinamentos, e restou ao professor Boto navegar por rios poluídos, minados e cheios de armadilhas, mas pensam que ele desistiu? Não. As portas de sua escola continuaram aberta, se considerava um líder, e muito reconciliador, só não admitia ser confrontado pelos seus alunos, ou seriam ex-alunos? É uma leitura interessante e as ilustrações, que fazem parte de todos os períodos descritos, nos levam a dar risadas. Leiam, eu garanto que irão se divertir muito.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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