O processo para o início da execução das obras do polo naval –distrito 3– previsto para julho deste ano, ganhou agilidade com a integração do APL (Arranjo Produtivo Local) do setor naval, náutico e offshore do Amazonas aos arranjos produtivos da construção civil, reciclagem de resíduos sólidos e transporte hidroviário, formando a primeira rede de APLs, lançada na última sexta-feira (13) na sede da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas).
“O APL foi finalizado há um mês e nós resolvemos integrar porque a rede possibilita desenvolver o projeto de forma unificada. A construção civil vai cuidar das obras de infraestrutura viária, prédios, instalações, construções das obras dos estaleiros. O transporte hidroviário possibilita a movimentação de cargas, e o naval, a construção de embarcações”, explicou o secretário executivo de projetos da rede de APLs da indústria do Amazonas, Carlos Araújo.
Segundo ele, a abordagem sistêmica torna mais fácil o desenvolvimento do projeto pois facilita financiamento e visibilidade junto ao governo federal.
A expectativa, segundo Carlos Araújo, é de que juntos, os setores agregados, movimentem cerca de R$ 3,5 bilhões de financiamentos do governo e verba proveniente de fundos de investidores locais e internacionais.
Para a coordenadora nacional dos APLs do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Margarete Gandini, “a instalação da rede marca a mobilização das diferentes setores produtivos em prol de um projeto comum que é a construção do polo naval, mas desta vez interligada a outros setores produtivos”, disse.
Os compromissos firmados, de acordo com o presidente do Sindnaval-AM (Sindicato da Indústria da Construção Naval no Amazonas), Matheus Araújo, pretendem corrigir cerca de oito anos de defasagem da concretização do polo naval no Estado. “A reunião estruturou a governança da rede e a partir de agora conseguiremos definir diretrizes mais claras”.
Próximos passos
Ele detalha que representantes do setor naval devem se reunir na próxima semana com o governador do Estado, Omar Aziz, ‘startar’ os financiamentos e cumprir o prazo para o lançamento da pedra fundamental, no início do segundo semestre.
O estudo de viabilidade de acesso ao terreno escolhido para abrigar o distrito 3 realizado pela (Secretaria de Infraestrutura do Estado do Amazonas) já está em andamento.
Paralelo a essas ações, Carlos Araújo acrescenta que o primeiro movimento dos segmentos que formam a rede de APLs será iniciar a estruturação do projeto de desenvolvimento produtivo para determinar métodos estruturantes, eixos a serem contemplados com recursos e integração da estratégia naval com a política de desenvolvimento do país.
Outros APLs
Outros nove APLs estaduais já estão aprovados, segundo informou o coordenador do núcleo estadual dos APLs e diretor-presidente da ADS (Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas), Valdelino Cavalcante.
“Chegamos num momento de equilíbrio no desenvolvimento do interior com a capacidade de produção do polo industrial, e arranjos como a produção de açaí, castanha, pneus a partir da borracha, o bacalhau da Amazônia mostram uma produção de matéria-prima no Estado e um produto com valor agregado, trazendo geração de emprego e renda para várias famílias no interior”, avaliou.
A expectativa é de que os APLs formem novas redes interligadas. “Linhas de crédito apropriadas a nossa realidade, barreiras protecionistas contra produtos importados, garantia de uma maior ocupação ficam facilitadas pela conexão dos APLs”, encerrou.






