Pinças, brocas, alicates, seringas e agulhas, o “cheiro de dentista”. À primeira vista, todos esses instrumentos e materiais não parecem ser agradáveis. Talvez por isso, ir ao dentista seja uma daquelas tarefas que, com prazer, deixaríamos de fazer, se fosse possível. Se a maioria sente desconforto em algum nível ao programar tratamentos odontológicos, para alguns a cadeira reclinada causa verdadeira fobia. E às vezes o sofrimento começa antes mesmo de a pessoa entrar no consultório. Mas o paciente não é o único a sofrer: o dentista enfrenta a própria ansiedade. E entre todas as profissões da área da saúde talvez seja a menos “poética”: além de passar o dia todo com as mãos na boca dos outros, o profissional ainda precisa ajudar os pacientes a superar seus pavores.
É comum que crianças fiquem assustadas na primeira consulta, principalmente se adultos lhes disseram que os profissionais usam brocas e aplicam injeções.
Segundo Antonio Carrassi, professor da Universidade de Milão e especialista em patologias odontológicas, o medo de dentista é um dos principais motivos que afastam os pacientes do tratamento. Mais de 40% daqueles que, embora, tenham acesso a terapêutica odontológica não a fazem periodicamente, simplesmente por medo de dentista.
As consequências para isso são bastante relevantes e nada boas: pessoas que sofrem desse problema apresentam incidência de cáries, placas de tártaro, patologias gengivais, perdas de dentes, abcessos de forma nitidamente superior à média.
Para vencer o medo
Escolha o dentista que “combine” com você
É importante confiar no profissional, principalmente se você já teve alguma experiência desagradável em tratamentos odontológicos. E, se necessário, procure outro especialista com o qual se sinta mais à vontade.
Descreva seus medos
Falar sobre como sente o problema às vezes é suficiente para aliviar a tensão. Hoje muitos dentistas estão preparados para lidar com ansiedades dos clientes; por isso, logo na primeira consulta é importante expor receios e inseguranças. Se não bastar, um psicólogo pode ajudar.
Não sinta vergonha
Muitas pessoas ficam constrangidas e escondem seu medo de submeter-se ao tratamento odontológico. É importante saber que você não está sozinho: a odontofobia é um problema frequente, e os homens, em particular, ficam bem mais tranquilos quando admitem essa dificuldade e percebem que ter medo não diminui de forma alguma sua virilidade.
O que mais assusta
Muitas vezes o medo parece difuso, o que faz com que se torne maior e mobilize grande energia. Por isso, em muitos casos é útil discriminar esse sentimento, identificando o que provoca mais incômodo no tratamento: a injeção, o cheiro típico do consultório, o temor de sentir dor mesmo sob efeito da anestesia ou outro aspecto qualquer.
Livre de compromissos
Para as pessoas que enfrentam grande desconforto com o tratamento, “espremer” a consulta entre um compromisso e outro pode ser ainda mais estressante. Em geral, marcar um horário quando estiver menos sobrecarregado ajuda a chegar ao consultório mais relaxado. Para algumas pessoas é preferível uma hora pela manhã, já que com o passar do dia as fantasias assustadoras tendem a aumentar.
A informação pode
ajudar
Você pode pedir ao dentista que lhe explique cada passo do tratamento e combinar com ele um sinal para que interrompa a ação caso a dor fique muito forte; geralmente, o fato de sentir que tem a situação sob controle o ajuda a sentir-se mais seguro.
Relaxe antes
Não consuma alimentos ou bebidas excitantes, como café, chá-mate ou refrigerantes, pouco antes da consulta. É conveniente evitar estas substâncias também na noite anterior, já que a ideia é dormir bem e chegar ao consultório descansado.
Visitas mais frequentes, menos problemas
É recomendável fazer duas consultas de rotina por ano. Esta assiduidade, somada a uma higiene bucal correta com uso constante de fio dental e enxaguante, costuma reduzir a necessidade de intervenções mais invasivas – e, portanto, mais temíveis.
Os pais devem colaborar
Os pais jamais devem usar o tratamento odontológico ou o profissional dessa área como ameaça de punição, com frases do tipo “se não escovar os dentes, comer muito doce, vou ti levar no dentista pra ti aplicar uma injeção e arrancar seus dentes”.
Não fale na presença das crianças sobre tratamentos difíceis ou dolorosos aos quais você ou algum conhecido tenha se submetido ou sobre experiências negativas ocorridas no dentista. Para nós dentistas, a cadeira odontológica se torna um divã, onde ouvimos cuidadosamente nossos pacientes.






