Omar, Braga, “Negão” e Arthur na reta final das composições

Em: 11 de junho de 2012
As articulações visando as eleições municipais 2012 chegam na reta final com os seus atores principais jogando de forma intensa
As articulações visando as eleições municipais 2012 chegam na reta final com os seus atores principais jogando de forma intensa

As articulações visando as eleições municipais 2012 chegam na reta final com os seus atores principais jogando de forma intensa. De um lado, o governador Omar Aziz e o senador Eduardo Braga acertam as peças sobre aliança envolvendo o leque PSD/PMDB/PT/PP, considerando não apenas a densidade eleitoral de cada pretenso candidato, mas também o tempo de propaganda eleitoral na televisão. De outro, o prefeito Amazonino Mendes também preocupado com o tempo de propaganda na mídia eletrônica e participando de articulações com o PSDB, do ex-senador Arthur Neto, o qual, por sua vez, conversa com o PR, do senador Alfredo Nascimento.
Um dos parlamentares mais chegados ao governador garantiu ao Jornal do Commercio que, embora Omar Aziz não tenha tratado sobre eleições na reunião de bancada que realizou com os deputados estaduais na última terça-feira (5), é verdade que ele se dedica agora a maioria do seu tempo analisando o jogo político para definir os nomes que formarão a chapa majoritária situacionista, depois de ter chegado aos limites de suas relações com Amazonino Mendes e afirmar que ele e o prefeito terão candidatos diferentes ao pleito de outubro.
O governador analisa o quadro buscando tirar proveito da interferência federal no processo político municipal, valorizando observação trazida a Manaus pelo membro da Comissão Executiva Nacional do PT, Jorge Coelho, segundo o qual a cúpula maior do partido, à frente a dupla Luiz Ignácio Lula da Silva/Dilma Rousseff, não admite a legenda a reboque do seu maior adversário, o PSDB, jogando por terra qualquer ideia de os petistas se deixarem levar pelo esquema que começa a unir em Manaus a agremiação de Arthur com o PDT do “Negão”. Omar, então, organiza suas peças com mais tranquilidade, na certeza de que pode contar com o PT para a definição da chapa até o final deste mês, garantindo tempo suficiente de televisão para a divulgação de idéias e projetos dos candidatos de sua aliança na televisão.

Rebecca e Rotta no tabuleiro situacionista
Algumas das peças que o governador Omar Aziz analisa no tabuleiro de suas articulações para montar a chapa oficial são, dentre outros, a deputada federal Rebecca Garcia (PP) e o deputado estadual Marcos Rotta (PMDB). Inclusive, Omar se reúne privativamente com Rotta neste domingo (10), em sua residência, no condomínio Efigênio Sales. Não está descartada a presença do senador Eduardo Braga na reunião.
Com relação às peças do PT, vale ressaltar que as circunstâncias indicam que Omar não possa mais contar com o seu líder na Assembleia Legislativa, deputado Sinésio Campos. O secretário municipal do Trabalho, Vital Melo da Costa, disputa com o sindicalista Valdemir Santana a preferência da maioria dos 500 delegados que escolherão, no próximo dia 24, o nome petista para compor a chapa majoritária. Sinésio Campos, com delegados a menos que seus oponentes, é carta fora do baralho no jogo sucessório e o governador conhece a situação. Quanto a Vital Melo, ele está na mira dos vereadores Mário Frota (PSDB), Elias Emanuel (PSB) e Lúcia Antony (PCdoB), que o acusam de ter repassado R$ 1,5 milhão a organizações não governamentais (ONGs) de forma indevida.
Uma fonte próxima a Omar Aziz disse ao JC que a deputada Rebecca Garcia (PP) possui grandes chances de compor a chapa e é outra importante peça com que joga o governador. Rebecca tem em seu favor a condição de vice-líder do governo federal na Câmara dos Deputados, com desempenho elogiado pela presidente da República, Dilma Rousseff (PT). Dilma simpatiza com Rebecca e teria manifestado isso ao próprio Eduardo Braga, seu líder no Senado. “Braga pode aceitar Rebecca numa composição com Rotta, seria uma chapa com nomes apontando para a renovação política no Estado”, destacou ao JC um dirigente da Executiva Municipal do PMDB.

Pedetistas e tucanos podem ungir Arthur Neto

Entre os oposicionistas, a temperatura do jogo também sobe e agita as cabeças do prefeito Amazonino e do ex-senador Arthur Neto, que trocaram vários telefonemas nos últimos dias, conversando sobre possível composição entre os seus partidos, com os olhos postos no horário eleitoral da TV. A aliança entre pedetistas e tucanos já é uma realidade no interior do Estado e é certo que, de acordo com o presidente regional do PSDB, deputado estadual Arthur Bisneto, as duas legendas marcharão juntas em colégios eleitorais importantes do Estado como Parintins e Itacoatiara.
Essa união pode se confirmar agora na capital, e os tucanos sonham em fechar com chave de ouro o namoro com os pedetistas emplacando o nome de Arthur Neto como cabeça da chapa oposicionista para enfrentar a dupla majoritária indicada por Omar Aziz. Detentores de grande tempo na televisão, os tucanos também apostam em seus acertos com o senador Alfredo Nascimento para convencer o deputado federal Henrique Oliveira a concordar ser vice de Arthur. Com boa densidade eleitoral na capital, Henrique, no entanto, tem contra si um problema que não incomoda somente a ele, mas igualmente tira o sono do prefeito Amazonino Mendes e do senador Eduardo Braga.
Como Amazonino e Braga, Henrique é um dos nomes que constam de uma lista negra divulgada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sobre parlamentares e filiados de partidos com pendências eleitorais comprovadas e, portanto, impedidos de disputar eleições neste ano. Em nível nacional, o PCdoB é o partido com maior número de devedores: 4.562. No Estado do Amazonas, o PMDB é o campeão, registrando 2.902 pendências.

PPS, DEM e PSB prontos para corrida em busca de votos
Se as chapas do governador Omar Aziz e do prefeito Amazonino Mendes demoram a se definir, o PPS (Partido Popular Socialista), o DEM (Democratas) e o PSB (Partido Socialista Brasileiro) já estão prontos para iniciar a luta em busca dos votos dos 1.159.675 de eleitores da cidade de Manaus, o correspondente a 64,4% dos 1.802.014 habitantes da capital, de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados conforme o Censo 2010.
O PPS e o PSB vão de chapas “puro sangue”. O PPS não conversa mais com ninguém e oficializou os nomes do vereador Hissa Abrahão e do presidente estadual da sigla, Guto Rodrigues, e marcou sua convenção para o dia 16 de junho, no Taj Mahal Hotel. Jovem liderança em ascensão, Hissa disse ao JC que “nossa chapa é um fato definitivo” e aposta no seu desempenho eleitoral nas eleições para governador em 2010 quando obteve 14,5% dos votos do Estado.
Outra chapa “puro sangue” é a que reúne o ex-prefeito de Manaus, Serafim Corrêa, e o deputado estadual Marcelo Ramos, seguindo o projeto nacional do PSB que quer se fortalecer nas capitais em 2012 para arriscar a conquista da Presidência da República em 2014 ou 2018. Os democratas do DEM também se consideram prontos para a disputa eleitoral, com a convenção marcada para o dia 16 e faltando apenas a definição do vice para completar a chapa encabeçada pelo deputado federal Pauderney Avelino. “Nossa luta será em cima de projetos que transformem Manaus numa cidade moderna”, diz Pauderney.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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