O diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), Pascal Lamy, pediu aos representantes dos países-membros da organização envolvidos na negociação da Rodada Doha de liberalização comercial que acelerem a busca por um acordo nas próximas horas. Já o porta-voz da organização, Keith Rockwell, disse não haver muito mais tempo para concluir a rodada.
“Não temos muito tempo. Nosso objetivo foi fazer os textos com as revisões circularem ontem, e organizar uma reunião para hoje. Algum momento nesse horizonte de tempo terá de ser o adequado’’, disse o porta-voz da OMC, Keith Rockwell. “Provavelmente as delegações dirão que gostariam de ter mais tempo, mas tempo é uma commodity preciosa e não temos excesso dela’’.
“O número de dias que temos está diminuindo bastante rapidamente’’, disse. Segundo ele, os textos com as reformas nas propostas para os setores agrícola e industrial devem ser objeto de uma reunião de trabalho hoje. “Dado o fato de que muito já aconteceu aqui, os representantes podem querer como essas revisões irão afetar seus países’’.
Já o comissário do Comércio da União Européia, Peter Mandelson, disse que as negociações sobre uma proposta de acordo chegaram a um momento “difícil’’ e “complexo’’. Os negociadores “precisam de mais algum tempo para analisar várias opções técnicas’’, afirmou, ao sair de uma reunião com os ministros do Brasil, Austrália, China, Estados Unidos, Índia e Japão.
Este grupo de países mais a UE negociam há uma semana, em Genebra, um pré-acordo que possa ser submetido depois aos 153 países da OMC (Organização Mundial do Comércio).
Índia e China colocam em perigo sucesso da rodada
O comissário europeu disse que uma solução para as mais recentes dificuldades à negociação só poderá ser alcançada com “liderança’’.
A possibilidade de um acordo em horas, no entanto, é pequena: desacordos e trocas de acusações substituíram o cenário de aparente otimismo surgido depois da apresentação de um pacote de propostas de Lamy na sexta-feira. O diplomata americano David Shark disse durante reunião da OMC que a Índia e a China colocam em perigo o sucesso da rodada, por terem rejeitado a primeira proposta de acordo feita por Lamy.
“Infelizmente, uma grande economia emergente, a Índia, rejeitou imediatamente o projeto (de Lamy), após o qual outra grande economia emergente, a China, se afastou dele. Suas ações colocaram em perigo toda a rodada’’, disse.
No domingo, a representante comercial americana, Susan Schwab, foi mais genérica, ao lamentar que “um punhado de países emergentes comprometam o delicado equilíbrio’’ para o avanço na rodada. “Na sexta-feira (25) havia espaço para um desenlace bem sucedido; não era perfeito, mas era delicadamente equilibrado e contava com um forte apoio’’, afirmou Schwab. “Infelizmente, um punhado de mercados emergentes decidiram fazer novas reivindicações’’, disse.
“E sabem o que acontece? Em um equilíbrio tão delicado, quando se puxa um fio, tudo se desfaz. Acho que a perspectiva é preocupante’’, afirmou Schwab.
O representante chinês nas negociações em Genebra, Sun Zhenyu, disse, por sua vez, que os países ricos também devem fazer concessões. “Trabalhamos muito duro para contribuir ao êxito desta rodada. É um pouco surpreendente que, neste momento, os Estados Unidos nos apontem dessa forma’’, disse.
A delegação chinesa indicou que não reduzirá suas tarifas para arroz, algodão e açúcar -contrariando a impressão que havia sido dada nos primeiros dias da nova tentativa de relançar as negociações.







