OMC promete reavaliar a Rodada Doha no primeiro trimestre de 2010

Em: 3 de dezembro de 2009
Os 153 países-membros da Organização Mundial do Comércio concordaram em reavaliar a Rodada Doha de liberalização comercial global no próximo trimestre, disse o diretor-geral da entidade, Pascal Lamy, em entrevista coletiva ao fim da reunião ministerial
Os 153 países-membros da Organização Mundial do Comércio concordaram em reavaliar a Rodada Doha de liberalização comercial global no próximo trimestre, disse o diretor-geral da entidade, Pascal Lamy, em entrevista coletiva ao fim da reunião ministerial

Os 153 países-membros da Organização Mundial do Comércio concordaram em reavaliar a Rodada Doha de liberalização comercial global no próximo trimestre, disse o diretor-geral da entidade, Pascal Lamy, em entrevista coletiva ao fim da reunião ministerial da OMC.
Mas não há consenso ainda sobre o nível e as condições em que essa análise ocorrerá.
A iniciativa é um pedido dos países do chamado “G20 agrícola’’, do qual o Brasil está à frente, lançado em comunicado no último domingo. Na prática, a solicitação para discutir e identificar “obstáculos’’ à negociação é um meio de pôr os EUA abertamente na berlinda.
Washington, apesar das mudanças na Casa Branca, é identificado como o maior entrave não só pelos países emergentes como também por vários europeus e por funcionários de alto escalão da OMC (manifestações de empatia aos americanos vieram apenas da Índia).

Abertura de mercados

Os EUA, por sua vez, exigem maior abertura dos mercados dos países em desenvolvimento e jogam a responsabilidade para os grandes emergentes. Hoje, seu titular do Comércio Exterior, Ron Kirk, voltou a citar Brasil, China e Índia. Também alfinetou, em entrevista coletiva, que “aqueles que esperam assumir um papel de liderança devem fazer mais’’.
A OMC, como queriam os países-membros, até tirou Doha da agenda da reunião deste ano, em Genebra. Mas, como lhe negam um enterro formal, a rodada continua a assombrar ministros e negociadores.
O diretor-geral da OMC, Pascal Lamy diz vislumbrar sua conclusão ainda em 2010, e dez entre dez ministros repisam essa urgência. Nos corredores do encontro, no entanto, a esperança propalada em plenário some, e o foco passa aos acordos bilaterais e plurilaterais. Sul-Sul.

Acordo oficializado

Veio de um deles a maior notícia do evento em Genebra.
Hoje, o Brasil, a Argentina e outros 20 emergentes oficializaram as bases de um acordo que haviam anunciado na semana passada para cortar em 20% as tarifas de importação sobre 70% dos produtos que comercializam entre si. A ideia é colocá-lo em vigor no mês de setembro próximo, com vistas a uma revisão em dois anos para eventuais ajustes e ampliação.
Não está claro se o documento terá endosso de todo o grupo (Mercosul, Argélia, Chile, Coreia do Norte, Coreia do Sul, Cuba, Egito, Índia, Indonésia, Irã, Malásia, México, Marrocos, Nigéria, Paquistão, Sri Lanka, Vietnã e Zimbábue). Chile, além de Tailândia e México, são prováveis defecções.
Mesmo assim, a Unctad estima que o corte possa inflar o comércio no chamado eixo Sul-Sul em US$ 8 bilhões por ano, estimulando sobretudo a venda de produtos industrializados (juntos, os 22 países somam 16% da produção industrial mundial, ou US$ 2,8 trilhões, na conta da Unctad).

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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