O WWF-Brasil lançou ontem um abaixo-assinado para coleta de assinaturas pedindo a criação de área protegida com 8.025 hectares, em Bertioga (SP), no mais conservado trecho de Mata Atlântica no litoral paulista. A área de planície, que faz conexão com o Parque Estadual da Serra do Mar, abriga rica diversidade de ambientes –dunas, praias, rios, florestas, mangues e uma variada vegetação de restinga– nos quais vivem animais raros e ameaçados de extinção.
O objetivo da ação na internet é obter o maior número de assinaturas em apoio à criação da unidade de conservação. O documento com as assinaturas será entregue ao governador de São Paulo, José Serra, e ao secretário estadual de Meio Ambiente, Xico Graziano.
Meta firmada
A proteção da área em Bertioga, segundo a ONG, contribuiria efetivamente para que o Brasil cumpra meta firmada na Convenção da Diversidade Biológica da ONU (Organização das Nações Unidas). A meta assumida pelo país é de proteção de 10% da área original do bioma até 2010. Hoje há somente 7,9% da Mata Atlântica original.
“Neste Ano Internacional da Biodiversidade chamamos a atenção para a necessidade de proteção e recuperação dos ecossistemas terrestres e aquáticos como uma maneira de defendermos a vida em nosso planeta”, ressalta a secretária-geral do WWF-Brasil, Denise Hamú.
Criar e manter áreas protegidas são formas da população se preparar para enfrentar situações climáticas mais severas e frequentes, bem como seus impactos, a exemplo de erosão, assoreamento de corpos d’água e aumento das enxurradas, e suas consequências, como as enchentes, que já mataram dezenas de pessoas só este ano no Brasil. “A melhor maneira de prepararmos a natureza para resistir aos impactos das mudanças climáticas é a conservação dos ecossistemas. Essa é uma forma de prevenirmos os impactos futuros. Criar áreas protegidas é necessário e urgente, pois essa também é uma medida de proteção ao indivíduo e à coletividade, explica Cláudio Maretti, superintendente de Conservação do WWF-Brasil.
Estudos realizados pelo WWF-Brasil demonstram que a proteção do local colocará a salvo espécies raras e ameaçadas de extinção, praias e a foz de rios. São conhecidas até agora 1.000 espécies de plantas, 44 com risco de serem extintas. Vivem lá pelo menos 14 espécies de anfíbios e répteis, sete espécies de aves e 14 espécies de grandes mamíferos, também ameaçadas de extinção.
Antes de ser colonizada pelos portugueses, a região de Bertioga era habitada por indígenas do tronco Tupi. Seu nome em tupi, Buriquioca, significa ‘morada dos macacos grandes’: buriqui significa macaco grande; e oca significa casa.






