A primeira fase do acordo judicial firmado entre MPF (Ministério Público Federal), empresas e órgãos federais para redução do nível de enxofre do diesel vendido no país está sendo cumprido. De acordo com os sindicatos de empresas de transporte coletivo de São Paulo e Rio de Janeiro, os ônibus que circulam nas duas cidades já estão sendo abastecidos com um combustível menos poluente e com quantidade de enxofre 90% menor do que o utilizado até o final de 2008.
Segundo o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) firmado em setembro, a frota de ônibus das duas maiores cidades do país é primeira a usar o diesel menos poluente. Desde 1º de janeiro, eles não podem mais rodar com o combustível tipo S500 –com 500 partes de enxofre por milhão de partes (ppm) de diesel. Só podem usar o diesel S50– com 50 ppm de enxofre.
Representantes da Fetranspor (Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro) e do SP-Urbanuss (Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo) afirmaram que a exigência está sendo cumprida. Segundo eles, apesar de toda polêmica envolvendo o assunto as empresas de transporte coletivo, mesmo não tendo assinado o TAC, estão fazendo sua parte.
“Os ônibus de todas as empresas já estão rodando com o diesel S50”, garantiu o gerente de Operações da Fetranspor, Guilherme Wilson, referindo-se aos cerca de 7.500 ônibus de 45 empresas cariocas de transporte coletivo urbano. “Agora, vamos analisar, ônibus por ônibus, o quanto a mudança no combustível reduziu a quantidade de poluentes emitidos”, informou.
De acordo Guilherme Wilson, pesquisas realizadas por algumas montadoras demonstram que o corte de 90% no nível de enxofre causa uma queda de 10% a 40% da emissão de particulas poluentes. Esse material particulado, disse Wilson, está entre as substâncias mais danosas ao ser humano emitidas pelos automóveis, ônibus e caminhões movidos a diesel.
“Ao que tudo indica, o abastecimento com diesel S50 está sendo feito”, complementou o diretor-executivo da SP-Urbanuss, Carlos Alberto de Souza.
Souza explicou que não foi possível consultar as 16 empresas filiadas ao sindicato para checar a adaptação. Afirmou, contudo, que seguramente a grande maioria dos 8.400 ônibus da frota paulistana já usa o diesel com menos enxofre.
O Ministério Público Federal, que acompanha o cumprimento do TAC, informou ontem que não há notícias sobre desrespeitos aos termos do acordo. De acordo com a assessoria de imprensa do órgão, todos signatários do TAC –Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), ANP (Agência Nacional do Petróleo), Petrobras e Ministério do Meio Ambiente– devem enviar relatórios sobre as ações tomadas para a adequação. Assim, o MPF poderá monitorar a questão.
A Petrobras, responsável pelo fornecimento do diesel, informou, em nota, que o abastecimento de diesel S50 é regular. Disse, entretanto, que o combustível está sendo importado para cumprimento do TAC. A ANP, que regula a distribuição de combustível no país, também informou que, até agora, não há notícias sobre descumprimento do acordo. De acordo com a agência, equipes de fiscalização vão acompanhar o cumprimento de todas as fases do termo firmado. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, as próximas fases do TAC preveem para 1º de maio a substituição de todo diesel vendido em Belém, Fortaleza e Recife, e em agosto, em Curitiba.
Ônibus de São Paulo e Rio já possuem diesel menos poluente
Em: 7 de janeiro de 2009
A primeira fase do acordo judicial firmado entre MPF (Ministério Público Federal), empresas e órgãos federais para redução do nível de enxofre do diesel vendido no país está sendo cumprido
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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