Opção de luz pré-paga no AM

Em: 9 de abril de 2013
Estado é pioneiro na adesão do sistema que deverá possibilitar a redução nos custos de energia ao consumidor
Estado é pioneiro na adesão do sistema que deverá possibilitar a redução nos custos de energia ao consumidor

Você já se imaginou comprando energia em cartão pré-pago como se faz com os celulares? Para algumas comunidades que vivem as margens do rio Amazonas isto já é uma realidade. O Amazonas é pioneiro no sistema de energia pré-paga que a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) pretende regulamentar ainda este semestre em todo país. O sistema deverá reduzir o valor pago por kwh de energia, pois eliminará a necessidade da tarifa básica cobrada nas contas de energia atualmente, além de diminuir os custos com mão de obra das distribuidoras.
“Considerando que a distribuidora reduzirá os custos operacionais, os níveis de inadimplência e também de perdas de energia, no processo de revisão tarifária esses valores serão reavaliados e os ganhos compartilhados com todos os consumidores por meio da redução da tarifa”, explica Daniel Bastos Ramos, Superintendente de relações institucionais da Aneel. A Aneel também ressalta que como forma de incentivar a migração para a nova modalidade de faturamento, as distribuidoras deverão conceder descontos na tarifa de pré-pagamento, sendo que nesse caso a sua concessão ocorreria por conta dos acionistas das distribuidoras, sem o repasse para os demais consumidores.
Por enquanto, o sistema está instalado em 211 casas, de 12 comunidades no Amazonas. No entanto esse sistema é utilizado como piloto e essas comunidades utilizam energia solar através de 12 mini-usinas fotovoltaicas com mini-redes nos municípios de Novo Airão, Barcelos, Maués, Beruri, Autazes e Eirunepé. O sistema, desenvolvido pela Amazonas Energia, é de responsabilidade das empresas Guascor e Kyocera que foram contratadas através de um pregão eletrônico, pelo valor de R$ 5,5 milhões.
A assessoria de imprensa da Amazonas energia informou que as áreas foram predefinidas pelo (MME) Ministério de Minas e Energia, através de critérios próprios que visavam atender comunidades necessitadas que não tinham acesso ao sistema tradicional de energia. “Há um planejamento da Eletrobras Amazonas Energia de universalização da energia elétrica no Amazonas até 2021. Por hora, tal sistema será utilizado apenas em regiões de difícil acesso”. De acordo com o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), 2,5 milhões de brasileiros não possuem energia elétrica.
Segundo a Aneel, a ideia de testar o pré-pagamento foi proposta pela própria distribuidora em virtude dos altos custos operacionais com os serviços de leituras e entregas de fatura, devido às grandes distâncias a serem percorridas. “Isso também se demonstrou desfavorável para os moradores, que acabariam tendo muita mão de obra e gastos se tivessem que pagar a conta de energia da maneira convencional”, afirmou Daniel Bastos Ramos. A Amazonas energia ressalta também que o sistema será ideal para utilizar em áreas de uso temporário como balneários, sítios e escritórios.
Além da Autorização concedida para localidades específicas no Amazonas também foi realizado procedimento parecido no Estado do Pará. Também está sendo realizada a condução de estudos e experiências na forma de projetos piloto ou de pesquisa e desenvolvimento sobre o tema em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. No entanto, apesar da aparente pressa para se adotar o sistema, a Aneel considera que os estudos no Brasil são muito recentes e é difícil avaliar como a população receberá a medida.
Segundo a Aneel, pesquisas em outros países demonstram que quem adere ao sistema acaba reduzindo o consumo de energia de 10 a 15%. Segundo o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), 2,5 milhões de brasileiros não possuem energia elétrica. A Aneel justifica que a tecnologia chega ao Brasil, como alternativa para o consumidor da zona rural e das cidades controlar os gastos mensais, exatamente como já ocorre com a telefonia móvel.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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