As organizações formais integrais de educação profissional e tecnológica (EPT) são assim conceituadas porque apresentam duas características próprias: primeiro, têm sua existência formalizada em consonância com as exigências legais; segundo, dedicam-se integralmente à educação profissional e tecnológica em todas as áreas formativas. A primeira característica as diferencia daquelas cujas existências não se pode constatar legalmente, as informalizadas; a segunda característica as diferencia de outros tipos por se dedicarem a mais de um espectro de atuação e, também, em mais de uma área do conhecimento. Assim, este artigo tem como objetivo explicar conceitual e operacionalmente as organizações formais integrais de EPT.
Diferentemente das organizações cujas existências não se pode comprovar legalmente, as organizações formais de EPT têm toda a sua história registrada em conformidade com as exigências legais. Desde a sua primeira manifestação criadora, com a realização da primeira reunião entre os sócios, no caso de organizações privadas, ou de comitês públicos de criação, no caso das públicas, os contratos sociais e atas constitutivas, respectivamente, são documentos que dão valor legal às suas existências. Em conformidade com os ritos legais, transitam todas as etapas processuais para que, em determinado momento, possam usufruir de tudo o que a lei lhes permite para que possam operar normalmente. Somente depois que suas existências são reconhecidas por lei, seus credenciamentos sejam confirmados e suas autorizações de funcionamento sejam publicadas é que iniciam suas atividades. Esse é o seu caráter formal.
Seu caráter operativo integral, para ser compreendido, carece de explicação. Tomemos como exemplo uma escola técnica estadual. Essa escola geralmente oferece formações em diferentes áreas, desde as sociais aplicadas, como Administração, até as Engenharias, como os cursos de Eletrônica. O primeiro caráter integral é justamente esse: atuam em todas as áreas do espectro tecnológico com a finalidade de formação profissional. Além disso, na maioria das vezes não fazem apenas o ensino, não se dedicam apenas à formação profissional. Aliás, é raro que isso aconteça. O que pode ser considerada como atuação normal é que essas organizações atuem em pelo menos dois setores: o ensino e a pesquisa, por exemplo, ou o ensino e a extensão.
O que parece explicar esse caráter diferenciador das organizações formais integrais é que o conhecimento e as habilidades do seu corpo docente estão em constante evolução. A evolução, neste particular, é a dinâmica que faz com que o conhecimento atual seja o conhecimento anterior mais o que foi acrescentado por novos aprendizados. Esses aprendizados podem ter a origem em outros docentes, através da aquisição por ensino, ou neles mesmos, através das atividades de pesquisa. Nas organizações formais integrais os docentes quase sempre se dedicam tanto às atividades de ensino quanto a pelo menos uma outra, como extensão, pesquisa, inovação e empreendedorismo tecnológico.
É por isso que se vê, por exemplo, organizações como os institutos federais, que atuam desde o ensino médio ao doutorado. Além disso, também produzem artigos científicos, artigos técnicos, artigos informativos, patentes, inovações e toda sorte de produtos técnicos, científicos e tecnológicos em diversas áreas do conhecimento. São instituições em que a EPT é universalizada. E é universalizada porque justamente cobrem pelo menos dois dos setores de atuação (ensino, pesquisa, extensão, inovação e empreendedorismo tecnológico) e várias áreas do conhecimento.
As organizações formais integrais são o exemplo prototípico das organizações de ciência e tecnologia. Todos os tipos de universidades se enquadram nessa categoria, além de todos os institutos de tecnologia, brasileiros ou internacionais. Também fazem parte desse grupo quase todas as chamadas escolas técnicas estaduais e municipais. Dizemos quase todas porque ainda existem algumas que se dedicam apenas ao ensino, o que implica em dizer que, formalmente, apenas esse setor de atuação é contemplado. As atividades de pesquisas, por exemplo, ainda que sejam realizadas (e quase sempre o são), têm suas existências relegadas à dimensão informal. Aliás, isso explica por que muitas organizações informais existem dentro das organizações formais e que haja, também, espaços não formais de EPT dentro de espaços formais.
O que se pode constatar empiricamente é que as organizações formais integrais são, pelo menos, medianas em tamanho, principalmente porque seus ambientes de atuação são altamente desafiadores. A maioria, contudo, têm grandes espaços físicos, alto grau de desconcentração, alto grau de dispersão espacial, utilizam tecnologias intensivamente, baixo grau de centralização e formalização, alto grau de diferenciação horizontal, alto nível de complexidade e cada vez mais baixo nível de diferenciação vertical. Esses elementos estruturais e infraestruturais lhes conferem, muitas vezes, lentidão tanto na detectação de problemas e desafios quanto na implementação de cursos de ação.
Como consequência, o processo decisório se torna lento e lentamente são as respostas às mudanças ambientais. A contemporaneidade tem exigido delas novos formatos estruturais e processuais.
As organizações formais integrais de EPT, por suas próprias características e peculiaridades, são um verdadeiro desafio gerencial. Isso quer dizer que exigem profissionais com elevada capacidade científico-gerencial para lhes assumir o comando, principalmente porque a competência que lhes são requeridas aliam exigências científicas (preferencialmente o reitor ou diretor geral tem que ser líder dentre os cientistas de sua área) e reconhecimento gerencial (sua capacidade de realização precisa ser reconhecida pelas organizações e instituições de seu ambiente de atuação).







