Parecia uma simples aula de Economia, onde se discutia com os alunos as vantagens e desvantagens das políticas econômicas onde as equipes deveriam adotar modelos expansionistas ou contracionistas. No momento em que os alunos se reuniram em grupos para propor modelos que adotariam se tivessem o poder econômico em suas mãos, a maioria só pensou em modelos expansionistas, justificando sua escolha com a necessidade de tirar o país da recessão em que se encontra, visto que a proposta estava embasada na questão econômica do Brasil atual.
Quando se foi discutir as escolhas no entanto, a primeira coisa que foi levada em conta, girou exatamente em razão do mecanismo fiscal da política expansionista exigir uma atitude de gastos públicos, com o governo aplicando no mercado, gerando empregos e fazendo funcionar o modelo em recessão do sistema. Logicamente que este é o modelo teórico e científico que se tem conhecimento. No entanto, o questionamento que foi feito logo em seguida, foi em razão de nosso país não suportar qualquer modelo que venha a aumentar gastos públicos. Pelo contrário, um dos primeiros mecanismos a ser aplicado em qualquer projeto de sucesso em nossa economia precisa girar no corte dos gastos públicos que além de estarem em níveis insuportáveis são de uma ineficiência astronômica.
Logicamente os alunos ficaram um tanto atordoados por um momento, visto que continuavam entendendo da necessidade de uma política de expansão para a economia de nosso país. No entanto ao analisarem pelo aspecto teórico da política expansionista, viram que a mesma provocaria o caos de um sistema já infectado por uma política sem metas definidas e sem gestão adequada. Talvez esta situação de total falta de entendimento explique a situação de muitos dos nossos agentes econômicos.
Diante da perplexidade do grupo e da necessidade de buscar uma solução, mesmo que teórica, procurei antes de afirmar algo como se fosse verdade absoluta, perguntar se o grupo lembrava de alguma situação parecida. Será que nossa economia já não se havia deparado com uma situação onde a equipe econômica foi levada a tomar medidas de política expansionista mesmo tendo se encontrado com as contas do governo em desordem e com os gastos nas alturas? Neste caso, como esta equipe fez para driblar esta relação teórica adversa e conseguir implantar seu objetivo?
Foi quando um dos grupos que estava participando do debate pediu a palavra e lembrou o Plano Real, quando de sua implantação. As contas públicas estavam em uma situação bem pior que estas que se mostram no momento atual, tanto em relação aos índices econômicos quanto em relação aos Gastos Públicos, posto que o Brasil chegou a fazer algo praticamente inédito em sua história econômica que foi a decretação de moratória. Neste caso específico do Plano Real, antes de qualquer atitude em ralação a iniciar uma política específica em termos econômicos, o governo tomou a atitude de cortar os gastos públicos para um patamar mais lógico de acordo com a equipe econômica e a partir dali esta equipe passou a coordenar a variação destes gastos.
A lição que ficou e que estamos precisando utilizar novamente, é que precisamos em determinados momentos ter uma equipe que estimule nosso governo a tomar atitudes firmes que sejam mostradas ao povo como necessárias e que logo o povo vai entender como entendeu as medidas do Plano Real. A questão que vivemos no momento atual é a grande falta de pessoas de qualidade tanto técnica quanto patriótica, que tenham a coragem de meter a cara na determinação de medidas necessárias independente de populismos eleitorais.
Eu acredito que existam pessoas capazes de chegar lá, como o grupo que está revolucionando o judiciário, mostrando que fazer o trabalho corretamente muda bastante a vida do país, colocando muitos no seu devido lugar. Quem sabe uma força tarefa da economia possa ser formada para mostrar à sociedade brasileira que é preciso montar uma política econômica urgente, inteligente, bem pensada e que, para ser aplicada, precisa inicialmente de algumas medidas que não estão nos manuais da ORTODOXIA ECONÔMICA.
é professor, economista, mestre em engenharia da produção, consultor econômico da empresa SINÉRGIO







