Os aplicativos nossos do dia a dia

Em: 2 de março de 2017
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A internet surgiu no Brasil em 1995 (quando o público teve acesso à novidade) e junto com ela chegou uma infinidade de novas palavras, além das que foram adequadas (computador, Apple, Microsoft, banner, banda larga, bitcoin, chat, download, e-mail, emoji, gif, hacker, internauta, link, login, Mark Zuckerberg, mega, modem, online, pixel, smartphone, software, spam, Steve Jobs, tablet, vírus), e várias outras menos citadas. Porém, à medida que a internet se amplia, outros vocábulos vão surgindo.

Uma das palavras internéticas (se é para criar, vamos criar) mais faladas ultimamente, e que ainda não é do entendimento total da maioria dos humanos é “aplicativo”, ou simplesmente app. Muito se fala em usar ou baixar um aplicativo. Mas, o que vem a ser um aplicativo? Para esclarecer a dúvida, o Jornal do Commercio entrevistou o professor pesquisador do Samsung Ocean Center/UEA, Allan Bezerra, que atua na área de TI (outro termo surgido com a internet e que significa Tecnologia da Informação) há mais de 17 anos já tendo trabalhado em projetos de aplicativos em empresas como Nokia, Microsoft e Samsung.

“Um aplicativo é um software (programa) criado com o propósito de desempenhar uma tarefa. O conceito ganhou mais visibilidade a partir da popularização dos smartphones, há uns dez anos, e das lojas de aplicativos”, explicou o professor.

Hoje, mais especificamente em Manaus, saber fazer um aplicativo se tornou uma profissão do presente e do futuro, até porque o universo dos apps é infinito e ainda existem poucos profissionais atuando na área.

“A UEA (Universidade do Estado do Amazonas), em parceria com o Samsung Ocean Center, promove cursos de desenvolvimento de aplicativos desde 2014. Nos nossos treinamentos buscamos complementar a formação técnica que os alunos trazem da universidade, oferecendo problemas e desafios práticos para que eles os solucionem através do desenvolvimento de aplicativos”, contou.

De milhares a bilhões
Mas como desenvolver um aplicativo? Por onde começar? “Para participar de um curso de desenvolvimento de aplicativos é necessário que o aluno tenha um conhecimento prévio de linguagens de programação. Os jovens de hoje sabem muito bem o que é isso. Trata-se de uma atividade técnica que exige estudo e dedicação. Entretanto, hoje temos ferramentas de apoio à criação de aplicativos que permitem um desenvolvimento mais rápido e simples. No futuro os alunos aprenderão linguagem de programação na escola, tal como aprendem inglês ou outro idioma. Isso permitirá que ele se ‘comunique’ melhor com todos esses equipamentos eletrônicos, facilitando a criação de aplicativos”, garantiu.

Para os não tão jovens de hoje (e que não conseguem entender como um adolescente ou uma criança manuseiam com tanta intimidade um smartphone), Allan é ainda mais didático. “Hoje, para qualquer tipo de informação ou entretenimento existe um aplicativo associado para facilitar o acesso a esse conteúdo. Através de um app, você se comunica, lê jornais, pede o gás de cozinha, compra bilhetes do cinema e até paga o estacionamento do shopping. Todos que possuem celular, têm contato diário com aplicativos, seja mandando uma mensagem, ou baixando jogos para se divertir.São infinitas as possibilidades dessa invenção”, esclareceu.

E o que devem fazer os interessados em ser alunos do Samsung Ocean Center/UEA? “Devem buscar um mentor na área de tecnologia para entender seus conhecimentos atuais e facilitar a aprendizagem sobre o tema. Fazemos isso diariamente no Ocean/UEA com nossos alunos e com a comunidade em geral. Os cursos de curta duração têm como objetivo a atualização tecnológica de profissionais da área. Já as turmas de longa duração têm grande carga horária prática nas quais o aluno desenvolve um aplicativo integralmente”, adiantou.

E quanto ganha um apper (olha essa outra palavra novíssima aí)? “O custo está diretamente relacionado à qualidade gráfica, ao tempo de resposta e a quantidade simultânea de usuários que vão utilizar o serviço. Quanto maior esses requisitos, maior será o custo de um projeto de aplicativo. O valor de um aplicativo pode variar de alguns milhares de reais a alguns bilhões de dólares, como os ganhos por Jam Koum, criador do WhatsApp”, revelou.
O site da Samsung Ocean: www.oceanbrasil.com

De faxineiro a bilionário
Tudo começou com a chegada dos smartphones ao mercado, em 2002. Apesar de existirem desde 1992, os aparelhos só começaram a ganhar destaque dez anos depois, quando a RIM (Research in Motion) passou a oferecer seus produtos da linha Black Berry. Os aparelhos eram conectados à internet e tinham capacidade de enviar e receber e-mails. O recurso fez com que eles se tornassem populares no meio empresarial, e logo, entre os simples mortais.

A partir de 2007, graças aos smartphones, os apps começaram a se popularizar exatamente por trazerem mais praticidade ao dia a dia, facilitando a execução de tarefas, sendo que muitos deles passaram a ter papel fundamental na vida de muitas pessoas.

Um exemplo claro de um app fundamental é o WhatsApp. Criado em 2009 pelo ucraniano Jam Koum, desde 2014 pertence ao Facebook (leia-se Mark Zuckerberg), comprado pela bagatela de US$ 19 bilhões. Jam, que quando chegou aos Estados Unidos trabalhou como faxineiro, ficou com 40% das ações do WhatsApp e uma fortuna, na época, de US$ 6,8 bilhões. O WhatsApp é um dos aplicativos mais baixados no mundo porque, gratuitamente, permite troca de mensagens e envio de arquivos de sons, imagens e vídeos.

Um estudo publicado pelo SimilarWeb apontou o app como o mais usado em todo o planeta, por 56,6% das pessoas, utilizado em 109 países diferentes. As mensagens e ligações de quem usa o WhatsApp são criptografadas de ponta a ponta e somente as pessoas que estão se comunicando conseguem lê-las ou ouvi-las. Segundo o WhatsApp nem eles mesmos conseguem fazer isso.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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