Os holandeses se apossaram de parte do Brasil, mais especificamente em Pernambuco, por 24 anos, de 1630 a 1654, e nesse tempo deixaram descendentes em terras brasileiras.
Certamente, com o sobrenome que tem, um desses descendentes chegou a Manaus há 17 anos, vindo de Recife, e não pretende ir embora, como seus antepassados. Trata-se do artista plástico Denis Maerlant, que está com uma exposição no Shopping Ponta Negra.
Denis contou que sua iniciação nas artes se deu ainda na infância. “Meu pai era músico, uma prima e um tio eram artistas plásticos, mas todos, apenas por hobby. Ninguém vivia da arte. Foi nesse meu tio, Leonardo Leal, que me inspirei. Não gostava das pinturas que ele fazia, mas gostava de mexer com tintas, com as cores”, recordou.
Na escola, como é comum aos futuros artistas plásticos, Denis se destacava nos desenhos, além das maquetes que fazia. Adolescente, resolveu que queria desenhar e pintar quadros. “Ainda criança vi a foto de uma escultura de Dali, num livro. Me apaixonei pelo que vi, pelo surrealismo. Nos cursos de arte que fiz, depois, me aprofundei a respeito desse movimento”, contou.
O surrealismo surgiu em Paris, depois da Primeira Guerra Mundial, e teve forte influência das teorias psicanalíticas de Freud com obras, em todas as vertentes, onde o inconsciente se destaca na atividade criativa. “O escritor francês André Breton foi líder e mentor do movimento, mas nas artes plásticas me chamavam a atenção as obras do alemão Max Ernst, do francês André Masson e, lógico, do espanhol Salvador Dali”, falou.
Perfeição em termos estéticos
Em Manaus, Denis Maerlant chegou em 1997, para desenvolver um projeto de artes plásticas, que acabou não dando certo. “Aí gostei daqui, constituí família e resolvi ficar”, disse.
Desde então já realizou diversas exposições em Manaus, no Sul do país e recentemente fez uma exposição na Itália. Algumas de suas obras fazem parte do acervo de espaços do Nordeste, como o Museu do Cangaço, em Pernambuco, e a Galeria Archidy Picado, no Espaço Cultural da Paraíba.
Mas na capital amazonense, pouquíssimos conseguem sobreviver da arte. “Montei uma empresa que presta assessoria de comunicação e o artista pôde continuar fazendo seus trabalhos”, explicou. Os quadros de Denis retratam, entre outras coisas, a visão amazônica. “Meu foco é muito pessoal. Busco sempre um conceito subjetivo dentro do meu trabalho, nunca é uma obra direta, sempre dá uma abertura para a pessoa interpretar da forma que ela quiser”, acrescentou.
Denis disse não fazer comercialmente seus trabalhos. “Não produzo para vender. Lógico que se alguém quiser comprar algum trabalho meu, eu o vendo, mas só produzo artisticamente, quando estou inspirado, quando me dá prazer fazer um quadro”. E prazer seja, talvez, o que não falte nos quadros de Denis. Ele gosta de explorar o universo do corpo feminino, principalmente corpos nus. “A figura feminina é muito forte. O corpo feminino tem a perfeição em termos estéticos”, ensinou.
Quatro pinturas do artista podem ser vistas numa exposição que está sendo realizada no Shopping Ponta Negra, junto com outras quatro obras da também artista plástica Gisele Alfaia.
“É muito importante essa parceria que nós da Amap (Associação Amazonense de Artistas Plásticos) estamos tendo com o Shopping Ponta Negra. Eles nos cedem o espaço gratuitamente para expormos e vendermos nossos trabalhos. Estamos até pensando em abrir uma galeria no shopping. O apoio às artes em Manaus precisa deixar de ser apenas surreal”, alfinetou.







