A democracia brasileira vive sob fogo cerrado. Seus inimigos não morreram de velhos. Renovam-se através das gerações e alteram as formas de agir, de modo a ganharem eficiência. Hoje, eles a atacam desde vários flancos. Do somatório de todos esses esforços surge uma força difícil de ser neutralizada.
São inimigos da democracia os que agem no sentido de atribuir mais e mais recursos, mais e mais poderes, mais e mais prerrogativas ao Planalto, de onde sua excelência de cada quadriênio distribui favores e atrai fervores. Tal hegemonia, desequilíbrio da repartição dos poderes, desrespeito à Federação, preso a uma mesma e única caneta correspondem a uma forma indesejável de democracia.
São inimigos da democracia os que a veem como um campo de batalha, repetindo a estratégia do nazista Goebbels em seu “Der Angriff”: “Nós entramos no parlamento como forma de nos abastecer, com suas armas, no arsenal da democracia. Se a democracia é tão estúpida para nos proporcionar meios e salários para este trabalho de urso, é problema dela. Nós não chegamos como amigos, nem como neutros. Nós chegamos como inimigos. Assim como o lobo salta sobre o rebanho, assim nós chegamos”.
São inimigos da democracia os que, agindo desde fora, tudo fazem para desacreditar a instituição parlamentar, escalando-a como passivo saco de suas pancadas. Bradam contra ela, como se todas as carências nacionais fossem causadas pelos R$ 7 bilhões gastos nas suas duas Casas. No entanto, de cada mil reais do orçamento da União, o Congresso inteiro (com todas as suas mazelas, regalias e desperdícios!) gasta cinco!
São inimigos da democracia os que, dentro da instituição parlamentar, não se preocupam com promover uma reforma política que restaure as próprias atribuições, moralize as relações entre os poderes de Estado e reduza a influência dos interesses corporativos sobre as decisões nacionais.
Junte tudo, junte todos, e não sobrarão muitos democratas por aí. Todavia, é no Congresso, um dos piores da história republicana que bate –fraco e enfermo, mas bate –o coração da democracia. Ele é a representação da nação em sua pluralidade. Como a nação, precisa ser aprimorado, não condenado. Precisa ser preservado, não desmoralizado.
Os inimigos da democracia estão sempre à espreita
Em: 21 de novembro de 2013
A democracia brasileira vive sob fogo cerrado. Seus inimigos não morreram de velhos. Renovam-se através das gerações e alteram as formas de agir, de modo a ganharem eficiência. Hoje, eles a atacam desde vários flancos
Redação
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