Os planos para Black Friday, 13º Salário e Natal

Em: 26 de outubro de 2022

Em torno de 92% dos consumidores de Manaus pretendem comprar no Natal e 67% dizem que vão aproveitar a Black Friday. Mas, em tempos de incertezas econômicas, os principais critérios de escolha dos presentes ainda são preços e promoções. Em sintonia, quase metade dos manauenses que vão receber o 13º salário informam que vão priorizar o pagamento de dívidas, enquanto 18% revelam que vão guardar o dinheiro. É o que aponta a sondagem do Ifpeam (Instituto Fecomércio de Pesquisas Empresariais do Amazonas).

“O Natal é a principal data para o comércio, ao movimentar todos os segmentos. Como demonstrou a última pesquisa do IBGE, o comércio acumula três meses consecutivos de queda, como reflexo do achatamento da renda e endividamento das famílias, que foram ocasionados pela crise econômica mundial, tendo em vista que os reflexos oriundos das medidas adotadas pelo governo vão surgindo lentamente. Os últimos dois meses do ano são aguardados com expectativa, porque os trabalhadores recebem o 13º salário e, geralmente, recursos de férias”, ponderou o Ifpeam, no texto de divulgação das sondagens.

A minoria dos consumidores está indecisa (7%) ou pretende evitar as compras de Natal (1%). Quem já se decidiu, prefere itens de menor valor agregado, como calçados (40%), vestuário (34%), perfumaria e cosméticos (30%). Brinquedos (19%), games e jogos (13%), cintos e bolsas (12%), móveis e decorações (7%), eletrodomésticos e eletroportáteis (6%), celulares e smartphones (5%), viagens e passeios (5%), artigos esportivos (5%), joias e semijoias (4%), e até vale presente (4%) também estão na lista. 

A maioria (31%) está disposta a gastar entre R$ 150 a R$ 300. Na sequência estão aqueles que pretendem dispender de R$ 50,01 a R$ 150 (29%), até R$ 50 (22%), entre R$ 300,01 e R$ 500 (14%) e de R$ 500,01 a R$ 1.000 (4%). Os mais lembrados na hora de presentear são filhos/as (47%), mães (45%) e cônjuges (34%). São seguidos por pais (19%), sobrinhos (18%), namorado/a (11%), irmãos (6%), amigos (3%), afilhados (3%), tios (2%), enteados, avós e primos (os três com 1%). Mas há também quem vá comprar “para si mesmo” (15%).

Entre os entrevistados, 68% pretendem comprar de 1 a 3 presentes, mas há quem planeja comprar entre 3 e 6 presentes (16%), apenas um presente (12%) e mais de 6 presentes (4%). A parcela de manauenses dispostos a arcar com o gasto sozinho é de 79%. Para os demais, o custo deve ser rateado com o cônjuge (19%), irmãos e outros (ambos com 1%).

Black Friday

Ao menos 67% dos consumidores esperam comprar na Black Friday, mais do que no ano passado (60%). Outros 22% adiantaram que vão deixar a oportunidade passar e 10% disseram que ainda não sabem. “A Black Friday caiu no gosto do consumidor, por ser uma boa oportunidade para comprar aquele produto que sempre esteve fora do alcance da renda. Mas, 32% não pretendem ou não opinaram, o que ainda reflete o ceticismo de alguns consumidores, que acreditam haver manipulação de preços por alguns comerciantes, o que não passa de lenda urbana”, frisou o texto da pesquisa do Ifpeam.

Segundo os entrevistados, o fator principal a ser levado em conta na hora da hora da compra é o preço (48%), mas há também quem aponte o conceito da loja (35%), boa avaliação/reputação em sites de compra (16%) e selo de segurança (1%). No caso específico das compras de Natal, além dos preços (46%), os critérios incluem promoções (42%), variedade de produtos (36%), segurança (20%), variedade de lojas (17%), frete grátis (16%), localização (13%), estacionamento (12%), climatização (7%) e “outros” (3%).

“Preço sempre foi fator preponderante em pesquisas e agora, em tempos de crise econômica, ficou mais acentuado. Representou 88%, quando somado a promoções”, destacou o texto do Ifpeam. “Este percentual se justifica pela amostra da renda: 85% têm renda de até 6 salários mínimos. Chama atenção os 35% de compradores que consideram o conceito da loja na hora da decisão. É a demonstração que o cliente valoriza a tradição e segurança para uma eventual necessidade de troca do produto”, emendou. 

Os locais preferidos para as compras são os shopping (33%) –amparados pelos critérios de climatização, segurança, estacionamento, e ambientes de convivência –e o Centro da cidade (32%) –favorecido pela tradição, variedade de produtos e preços. Comércios de bairros (17%), e internet/sites/lojas virtuais (16%) também estão na lista. O cartão de crédito (47%) –parcelado (29%) e à vista (18%) –ainda é o método preferido de pagamento, seguido por dinheiro ou débito automático (22%), crediário/carnê (16%) e Pix (15%).

13º e endividamento

O 13º salário, por outro lado, sinaliza pouco fôlego. A principal intenção de consumo em Manaus, conforme a pesquisa, ainda é para pagar dívidas (47%). Os que pretendem comprar alimentação/ceia natalina são 29% –contra os 52% de 2021. Em torno de 18%, por outro lado, pretendem guardar o dinheiro. Os demais itens da lista, como vestuário (9%), viagem e lazer (9%) e brinquedos (7%),aparecem com apenas um dígito.

A prioridade do uso do benefício para saldar débitos antigos não surpreende, dada a tendência capturada nas mais recentes pesquisas de Endividamento e Inadimplência, realizadas pela CNC, em Manaus. A sondagem do Ifpeam confirma que o endividamento é uma realidade para 67% dos entrevistados, nos últimos seis meses. Os consumidores ‘pendurados’ em pagamentos de menos de 3 parcelas (27%) e de 4 a 5 parcelas (23%) são maioria, mas há quem esteja devendo 6 a 10 parcelas (15%), entre 12 e 15 parcelas (1%), e mais de 15 parcelas (1%). Apenas 33% informam já ter quitado todas as dívidas.

“Estamos em um momento especial, pois o Natal é o ápice da agenda do comércio. Os dados do estudo vão nortear os empresários, de forma apropriada, sobre as necessidades dos seus clientes. A pesquisa mostra, entre outras coisas, que o consumidor quer preços competitivos e promoções compatíveis. E também que quase metade deles quer usar o 13º para pagar dívida, porque houve uma escalada dos juros e do endividamento. Mas, limpar o nome é importante, pois permite restabelecer o consumo e dar maior densidade às vendas”, concluiu o presidente em exercício da Fecomércio-AM, Aderson Frota.

Boxe ou coordenada: Saiba mais sobre a pesquisa

A pesquisa foi realizada com uma amostra de 325 entrevistados, entre 28 de setembro e 10 de outubro. O Ifpeam informa que, em algumas perguntas (como a do 13º), o entrevistado escolheu mais de uma opção. Em torno de 50% dos entrevistados possuem renda familiar de 3 a 5 salários mínimos, 35% ganham entre 1 e 3 salários mínimos, enquanto os 15% restantes apresentam rendimentos superiores a 6 salários mínimos. Mulheres (59%) superam os homens (41%), com predomínio dos entrevistados com idades de 35 a 49 anos (36%), em detrimento das faixas etárias de 25 a 34 anos (23%), entre 18 e 24 anos (23%), de 50 a 59 anos (17%), e acima dos 60 anos (1%). Em termos de escolaridade, predominam consumidores com pós graduação (31%), ensino médio (30%) e superior (27%), sendo seguidos de longe por aqueles que têm nível fundamental (9%), mestrado (2%) e doutorado (1%). Os moradores da zona Sul (31%) são maioria, mas o Ifpeam ouviu também residentes nas zonas Oeste (19%), Norte (16%), Leste (15%), Centro-Sul (13%) e Centro-Oeste (6%). 

Por Marco Dassori

Twitter: @marco.dassori

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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