Apesar das pesquisas nacionais apontarem um maior acesso ao crédito nos últimos meses, no Amazonas, a realidade foi outra. As vendas do comércio varejista em dinheiro superaram as formas de pagamentos em parcelas. A afirmação tem como base pesquisa divulgada pela Fecomércio-Am (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas) que revelou crescimento de 61,1% nas compras à vista entre setembro e agosto.
Na opinião do vice-presidente da Fecomércio, José Azevedo, a forma de pagamento à vista ainda deverá ser a mais utilizada pelo cliente local. Mercadorias de baixo valor, como calçados, roupas e eletroportáteis deverão ser as mais adquiridas em dinheiro até o fim do ano, segundo o dirigente.
“Há dois fatores que contribuem para isso: o primeiro é porque muitas pessoas estão fichadas no SPC e não estão com acesso ao crédito, e o segundo é que uma parte está com mais dinheiro na carteira”, declarou.
Com relação às vendas no crediário, o cliente de Manaus ainda está mais preocupado em adequar o número de prestações ao orçamento, do que levar em consideração o valor total da dívida. Algumas pessoas acabam enchendo a sacola e parcelando em 6, 10 e 15 vezes sem juros, foi o que informou Azevedo.
Crédito ainda é boa opção
Os cartões de crédito corresponderam a 30,9% da fatia e os 8% restantes foram de formas de pagamentos diversas – como convênio, cheque pré-datado, vendas a prestação e empenho.
De acordo com o economista da instituição, José Fernandes, foram consultadas 400 empresas locais para a elaboração da pesquisa, levando em consideração, além do dinheiro “vivo”, o cartão de débito como pagamento à vista.
Para o diretor da Foto Nascimento, Antonio Kizem, as vendas à vista do estabelecimento não superaram as feitas com cartões de crédito. A explicação é devido aos juros baixos cobrados no parcelamento com a moeda de plástico na loja, o que torna atrativo as compras a prazo. “A previsão é que a participação do cartão de crédito na empresa cresça entre 18% a 20% até dezembro”, revelou.
Apesar de uma maior participação das cédulas na hora de levar o produto para casa, como mostrou o relatório da federação, o comércio varejista teve retração nas vendas brutas. No comparativo de setembro com agosto, houve queda de 1,55%, tendo o segmento de bens semiduráveis como o setor de maior declínio no período (5,46%).
O faturamento bruto do comércio varejista de setembro, frente ao mês passado, encolheu 1,70%. Já na análise com setembro do ano passado a variação foi positiva, cerca de 8%, com destaque para o comércio de bens duráveis (móveis, eletrodomésticos, material de construção), obtendo 8,39% de faturamento bruto.
Comércio Varejista no país
Nacionalmente este também é o setor com maior perspectiva de crescimento nos próximos meses, sendo 16,5% em novembro e 16,7% em dezembro, ambos na comparação com o mesmo período no ano passado.
O comércio varejista espera encerrar o ano de 2010 com o melhor resultado desde 2007. A projeção dos lojistas é registrar aumento real de 7,8% na venda anual, percentual ligeiramente superior ao que foi registrado em 2009.
As informações, a nível Brasil, foram divulgadas semana passada através do IAV (Índice Antecedente de Vendas), na qual 35 empresas associadas ao IDV (Instituto para o Desenvolvimento do Varejo) foram consultadas.







