Emergentes passaram de ‘doentes’ a ‘doutores’, diz Goldman Sachs Quase exatamente há dez anos, no dia 5 de novembro de 1998, a Rússia anunciava o default em sua dívida externa. Uma semana depois, o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial, com o apoio de vários países ricos, anunciavam um pacote de US$ 41,5 bilhões para a estabilização financeira do Brasil. Quatro dias depois, o Federal Reserve (Fed banco central americano) cortava os juros em mais 0,25 ponto percentual, a último de uma série de reduções que encolheram as taxas em 0,75 ponto num período de apenas sete semanas.
Para o banco Goldman Sachs, esses tempos parecem estar muito mais distantes do que apenas uma década. Neste momento, o Fed mais uma vez se vê numa situação na qual teve que cortar os juros em 0,75 ponto ao longo de sete semanas. Mas dessa vez os problemas estão sendo criados pela própria economia dos Estados Unidos.
“Em vez de aumentarem a instabilidade na economia global, os países emergentes estão ajudando os Estados Unidos”, disse Peter Berezin, economista do banco de investimentos americano. “Vimos isso mais claramente no relatório do PIB (Produto Interno Bruto) americano para o terceiro trimestre, que mostrou que as exportações cresceram em 16% em termos reais, lideradas por uma forte demanda dos emergentes, especialmente os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China).
É consenso entre os agentes do mercado internacional que os países emergentes reduziram várias de suas vulnerabilidades ao longo dos últimos dez anos. Um exemplo relevante é o total da dívida externa emergente, que caiu dos 40% do seu PIB em 1999 para menos de 25% hoje. Ao mesmo tempo, essas economias têm mostrado um crescimento robusto. “Ou seja, parece que o paciente foi curado, cursou uma faculdade de medicina, e agora se tornou doutor.”
Mas embora continue muito otimista com as perspectivas dos emergentes como um grupo, Berezin observou ser necessária uma estratégia discriminada para cada país. Como exemplo, ele citou o fato que os emergentes, coletivamente, estão acumulando um superávit em conta corrente.
“Entretanto, uma espiada mais atenta nos recentes números indica que cerca de 80% do atual superávit corrente dos emergentes é atribuído a um país: China”, disse. “Na verdade, Rússia e China estão registrando um superávit em conta corrente que supera o total dos emergentes.” Isso significa que se excluindo esses dois países, os demais emergentes estão coletivamente registrando um pequeno déficit em conta corrente.
Ao mesmo tempo, embora a média das moedas emergentes não tenha registrado valorização, há muitas exceções, como o real brasileiro. Mas Berezin salientou que as estatísticas precisam ser examinadas com muita cautela. “No caso de países como o Brasil, os movimentos cambiais ocorreram de níveis muito baixos, e boa parte das valorizações refletem a fraqueza do dólar”, disse.






