Viagens aéreas reduziram 41,7% em Manaus, no ano passado

Em: 15 de dezembro de 2021
A pandemia fez o fluxo de passageiros em viagens aéreas desabar 41,7%, em Manaus, no ano passado.

A pandemia fez o fluxo de passageiros em viagens aéreas desabar 41,7%, em Manaus, no ano passado. Em contraste, o transporte de carga pelo mesmo modal ainda alcançou incremento de 1,72%, em igual período, fazendo a cidade perder apenas para São Paulo, em termos de volume transportado. A capital amazonense, no entanto, se saiu melhor do que a média nacional, que registrou quedas respectivas de 53% para os passageiros – de 93,8 milhões (2019) para 44 milhões (2020) – e de 29,6% para as mercadorias – 282 mil (2020) contra 400 mil (2019) toneladas.

Em paralelo com a comercialização de assentos, as tarifas aéreas também encolheram na comparação entre 2019 e 2020. Foi registrada uma queda de 11,5% das tarifas médias de todas as passagens aéreas vendida que tiveram a capital amazonense como destino final. No caso de Parintins (a 369 quilômetros de Manaus), a retração foi de 10,2%, tornando a Ilha de Tupinambarana a terceira cidade mais acessível economicamente pelo transporte aéreo de passageiros para 2020. Os dados fazem parte do estudo Redes e Fluxos do Território: Ligações Aéreas (2019-2020), do IBGE. 

Entre as cidades brasileiras com a maior movimentação aérea, estão 15 metrópoles e oito capitais regionais. Manaus está na quarta posição do ranking, atrás apenas de São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro. De acordo com o IBGE, isso se deve, principalmente, ao transporte de cargas. Em 2019, foram transportados por via aérea mais de 90,782 mil toneladas de cargas em trechos incluindo a capital amazonense – o equivalente a 22,6% do total nacional. A cidade ficou atrás apenas de São Paulo (em torno de 230,135 mil toneladas) nesse quesito. Já em termos de fluxos de passageiros (pouco mais de 2,718 milhões), respondeu por apenas 2,9% do movimento brasileiro do período

“Geralmente, o transporte de cargas está correlacionado a produtos com alto valor agregado por metro cúbico, cuja produção pode estar concentrada espacialmente, como no caso de Manaus, ou que são perecíveis e não disponíveis nos locais de consumo/uso e, portanto, exigem rápido deslocamento entre a oferta e a demanda”, salientou o IBGE-AM, no texto de divulgação da sondagem.

Mas, em 2020, período de início da pandemia de covid-19, Manaus sofreu recuo de 41,7% na movimentação de passageiros e manteve o transporte de cargas com “modesta alta” de 1,72%. As demais cidades do interior amargaram retrações para o translado de pessoas (entre 4,2% e 66,4%) e de mercadorias (de 4,6% a 53,2%). Barcelos deixou de registrar voo de passageiros e Carauari, de cargas. Em contrapartida, Coari e Lábrea tiveram altas de cinco dígitos.

Acessibilidade e tarifas

O estudo também apontou diferenciais e gargalos na malha aérea do Estado. Em 2019, o Amazonas contabilizava 11 cidades com aeroportos com voos regulares enquanto serviço pago, sendo que a capital concentrava 99,9% do total. Manaus possuía, em 2019, 18 opções de voos diretos – especialmente São Paulo e Brasília – e 68 destinos indiretos possíveis por meio de conexões. As movimentações envolvendo a capital paulista responderam por 32,9% do fluxo de passageiros e por 79,9% do de cargas. 

Os outros dez municípios tiveram sua principal ligação aérea com a própria capital do Estado, embora apenas seis deles (Tabatinga, Tefé, Parintins, Carauari, Lábrea e São Gabriel da Cachoeira) tivessem translado regular de passageiros. Apenas Tabatinga (60 opções) e Tefé (47) podiam usar a capital amazonense como ponto de conexão, enquanto as demais tinham na cidade seu ponto final. “Essas quatro cidades figuraram nas últimas posições como as menos acessíveis por opções de passagens aéreas”, pontuou o IBGE-AM.

Manaus teve 7,79% de seus passageiros embarcados provenientes de outras cidades, levando o Amazonas possuir os maiores tempos médios para acesso a aeroportos do país. “Por causa de malha rodoviária pouco desenvolvida, bem como pela dificuldade de acesso hidroviário por causa de rios complexos e pelas longas distâncias, São Gabriel da Cachoeira e Carauari figuraram entre as últimas colocadas nas medidas de tempo de acesso aos serviços de transporte aéreo, com média de até cinco dias para as pessoas se deslocarem de outras cidades para os aeroportos”, assinalou o IBGE-AM.

A sondagem informa também que Manaus tinha TMPd (tarifa média ponderada por destino) custando R$ 488,37, há dois anos, ocupando o 48º lugar entre os valores mais em conta, em uma lista de 96 localidades. Tefé (R$ 466,42) ficou em 43º e Parintins (R$ 331,02), em quarto enquanto as demais cidades amazonenses com voos ficaram entre as dez menos acessíveis, com custo tarifário médio de R$ 700 a R$ 800. Cidades no Centro-Sul do país – como São José dos Campos (SP), Joinville (SC) e Vitória (ES) – ficaram no outro extremo da lista, com cifras abaixo de R$ 330, 

“Dimensões continentais”

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, reforça que Manaus possui volume de cargas significativo em razão do PIM, mas ressalta que a região impõe desafios ao translado de passageiros. “Os aeroportos dos municípios amazonenses são os que exigem de seus usuários maior distância para uso. No mesmo sentido, alguns possuem os mais altos preços no custo das passagens. Tudo isso tem como causa as dimensões geográficas continentais do Estado e a ausência de modais que permitam menor tempo de deslocamento na ligação com a capital, como as estradas”, ponderou.

Em matéria postada no portal Agência de Notícias IBGE, o géografo responsável pela pesquisa, Thiago Arantes, diz que Manaus possui maior número de destinos que São Paulo, em função de seu papel de articuladora da rede estadual de voos. Informa ainda que só 46 cidades brasileiras tiveram pelo menos um voo regular de passageiros em cada mês do ano passado. “Por ser um modal de alta intensidade tecnológica e de alto custo de operação, o transporte aéreo tende a se concentrar nas grandes cidades, como as metrópoles e capitais regionais”, concluiu.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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