O preço do pãozinho pode ficar mais barato para o consumidor. A CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado aprovou o projeto de lei da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB–AM) que exclui da base de cálculos do Simples Nacional, as receitas provenientes da venda do pão francês, medida que deve reduzir o preço final do produto. O Sindpam (Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria do Amazonas) anunciou que a medida deve reduzir o preço do pão em pelo menos 4% no Amazonas, caso seja aprovada pelo plenário.
O quilo do pão francês custa hoje em Manaus entre R$ 5 e R$ 11,90, segundo dados do Sindpam. A medida permitiria as padarias vender o quilo do pão a até R 4,80. O presidente do Sindpam, Carlos Alberto de Azevedo, ressalta que 95% das padarias e panificadoras de Manaus são micros e pequenas empresas e pertencem ao Simples Nacional. “Praticamente todo o mercado do Amazonas seria beneficiado, após tanto aumentos será uma conquista para o consumidor se conseguirmos diminuir os preços”, comenta. O Sindpam hoje possui 106 associados, com 1.200 panificadoras. Sendo 1.140 delas da categoria micro e pequenos empresas e estão ligadas ao Simples Nacional.
Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), em pesquisa realizada em 2011, uma pessoa deve comer em torno de 70 kg de pão por ano. No Brasil a média gira em torno dos 35 kg. Segundo o Sindpam, no Amazonas esse número é ainda menor. A expectativa é de que com a aprovação da PL 63/2011, aumente o consumo. “Com essa redução a gente passaria a vender mais. As empresas teriam um retorno melhor investindo parte desse desconto em modernização. Vale lembrar que aumentando o consumo, automaticamente aumenta o número de pessoas empregadas no setor também”.
No entanto o presidente prefere manter a cautela, lembrando que o projeto ainda precisa passar por outras etapas de votação e não há previsão para quando esse desconto poderá ser passado ao consumidor. “Não há previsão de quando se encerra o processo de votação para passarmos essa redução para sociedade. Esse imbrólio vem desde 2011, mas agora estamos em um estágio mais avançado. Esperamos que seja o mais rápido possível, mas realmente não depende da gente. Nós iremos continuar acompanhando e pedindo a colocação da pauta para ir o mais rápido possível”. A previsão é que o projeto de lei vá para Comissão de Constituição e Justiça do Senado em junho e só depois seja votado em plenário.
Sucessivos reajustes no trigo afetam mercado
Desde o início do ano para cá o pão já sofreu um aumento de 11% na cidade. Boa parte influenciada pela alta do trigo, que sofre com a baixa safra da Argentina. Os hermanos são o principal exportador de trigo para o país e para o Estado do Amazonas. A área de produção de trigo da Argentina vem declinando há vários anos, foram 52% de decréscimo nos últimos 11 anos. 15% apenas de 2012 para 2013. Essa baixa no mercado refletiu no mercado brasileiro já que a Argentina é responsável por 80% das importações de trigo brasileiras.
Como alternativa o mercado amazonense começou a importar trigo dos EUA, aumentando os custos. “O preço da saca do trigo era muito menor ano passado. Nos últimos seis meses tivemos três reajustes. Com a queda da safra na Argentina estamos comprando trigo dos Estados Unidos. Quanto você compra dos EUA aumenta teu custo de logística e influencia no preço final”, explica Carlos Alberto. A saca do trigo custa hoje para os panificadores em torno de R$ 90,00. Em maio do ano passado o valor médio da saca ficava na casa dos R$ 70,00. Um aumento de mais de 20%.
Em virtude disso a Camex (Conselho de Ministros da Câmara de Comércio Exterior), decidiu aumentar, no dia 9 Abril, de 1 milhão para 2 milhões de toneladas a cota de importação de trigo em grão, com redução da tarifa de 10% para 0%, a medida vale até 31 de julho e tem por objetivo facilitar a entrada de trigo no país para tentar reduzir os custos.
O Sindpam informa que o problema acontece em todo Brasil, onde 70% do trigo consumido é importado. No Amazonas a porcentagem é ainda maior. Para tentar baixar o preço, chegou-se a cogitar pedir ao governo estadual uma redução na questão do ICMS para deixar o preço do pão mais acessível, no entanto a conversa não caminhou como esperado. “O Estado falou que somos ligados ao Simples Nacional e por isso não caberia o desconto no ICMS. Hoje trabalhamos apenas com esse PL do Senado que irá beneficiar o maior número possível de empresas, uma vez que 95% do mercado amazonense é do Simples Nacional”, comenta.






