A redução do fornecimento de gás no Rio e em São Paulo é a “crônica de uma crise anunciada”, segundo especialistas. Para eles, mais do que um problema do gás, trata-se de uma crise de falta de planejamento do setor, e o limite imposto pela Petrobras é um pré-racionamento para evitar a ameaça de um apagão, como o ocorrido em 2001.
Segundo Hélder Queiroz, professor da UFRJ, já existia, na prática, um “racionamento branco” de gás. “Se um grande projeto industrial precisasse de gás no Sul, a distribuidora não teria como antendê-lo. Qualquer demanda adicional já enfrentava restrição de oferta. Não tem plano nem prioridade e muito menos uma sinalização clara da demanda”, disse.
Uso das hidrelétricas
Para Adriano Pires, do CBIE, a necessidade do produto só não foi mais destacada antes porque o setor elétrico estava usando as hidrelétricas. “Com a queda no nível dos reservatórios, (a limitação da oferta de gás) foi a maneira encontrada pelo governo para evitar apagão elétrico no curto prazo”.
“A crise não é do gás natural, mas de energia, o que é muito mais grave. Não estamos na mesma situação de 2001, mas, se não chover o suficiente neste verão, teremos um problema sério. Como o cobertor é curto, acaba-se tirando de um setor para compensar o baixo nível dos reservatórios”, diz Lucien Belmonte, superintendente da Abividro, associação da indústria de vidro e um dos setores que mais usam o gás.
Risco de racionamento
O Instituto Acende Brasil, que representa investidores privados em energia, estima em 9% as chances de racionamento em 2008. “Não estamos dizendo que vai acontecer, mas conviver com esse risco é ruim para quem pretende crescer”, diz Cláudio Sales, presidente da entidade. Para ele, um dos componentes preocupantes no risco de racionamento é justamente a produção de gás natural.
Problemas na Argentina, na Bolívia e um redimensionamento da capacidade de geração de energia em térmicas de gás natural no Brasil fizeram com que a oferta de energia firme -ou seja, com a qual se pode contar- prevista para 2008 fosse reduzida de 57 mil MW médios para 50,9 mil MW médios.
“Devido a problemas no gás natural, num intervalo de dois anos (2005 a 2007) a oferta firme de geração do Brasil foi reduzida em 12%.







