Para Iedi, indústria registra ritmo menor na produção e maior no emprego

Em: 18 de agosto de 2010
Os resultados de junho divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) permitem elucidar o quadro que passou a predominar na indústria brasileira após fortíssima expansão das atividades no primeiro trimestre
Os resultados de junho divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) permitem elucidar o quadro que passou a predominar na indústria brasileira após fortíssima expansão das atividades no primeiro trimestre

Os resultados de junho divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) permitem elucidar o quadro que passou a predominar na indústria brasileira após fortíssima expansão das atividades no primeiro trimestre. Com relação à produção industrial, a análise dos dados revela que a desaceleração do crescimento industrial no segundo trimestre foi generalizada em todas as bases industriais do país, deixando claro que, de fato, não se tratou de um processo fortuito ou parcial.
Na comparação trimestre contra trimestre imediatamente anterior, com dados ajustados à sazonalidade, observa-se menor taxa de variação no segundo trimestre relativamente ao primeiro em todos os locais pesquisados pelo IBGE –com exceção da Bahia, cuja produção praticamente apresentou a mesma taxa de crescimento nos dois trimestres (0,6% no primeiro e 0,8% no segundo). Em Minas, São Paulo e Rio de Janeiro, a produção passou de uma taxa de 4,3%, 2,1% e 1,1% no primeiro trimestre para 3,1%, 0,3% e 0,6% no segundo, respectivamente. Em alguns estados, a taxa de variação trimestral passou a ser negativa no segundo trimestre – como no Espírito Santo (de 6,6% no primeiro trimestre para –1,4% no segundo), Rio Grande do Sul (de 0,6% para –0,8%) e Amazonas (de 11,1% para –2,1%).
Os dados do IBGE também reforçam a interpretação de que a queda de 1% da produção industrial em junho com relação a maio, já descontados os efeitos sazonais, teve forte influência de fatores pontuais –como redução da jornada de trabalho devido aos jogos do Brasil na Copa em três dias úteis do mês. Isso não significa dizer que, na ausência desses fatores, o resultado seria positivo; mas, sim, que, na falta deles, o declínio da produção industrial seria menor. O que pode sustentar uma interpretação como essa é a redução menor da produção em São Paulo (–0,6%) do que na média nacional (–1,0%). Isso, pois, dado que, em São Paulo, a indústria se instalou de forma mais completa, a evolução de sua indústria é menos sensível a variações da produção de um determinado setor industrial. Ainda em junho, nota-se que os desempenhos de Minas (–3,3%), Pernambuco (–2,3%), Santa Catarina (–2,1%), Paraná (–1,7%) e Bahia (–6,0%) contribuíram muito para levar para baixo o nível médio de produção do país.

Número de ocupados

Já, no que diz respeito ao emprego industrial, pode-se observar – também a partir da análise dos dados divulgados pelo IBGE – que o aumento de 0,5% do número de ocupados na indústria em junho contribuiu para o crescimento de 1,5% registrado no segundo trimestre, o que representou uma aceleração frente aos três primeiros meses do ano, quando o emprego industrial cresceu 0,9% – todas as taxas calculadas com relação ao período imediatamente anterior a partir das séries com ajuste sazonal. Quanto ao número de horas pagas na indústria, o aumento de 0,3% em junho frente a maio colaborou para que o crescimento do segundo trimestre (1,8%) superasse o registrado no primeiro (1,4%).
Além da aceleração no segundo trimestre e das seis variações positivas consecutivas do emprego (de janeiro a junho) e das cinco do número de horas pagas (de fevereiro a junho) registradas pelo IBGE, outros dados reforçam as projeções de uma evolução favorável do emprego ao longo do segundo semestre deste ano. Ao se comparar junho com igual período de 2009, observa-se que o avanço do número de ocupados na indústria (4,9%) ocorreu em todos os locais, com destaque para a variação de 3,7% do emprego em São Paulo e 7,1% no Nordeste. Na indústria paulista, os setores que mais influenciaram positivamente o emprego foram: Máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (10,0%), Alimentos e bebidas (4,4%), Máquinas e equipamentos (6,5%) e Meios de transporte (5,6%); na região Nordeste, destacaram-se os setores de Calçados e couro (16,1%) e de Alimentos e bebidas (7,8%).
Em âmbito nacional, Máquinas e equipamentos, Meios de transporte, Máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações e Alimentos e bebidas também se destacaram como os setores que mais influenciaram não só o aumento do emprego como o avanço do número de horas pagas na indústria em junho com relação a junho de 2009. É verdade que a base de comparação é baixa, sobretudo para esses setores, que foram severamente atingidos pela na crise (com menor intensidade o setor de Alimentos e bebidas). No entanto, é bastante salutar para a economia brasileira ter esses setores puxando novamente o crescimento do emprego industrial, assim como ocorria nos primeiros três trimestres de 2008, antes do agravamento da crise internacional. Em um dos casos, reflete o melhor desempenho do setor gerador de oferta futura de bens e serviços (setor de bens de capital) e, no outro, a capacidade de atender a demanda por bens-salários (setor de alimentos e bebidas).
A expectativa é que a produção retome trajetória de crescimento no segundo semestre, a taxas menores do as registradas no primeiro trimestre, o que representaria uma evolução mais equilibrada da atividade. Quanto ao emprego, as evoluções dos ocupados e das horas pagas também permitem traçar trajetória de crescimento até o final do ano –assim como no caso anterior, provavelmente a uma taxa de variação mais moderada do que a observada em junho.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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