Parintins 2026: natureza em dois caminhos

Em: 24 de junho de 2026
Kimura Park e Boca da Valéria mostram a força do ecoturismo parintinense além do festival folclórico

Kimura Park e Boca da Valéria: dois destinos, uma mesma vocação para o ecoturismo

A seis quilômetros do centro e a mais de uma hora de barco, Parintins oferece experiências de natureza que atraem desde famílias locais até turistas internacionais de cruzeiros

Parintins tem dois destinos que não aparecem nos roteiros convencionais do festival — e que dizem muito sobre o potencial ecológico da ilha para além da temporada dos bois.

Um está a seis quilômetros do centro. O outro, a mais de uma hora de barco. Os dois compartilham a mesma lógica: natureza preservada, ritmo lento e experiência genuína.

Kimura Park: floresta e lazer a caminho do aeroporto

Localizado na Estrada do Contorno, próximo ao aeroporto, o Kimura Park foi construído sobre um conceito simples e cada vez mais valorizado: lazer ao ar livre com preservação ambiental como prioridade.

O parque oferece espaço amplo para caminhadas guiadas por áreas nativas, observação da biodiversidade amazônica, piqueniques, esportes e brincadeiras infantis. A estrutura de atendimento existe, mas não compete com a floresta — complementa.

O perfil do visitante é variado. Moradores que buscam sossego fora da rotina urbana. Turistas que chegam ao aeroporto e querem um primeiro contato direto com a natureza antes de mergulhar no festival. Famílias que precisam de um espaço seguro, arborizado e acessível.

Chegar é simples. Triciclos, táxis ou mototáxis a partir de qualquer ponto central de Parintins fazem o trajeto por 15 reais por pessoa. O parque responde a uma demanda crescente de viajantes que buscam o turismo de experiência — onde o respeito à natureza dita o ritmo do passeio.

Boca da Valéria: o destino que conquistou o mundo sem abrir mão da simplicidade

A uma hora e meia de barco de Parintins, na foz do Rio Valéria com o Rio Amazonas, existe uma comunidade ribeirinha que entrou nos roteiros de cruzeiros internacionais sem construir um único hotel de luxo.

A Boca da Valéria conquistou viajantes europeus e norte-americanos pela mesma razão que fideliza quem a visita pela primeira vez: entrega o que o turismo de experiência mais valoriza. Contato real, natureza intocada e humanidade sem filtro.

O turista que desembarca encontra artesanato feito à mão com sementes, palhas e fibras naturais. Danças e ritmos locais que traduzem o folclore amazônico. Moradores que mostram a produção de farinha, o cultivo local e a relação de respeito com o rio. Crianças. Pescadores. Canoas.

Os passeios pelos igarapés são o ponto alto. Pequenas embarcações cortam canais estreitos sob túneis naturais formados pela copa das árvores. O silêncio é parte da experiência.

A fauna é outro atrativo consolidado. Macacos, bichos-preguiça, jacarés, botos e pássaros coloridos são avistados durante os passeios guiados pelos próprios moradores. Entre agosto e novembro, a vazante abre praias de areia clara para banho. Ao fim do dia, o pôr do sol sobre o Rio Valéria fecha o roteiro com um espetáculo visual que os visitantes carregam nas fotos — e na memória.

A Boca da Valéria não cresceu por acaso. A comunidade se organizou para receber bem e preservar o que tem. Esse equilíbrio entre hospitalidade e conservação é exatamente o que a colocou no mapa do turismo global — e o que precisa ser mantido para que o destino continue sendo o que é.

Parintins 2026: natureza em dois caminhos - logos scaled e1783450947934

Soraya Cohen

é editora da coluna Turiscando
Pesquisar