Parintins é pop e atrai olhares do mundo

Em: 22 de junho de 2026
Boi Bumbá de Parintins ganhou espaço na cultura brasileira e atrai multidões (Divulgação/Secom Parintins)

Nos três dias de junho em que Parintins atrai olhares de todo o mundo, o Bumbódromo não é o único palco. Enquanto a festa toma conta da cidade, outra atração corre em paralelo nos camarotes e nas ruas da Ilha Tupinambarana: a chegada em massa de atores, apresentadores, ex-BBBs e influenciadores digitais que transformam o festival em uma das maiores vitrines pop do Brasil.

E não é só o hype. E não é exagero. São números. O Festival de Parintins projeta injetar mais de R$ 220 milhões na economia local em 2026, com expectativa de receber 120 mil turistas nos três dias de evento — mais que o dobro dos 96 mil habitantes da ilha. E boa parte desse burburinho nacional não custa um centavo aos organizadores: é gerado organicamente pelo poder de alcance dos famosos que escolhem Parintins como destino.

Segundo a produtora cultural e ativista Loren Luniére, que desde 2023 comanda os maiores eventos fora do bumbódromo, todo o investimento que o governo do Estado faz, retorna em lucro. “Parintins nos ensina, com números muito concretos, que cultura não é despesa: cultura é investimento público com retorno econômico, social e simbólico. Em 2025, segundo dados da Amazonastur e da Prefeitura de Parintins, o Festival movimentou aproximadamente R$ 215,6 milhões em receita direta para o Estado. Na prática, considerando os investimentos públicos do Governo Federal e do Governo do Amazonas, isso significa que, para cada R$ 1 investido, retornaram cerca de R$ 10,78 para a economia”, comemora.

Para ela, quanto maior for o investimento, tanto da iniciativa privada como das forças políticas na cultura, maior desenvolvimento e lucro vai girar no Amazonas.

Uma das opções de hospedagem para os famosos é a vivência diretamente de seus Iates, que tomam conta da orla de Parintins

Uma ilha amazônica que virou destino hype

Chegar a Parintins não é simples. A cidade só é acessível de barco — entre 7 e 24 horas de viagem dependendo da embarcação — ou de avião, com voos partindo de Manaus a preços sempre salgados. Para efeito de comparação: o show de Shakira na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, movimentou cerca de R$ 800 milhões — mas aconteceu em uma cidade de 6 milhões de habitantes, com malha aérea e rodoviária vasta. Parintins, com toda a sua logística desafiadora, é uma festa comparável em intensidade cultural e repercussão nacional, numa ilha perdida no coração da Amazônia.

É exatamente essa magia inacessível que seduz os famosos. Quem foi uma vez, volta. E quem foi pela primeira vez vira garoto-propaganda espontâneo do festival por meses nas redes sociais.

Os famosos

Há anos, o Festival de Parintins atrai uma constelação de celebridades. Em 2025, o apresentador e comediante Fábio Porchat foi um dos destaques — e não escondeu a emoção: ao sair da arena do Bumbódromo ao lado de Marcelo Serrado e Leonardo Bittencourt, chegou a se deitar no chão e beijar o piso da arena, num gesto que viralizou nas redes. Vibraram na plateia também Vivian Amorim, Ana Clara , Sheron Menezzes, Adanilo e Amaury Lorenzo. Os ex-BBBs Lucas Buda, Raquele Cardozo, Michel Nogueira e Alane Dias também marcaram presença, assim como o carnavalesco Milton Cunha, que comandou a atração “Toada do Milton” ao vivo.

Famosos como Alana, Ana Clara e Porchat marcaram presença na Ilha em 2025 (Fotos: Reprodução/Redes Sociais/Composição JC)

Quem vem aí?

Para a edição de 2026, os ex-BBBs Shay, Maxiaane, Breno, Milena e Gaby já estão confirmados na ilha. O evento também recebe o cantor Leonardo e o fenômeno Filho do Piseiro na Festa dos Visitantes. Nomes como Fábio Porchat, Milton Cunha, Vivian Amorim, Ana Clara, Adanilo e o ex-jogador uruguaio Diego Lugano — figuras carimbadas — devem repetir a dose. E a cantora e atriz amazonense Cella Bártholo estará presente como enviada especial da Revista Caras, cobrindo os bastidores para todo o Brasil.

No mês passado, Arena da Amazônia, em Manaus, foi palco do Festival da Cunhã, evento organizado pela própria Isabelle Nogueira que reuniu mais de 400 artistas e atraiu cerca de 45 mil pessoas nos dias 22 e 23. O evento se tornou uma espécie de pré-temporada glamourosa do Festival de Parintins — quando a Cunhã recebe influenciadores nacionais para um day-off no hotel de selva Uiara, o que nos dá um spoiler de quem pode vir para Parintins durante a festa. Esse ano, a Cunhã trouxe Gretchen, Thais Carla, Mari Bridi, Gleice Damasceno, Marcus Vinícius, Leidy Elin, Vinny, Luca Buda, Raquele, Kaisar, Astrid Fontenelle, Erika Schneider, Elena Valenária e Milton Cunha. Uma lista que dá pistas generosas sobre quem pode surgir, câmera na mão, pelas ruas e camarotes de Parintins.

Cada stories postado de dentro do Bumbódromo, cada reels com toadas ao fundo, cada foto no curral dos bois repercutindo nos milhões de seguidores desses artistas: é marketing espontâneo, engajamento puro, que leva o nome de Parintins a um público que talvez nunca tivesse ouvido falar do festival. 

Guia do Visitante: 

Como chegar

De barco: a opção mais amazônica e mais acessível. O percurso saindo de Manaus dura entre 18 e 24 horas em barco regional (ferryboat), ou cerca de 7 a 8 horas de lancha rápida. Durante o festival, há uma explosão de embarcações e a viagem em si já faz parte da experiência.

De avião: voos saem de Manaus e duram cerca de 1 hora. Os preços disparam durante o festival, então reserve com muita antecedência.

Para quem vai de barco
  • Leve sua rede se for de ferryboat e chegue cedo ao porto para garantir um bom lugar para armá-la.
  • Leve snacks e lanchinhos. Há lanchonetes nos barcos, mas as filas são longas e os preços são salgados.
  • Leve um cobertor fino. Apesar do calor amazônico, a temperatura cai no meio do rio à noite.
  • Leve sua garrafa de água. Há bebedouros a bordo, mas muitas pessoas estranham o gosto da água.
  • Leve cadeado e corrente para prender suas malas.
  • Leve extensão elétrica para aproveitar as tomadas.
  • Entretenimento a bordo: procure o QR Code do Muvieplay, o streaming amazônico disponível em dezenas de barcos. Vale muito a pena e ainda valoriza a cultura local!

Na ilha

No Bumbódromo

O coração do festival. A arena tem capacidade para mais de 35 mil espectadores e é dividida entre o lado azul (Caprichoso) e o lado vermelho (Garantido). Leve sempre uma peça de vestiário coringa: o branco! É uma cor muito usada nas duas torcidas. Uma bermuda branca, uma saia ou vestidos brancos são bem aceitos. Não leve garrafas de vidro, materiais cortantes, latas ou fogos de artifício. Pode levar garrafinhas plásticas tipo squeeze, leques, capas de chuva e pochetes. Sempre verifique as regras atualizadas do ano.

Banhistas se refrescam em Parintins, sob sol escaldante ( Foto: Clóvis Miranda )
Nos currais dos bois

Visitar os bastidores dos dois bois é programa imperdível. O Curral Zeca Xibelão (Caprichoso), no Centro, tem palco, museu e exposições com a história do boi azul. Já a Cidade Garantido, na Baixa do São José, tem uma sala de troféus e, nos fundos, um píer próprio, com vista espetacular do rio — imperdível.

Nas ruas da cidade
  • Panavueiro Fest: estrutura com palco, telões e praça de alimentação próximo à Catedral de Nossa Senhora do Carmo, com transmissão ao vivo das apresentações.
  • Trio Panavueiro: o trio elétrico percorre as ruas arrastando moradores e turistas. A concentração costuma ser na Rua Faria Neto, no Centro Histórico.
  • Galeria Cidade Aberta / Roteiro das Artes: dezenas de murais de arte urbana espalhados pelos muros da cidade — um passeio cultural e fotográfico único.
  • Bar Comunas / Praça do Comunas: na orla do Rio Amazonas, esse é o ponto de encontro oficial dos torcedores durante o dia. Fica praticamente intransitável de tão lotado durante o festival — e vale cada aperto.
  • Copões e concentrações de rua: bares e esquinas com som, toadas e muita torcida em cada canto da cidade.

Pontos turísticos que não podem ficar de fora

  • Pôr do sol na orla do Rio Amazonas — um espetáculo gratuito e diário.
  • Estação do Turismo: localizado na praça da Catedral: Tire o seu Passaporte de  Parintins.
  • Mercado Municipal (Rua Benjamin da Silva, Centro) — o point gastronômico por excelência. Provar o famoso pão com tucumã e queijo coalho ou o fritinho de crueira é obrigatório. Também há artesanato e ervas da Amazônia.
  • Praça Digital / Praça Cristo Redentor — à beira do rio, com anfiteatro, bares e o melhor friozinho amazônico da tarde.
  • Praça Eduardo Ribeiro — abriga a Feira de Artesanato Indígena durante o festival.
  • Píer dos Breves — às margens do Lago Macurany, ótimo para banho, rede e descanso com comida regional.
  • Balneário do Cantagalo — na comunidade do Aninga, perfeito para fugir do calor com shows dos bois e bares.
  • Tuk-tuk — Ande de Tuk-Tuk pela ilha. Os tricicleiros são Patrimônio Cultural e Imaterial do Amazonas. Um passeio pelos principais pontos da cidade a bordo dessas estruturas icônicas é uma experiência única.
Pratos com peixe são especialidade da Ilha (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

O que comer

O Guia Gastronômico de Parintins 2026 já circula pela cidade com os melhores endereços separados por momento do dia:

Café da manhã: o Coffee Ray (Rua Tapajós, 1174) é apontado como o melhor café regional da cidade — e o fritinho de crueira de lá é lendário. O Café Regional Pamin, no Mercado Municipal Luiz Gonzaga, e o Gato Preto, na Praça Eduardo Ribeiro, também são pedidas certeiras.

Almoço: destaque para o Restaurante Kuiu (ao lado do Bumbódromo, lado azul), a Rolim Peixaria (Rua Benjamin Silva, 1900 — para os amantes de peixe fresco) e o Pier do Kuiu (Av. Amazonas, 2845).

Jantar: o Churrasco do Thiago (Av. Amazonas, próximo ao Salão K1) e a Tacacaria da Neia (próximo ao Bumbódromo) são apostas seguras para encerrar as noites de festival.

Dicas gerais para se virar em Parintins

  • Use sandálias leves — você vai caminhar muito.
  • Não esqueça o protetor solar, o boné e os óculos escuros. O sol amazônico não perdoa.
  • Compre um leque ou colete um dos milhares de abanadores de patrocinadores distribuídos pelas ruas — você vai agradecer.
  • Use pochete ou doleira para carregar documentos, dinheiro e celular com segurança.
  • Tome bastante agua!

Lílian Araújo

É Jornalista, Artista, Gestora de TI, colunista do JC e editora do Jornal do Commercio
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