O uso racional da biodiversidade amazônica é um grande negócio. No Amazonas, os polos de produtos de base florestal, madeireira e não-madeireira, fitoterápico e fitofármaco recebem, desde 2008, incentivo extra, do Estado, de modo a dinamizarem suas produções.
São 15 micro e pequenas empresas que tiveram aprovados, em seleções públicas realizadas em 2008 e 2009, seus planos de negócio e foram agraciados com um espaço para exercerem suas atividades, cujas despesas mensais não ultrapassam R$ 800 para cada galpão. O “condomínio” que hospeda, por cinco anos (com direito à renovação de contrato por mais cinco), essas empresas é o Distrito Industrial de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte do Amazonas (Dimpe) “Ozias Monteiro Rodrigues”.
“O Dimpe é uma iniciativa dos governos estadual e federal, por meio de apoio da Suframa, e que conta com a parceria de outras instituições locais, como o Sebrae ”, explicou o diretor presidente da Companhia de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Ciama), Antonio Aluízio, órgão responsável pela administração do Dimpe e ligado à Secretaria de Estado de Planejamento e Desenvolvimento Econômico (Seplan).
Na última seleção ocorrida esse ano, a Ciama recebeu 14 planos de negócio, para o total de nove vagas disponíveis.
Das 15 empresas com galpões reservados no Dimpe, duas ainda não se instalaram: a Amazon Green (fitocosméticos), que deve inaugurar seu espaço até o final do ano; e a Ambitec (madeira/móveis), cujo início das atividades ficará para 2010.
Além de serem beneficiadas com instalações adequadas para o desenvolvimento das linhas de produção, as empresas ganham visibilidade local e nacional, pois seus planos de negócio são divulgados e recomendados por toda a rede estadual e federal, via Suframa. O resultado é o aumento nas redes de contato de possíveis compradores.
Cheirinho de Amazônia
As frutas amazônicas são apreciadas no mundo inteiro. Saborosas e ricas em nutrientes, facilmente se adaptam a qualquer paladar. Interessante saber que o açaí, por exemplo, é tão bem aceito na fabricação de energéticos quanto na elaboração de xampus.
O beneficiamento de matéria-prima amazônica destinado à produção de cosméticos é, hoje, um dos pilares do desenvolvimento da região.
E é nesse ramo de atividade que a Gotas e Cheiros da Amazônia centra suas investidas. Criada em 2006, com atuação, na época, no município de Presidente Figueiredo (distante a 107 quilômetros de Manaus), a empresa instalou-se no Dimpe no ano passado com a proposta de produzir cosméticos (xampus, cremes hidratantes, sabonetes variados etc.) à base de óleos essenciais, extratos e aromas de frutas regionais.
Os insumos são oriundos de São Paulo, em sua maioria, mas existem casos de grandes compras de matéria-prima local. “Ano passado, fizemos uma grande encomenda para o município de Manaquiri”, disse o empresário Gilson Gregório, revelando que a mercadoria chega a Manaus via fluvial.
De acordo com ele, a Gotas tem procurado formas de melhorar a produção a partir da contratação de serviços no próprio Estado. “Até os nossos frascos vêm de fora, de São Paulo e do Paraná”, afirma.
Nesse sentido, a empresa se propôs a conhecer as escalas de produção de algumas cidades, aumentando as chances de encontrar bons fornecedores, e, até o final de 2010, iniciar o processo de extração da essência in loco.
“É difícil achar determinadas essências em São Paulo. As de mulateiro, por exemplo, vêm do Acre”, salientou Gregório.
Os principais compradores da Gotas são empresas já firmadas em Manaus, como a Magia Amazônica e a NatuShop, empresários de São Paulo e a nova aposta, que são os revendedores.
A aceitação, tanto no mercado interno quanto externo, é grande, garante Gregório, e o público-alvo são as mulheres. Do portifólio da Gotas, o creme facial à base de mulateiro, o sabonete líquido íntimo de crajirú e os hidratantes corporais são os produtos mais visados. Mas as boas vendas não dão margem para a acomodação. A empresa tem a preocupação de lançar periodicamente novidades.
“Durante a visita do Comitê da Federação Internacional de Futebol (Fifa) a Manaus, em fevereiro, o governo encomendou vários kits daqui para presentear os avaliadores. Isso foi muito gratificante”, destacou Gregório.
Acabamento diferenciado
A baixa circulação de móveis produzidos por empresas genuinamente amazonenses animou os sócios Gilberto Tavares e Abnildo da Silva a partirem para o negócio próprio.
E, assim, surgiu na zona leste, em 2004, a Aga Móveis Indústria Ltda., cuja unidade fabril foi inaugurada em dezembro do ano passado no Dimpe.
“O nosso design e a qualidade do produto são o nosso diferencial”, exalta Tavares.
A Aga se especializou na produção de sofás, poltronas, camas e cabeceiras. As linhas são exclusivas, direcionadas para residência e desenhadas por Gilberto Tavares.
Ao contrário de muitas, a empresa tem seu público comprador fixado no interior, atendendo a uma carteira de 22 municípios, com destaque para Tefé (distante a 525 quilômetros de Manaus). Na capital, a Aga vende seus produtos para as lojas da Sono Bom e Ponto dos Colchões.
Em setembro passado, a empresa obteve um saldo de 168 jogos vendidos, mas a média de encomenda fica em torno de 300 jogos mensais.
Para os próximos quatro anos, os empresários planejam expandir a linha adotando um estilo mais sofisticado, para conquistar a clientela das classes A e B, e comprar uma máquina própria para o corte das espumas, que custa R$ 28 mil. “Hoje, eu compro a espuma cortada e isso aumenta o custo da produção”, revela ele.
Quando o quesito é a melhor compra, Tavares comprovou a ótima saída de estofados fabricados com tecidos do tipo Chenili. Segundo informou, eles estão entre os mais confortáveis, pois levam 70% de algodão em sua composição, enquanto os convencionais contêm somente 12%.
Evidentemente, adquirir um produto com esse padrão de qualidade exige um custo maior. O equivalente a R$ 580, no atacado, é o que se paga numa peça fabricada com Chenili.
Por mês, a Aga obtém um faturamento aproximado de R$ 60 mil e conta com nove funcionários.
Matéria-prima
A madeira usada na confecção dos móveis da Aga é adquirida em Rorainópolis (Roraima), os tecidos são oriundos de São Paulo e a espuma os empresários compram da Rede Eurosono.






