Pequenos negócios lideram empregos

Em: 19 de fevereiro de 2026

Os pequenos negócios responderam por nove em cada dez empregos com carteira assinada gerados no Amazonas em 2025, mas desaceleraram. Com 20.301 vagas abertas, as MPEs (micro e pequenas empresas) e os MEIs (microempreendedores individuais) responderam por 96,33% da oferta estadual (+21.075). O total ficou 5,02% abaixo de 2024 (+21.374) – que contou com um ambiente de negócios de juros mais baixos. As MGEs (médias e grandes empresas) sofreram um tombo ainda maior (-92,79%) diante do exercício anterior (+13.518) e criaram apenas 974 vagas. Já a administração pública e demais atividades (-200) fecharam o ano non vermelho.

Dezembro, por outro lado, confirmou a tendência sazonal de destruição de postos de trabalho formais, para quase todos os tipos de organizações. Puxadas para baixo principalmente pelos serviços e pela construção, as MPEs e os MEIs eliminaram 3.707 vagas, o equivalente a 55,58% do somatório negativo registrado pelo Estado (6.670) – após 11 meses consecutivos de altas. As companhias de maior porte (-2.704) não ficaram muito atrás, sendo mais impactados pelos mesmos setores. O mês foi negativo também para a administração pública (-7) e “outros” setores (-252). É o que apontam os dados do boletim do Sebrae, elaborado a partir dos números do Novo Caged.

A mesma base de dados informa que o desempenho proporcional dos pequenos negócios no Estado superou a média nacional. As microempresas (com até 9 empregados) e as empresas de pequeno porte (entre 10 a 49 colaboradores) foram responsáveis por 1.030.434 novas contratações com carteira assinada ao longo do ano passado, 80,53% do total (+1.279.498). A retração em relação a 2024 (+1.224.615) foi maior (-15,86%). Dezembro marcou o desligamento de 298.637 pessoas nas MPEs e MEIs de todo o Brasil, em resultado próximo às 262.952 demissões registradas nas médias (de 100 a 499 empregados) e grandes empresas (500 empregados ou mais).

 

Serviços e construção

Em dezembro, a prestação de serviços respondeu pela maior parte dos empregos formais extinguidos pelos pequenos negócios do Amazonas, com o corte de 2.444 vagas – superando os ganhos somados de novembro (+578), outubro (+703) e setembro (+813). O mês foi positivo, contudo, para “vigilância e segurança privada” (+70), “atendimento hospitalar” (+52), “serviços combinados para apoio a edifícios” (+18), por exemplo. Já as médias e grandes empresas mandaram 2.028 trabalhadores para casa, embora tenham ficado no azul em “atividades de serviços prestados principalmente às empresas não especificadas anteriormente” (+120). 

A construção (-532) veio em um distante segundo lugar. A “incorporação de empreendimentos imobiliários” (+85), no entanto, fechou o último mês do ano com saldo positivo. Foi seguida pela indústria de transformação (-386), embora a “construção de embarcações” (+23) tenham peformado bem, o que não ocorre com fabricação de componentes eletrônicos (-9). No mês do Natal, o comércio (-298) veio na posição seguinte, a despeito do bom desempenho do varejo de “mercadorias em geral” (+60) e “livros, jornais, revistas e papelaria” (+41). A exceção veio dos SIUP/Serviços Industriais de Utilidade Pública (+12), mas não para a agropecuária (-50) e a indústria extrativa e mineral (-9). 

Em 12 meses, os serviços (+8.499) continuaram predominantes nas MPEs. Na sequência vieram o comércio (+6.947), a construção (+2.269), a indústria de transformação (+2.058), SIUPs (+280), agropecuária (-50) e indústria extrativa mineral (-33). Excepcionalmente, neste mês, o Sebrae não segmentou as atividades no comparativo do acumulado do ano. Sabe-se apenas que, de janeiro a novembro, alguns dos destaques vieram das “atividades técnicas relacionadas a arquitetura e engenharia” (+1.380), da “construção de edifícios” (+1.128), dos “minimercados, mercearias e armazéns” (+846) e da “fabricação de motocicletas” (+219), entre outros.

 

Turismo em destaque

Em texto postado no site de sua agência de notícias, o Sebrae nacional não comentou os números gerais das MPEs em dezembro. Mas, destacou que o setor do turismo brasileiro, que é composto por mais de 90% de pequenos negócios, foi um dos destaques da economia e na geração de empregos nos pequenos negócios no acumulado do ano. Foi informado ainda que o resultado foi acompanhado do crescimento de 7,1% nos gastos de visitantes de outros países que somaram R$ 41,5 bilhões, segundo o Banco Central.

“Somos um país gigante, de homens e mulheres que acordam pela manhã e que nunca desistem. As micro e pequenas empresas representam 97% do turismo no Brasil. Por isso, o Sebrae está nessa agenda, que já demonstra um potencial extraordinário para gerar emprego e renda. O Brasil é o único país do mundo com seis biomas e temos a pluralidade como um diferencial competitivo”, enfatizou o presidente do Sebrae, Décio Lima. 

 

Resiliência e diferencial

A gerente da unidade de Gestão e Estratégia do Sebrae-AM, e vice-presidente do Corecon/AM/RR, Socorro Correa, ressalta que a geração de empregos é um desafio conjuntural, diante do endividamento das empresas, da informalidade do trabalho (especialmente no interior) e da substituição do emprego com carteira assinada por contratos empresariais para diminuir custos (principalmente nos serviços). A economista observa ainda que o dado estadual esconde realidades municipais diferentes de Manaus (que concentrou 87% do saldo de empregos), com 11 municípios apresentando mais demissões do que contratações de Beruri (-1) a Tabatinga (-986)

“Dezembro apresenta saldo negativo. No Brasil, o pico de queda de 2025 foi maior porque o volume de contratações também foi maior. No caso do Amazonas, o saldo negativo foi proporcionalmente o maior desde 2021: as demissões representaram 93,19% do total de contratações. Caracteristicamente, fevereiro é um mês com resultado positivo. Esperamos que o mês traga crescimento e que esses empregos perdurem”, ponderou.

Na mais recente entrevista à reportagem, o coordenador de Acesso a Crédito pelo Sebrae-AM, Evanildo Pantoja, salientou que as micro e pequenas empresas apresentam maior capilaridade, adaptabilidade e capacidade de reação a um ambiente econômico ainda desafiador. “Diferente das estratégias mais conservadoras das grandes empresas, os pequenos negócios frequentemente mantêm ou ampliam equipes para preservar participação de mercado, atender demandas locais e explorar nichos específicos”, apontou. 

Pantoja considera, contudo, que as perspectivas para os próximos meses são de “otimismo cauteloso”. “Os juros elevados continuam como fator de pressão, sobretudo para investimentos produtivos, capital de giro e expansão de negócios. Isso tende a limitar uma aceleração mais robusta, especialmente na indústria de transformação e na construção civil. Por outro lado, as MPEs devem continuar liderando a abertura de novos postos de trabalho, ainda que em ritmo moderado. A expectativa é de continuidade do crescimento em comércio e serviços – impulsionados por eventos sazonais –, pelo turismo regional e por uma gradual recomposição da renda”, concluiu.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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