Perda de tempo é motivo de desperdício em negócios

Em: 21 de julho de 2010
Os maiores desperdícios em empresas, de qualquer segmento, provêm de inexperiência ou despreparo intelectual para “pensar de forma enxuta”
Os maiores desperdícios em empresas, de qualquer segmento, provêm de inexperiência ou despreparo intelectual para “pensar de forma enxuta”

Os maiores desperdícios em empresas, de qualquer segmento, provêm de inexperiência ou despreparo intelectual para “pensar de forma enxuta”. O principal é o uso do tempo com atividades que não agregam valor ao cliente (perda de tempo). A afirmação é do professor-doutor em Engenharia de Produção, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Eduardo Jardim, que coordena o curso de Lean Manufacturing (manufatura enxuta, em inglês), nova pós-graduação oferecida pela Fucapi (Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica).
Para Eduardo, o tempo de espera para atendimento em hospitais e bancos, ou mesmo a demora em despachar determinado produto do estoque da empresa para o consumidor, depende de recursos financeiros que não são pagos pelo cliente. “Na área industrial, excesso de produtos em estoques, por exemplo, subentende maior capital imobilizado e outros gastos operacionais e administrativos, como em controles de estoque, espaços e energia para armazenamento.
No setor de serviços, se há um cliente em fila (como no check-in dos aeroportos ou mesmo aguardando atendimento em call-centers), há desperdício, uma vez que este tempo de espera não gera nenhum valor ao cliente. “Vivemos em um mundo onde, para muitos provedores de serviço, o tempo de espera do cliente não lhe custa nada. Será que do ponto de vista do cliente essa é a mesma percepção?”, observa o professor.
Eduardo Jardim afirma que estudos apontam que, em média, uma empresa que não pensa de forma “enxuta” tende a gastar menos 5% do tempo no que realmente importa. “Muita movimentação de pessoas ou transporte de materiais no setor já significa perda de tempo. Um layout do ambiente projetado para reduzir essa necessidade de movimentação é uma solução”, diz.
Além desta questão interna do processo produtivo, Eduardo lembra que a confecção de um produto propriamente dito, também pode ser melhorado para a redução de desperdícios, sobretudo de matéria-prima. “Por que, por exemplo, colocar tanta embalagem em um único produto? Por ser algo que o cliente não quer e não precisa, é um custo desnecessário para a fábrica”, explica. Na área de serviços, Eduardo diz que isso pode ser observado em supermercados, onde até uma única caixa de palitos de fósforo é colocada dentro de um saco plástico. “Além de ser inútil, há um impacto direto no meio ambiente, aumentando a geração de resíduos sólidos”, completa.
De uma forma geral, o chamado “pensamento enxuto” deve ser aplicado em três fases do processo de produção: da concepção do produto à sua confecção propriamente dita; do pedido à entrega; e do uso à reciclagem. Na filosofia “Lean”, salienta o professor, desperdício deixa de ser apenas aquilo que não presta ou serve. E sim, qualquer atividade que, mesmo aparentemente imprescindível em determinado momento, se não é reconhecida ou paga pelo cliente, torna-se um desperdício, devendo ser eliminado.
Com o objetivo de contribuir para a formação de profissionais especializados neste assunto, a Fucapi iniciou, no dia 24 de junho, o curso de pós-graduação em Engenharia de Produção, com Ênfase na Produção Enxuta de Bens e Serviços (Lean Manufacturing). Ao todo, são 390 horas/aula. Segundo o coordenador de pós-graduação da instituição, Márcio Gonçalves, uma nova turma deve ser aberta nos próximos meses.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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