Período eleitoral deve imprimir alta ao setor

Em: 24 de julho de 2008
Mesmo com as res­trições da legislação, as empresas da área projetam alta de 20% a 30% no faturamento nos dois meses que antecedem as eleições
Mesmo com as res­trições da legislação, as empresas da área projetam alta de 20% a 30% no faturamento nos dois meses que antecedem as eleições

A pouco mais de dois meses das eleições municipais, o setor gráfico começa a imprimir uma alta em sua produção, aquecida principalmente com a demanda de serviços surgidos por conta da campanha eleitoral dos candidatos pela melhor forma de conquistar votos por meio da divulgação em massa, mesmo com as restrições da legislação eleitoral. Só para se ter uma idéia do momento favorável, os gastos de campanha eleitoral com os candidatos ao cargo majoritário devem movimentar R$ 24,4 milhões, e boa parte desse valor certamente será destinado à propaganda impressa.
Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Gráfica, essa área reúne 182 empresas no Amazonas e emprega 875 pessoas, mão-de-obra que deve registrar uma alta de 35% durante o período de campanha eleitoral.
Para o gerente da empresa A Cores Serigrafia, Luiz Carlos Glomyer, é agora que a procura começa a ganhar corpo. “Até porque há muitos concorrentes esperando posição de seus partidos, porque alguns fornecem o material de campanha”, explicou.
A A Cores oferece um mix de produtos “politicamente corretos”, como definiu Luiz Carlos. “Temos minidoors, banners, faixas, bandeiras e mala direta com o perfil do candidato, tudo de acordo com a legislação eleitoral”, afirmou.

Know-how e estrutura

O gerente aposta também no know-how de 21 anos da empresa e na estrutura para atender à demanda. “A eleição sempre tem uma fatia de mercado considerável”, declarou. “Alguns candidatos vencedores em várias eleições são nossos clientes, então mantemos base na filosofia de que em time que ganha não se mexe”.
Mantendo uma boa política com a clientela, a A Cores possui 35 funcionários, divididos em equipes de criação, impressores e atendimento. “Mas podemos fazer novas contratações, caso a demanda aumente”, garantiu Luiz Carlos.
Ao lado das experientes do setor, as empresas relativamente novas começam a aparecer para abocanhar uma parte do mercado. Com apenas cinco anos de atividade, a Gráfica Amazonas ainda não fez projeções para o período, mas revela-se otimista. “Estamos preparados e fizemos um bom investimento na empresa, que nos permite oferecer aos candidatos, santinhos e todos os tipos de impresso”, informou o sócio-proprietário, Valdomiro de Almeida Farias. A gráfica atua hoje com 22 trabalhadores.
Animado com o movimento da produção nessa época, o proprietário da Gráfica Ziló, Eduardo Moraes, espera acréscimo de 20% no faturamento no período, com base na sua experiência de 20 anos no ramo. “Sempre tivemos muita procura para fechar pacotes com comitês”, informou. Para os candidatos, a empresa oferece como diferencial a entrega garantida, o bom preço e o cumprimento dos prazos estabelecidos. “Somos de boas parcerias, e sempre dá tudo certo”, afirmou Eduardo.
O resultado dos trabalhos no último processo eleitoral, em 2006, foi dentro do esperado, daí a boa expectativa da gráfica para o pleito deste ano. “Tivemos bons parceiros e bons clientes. Hoje temos 60 funcionários, mas se a demanda exigir poderemos ter mais pessoas trabalhando e dobraremos o período, atuando até mesmo à noite”, disse o proprietário.

Cautela no período

O sócio-proprietário da Planno Design, José Luiz Gurgel do Amaral, é mais cauteloso quando se refere às campanhas eleitorais. Há 14 anos no mercado, sua empresa desenvolve materiais e cria identidades visuais para candidatos, empresas ou produtos. “Temos parcerias com gráficas locais e de fora de Manaus, e nessa eleição sentimos as coisas mais ‘travadas’. O que sinto é que os candidatos ainda não sabem o que podem ou não fazer”, afirmou.

Lei limita a demanda

Para José Luiz, a restrição a elementos comumente utilizados por candidatos, como outdoors, por exemplo, pode bloquear a demanda pelos produtos oferecidos.
“Em anos passados, desenvolvemos sites para campanhas, que são nossos diferenciais. Agora temos dificuldade em fechar negócios, pois os candidatos têm receio de fazer coisas que acabem por contrariar a legislação”, afirmou.
A cautela também é a tática da Grafisa Gráfica e Editora, que tem nove anos de mercado. Segundo o sócio-proprietário, Roberto Montenegro, as procuras ou sondagens pelos serviços da empresa já começaram, mas a expectativa é que o movimento só cresça a partir do início de agosto.
“Creio que por conta disso é possível que haja uma redução na demanda em até 30% em relação à última campanha para prefeito.
Naquela ocasião, em junho e julho os agitos e impressões de materiais já começavam, e este ano as coisas só devem iniciar no próximo mês”, informou.
Com 72 funcionários, a Grafisa aposta na clientela fixa para movimentar sua produção.
“Temos que nos precaver nesse mundo da política. Temos um bom universo de clientes, a nossa carteira é boa, e podemos atender os candidatos que já fazem parte do nosso cotidiano”, finalizou Roberto.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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