O Consulado Geral do Peru em Manaus trabalha para que o país sulamericano seja uma das rotas preferenciais entre a Ásia e o Amazonas. Pelas rotas em teste é possível baixar o valor do frete de um container, que custa US$ 5.900 para US$ 5 mil e também diminuir o tempo de 45 dias para 30 dias, no transporte de cargas da China para Manaus, através de portos peruanos, com a utilização da estrada interoceânica e rotas fluviais.
De acordo com o cônsul geral, Eduardo Rivoldi, a rota permite o aprimoramento das relações comerciais bilaterais entre o Brasil e Peru, através de uma logística eficaz pelo Pacífico, para viabilizar as relações comerciais entre o Amazonas e a Ásia, continente onde estão localizados os maiores fornecedores de insumos industriais à ZFM (Zona Franca de Manaus).
A estrada interoceânica é o primeiro eixo multimodal Atlântico-Pacífico na América do Sul. Além de favorecer a integração sulamericana, a circulação de pessoas, o turismo e o comércio bilateral entre o Brasil e o Peru, garante o acesso dos produtos peruanos ao Oceano Atlântico e o acesso dos produtos brasileiros, inclusive os produzidos no PIM, ao Oceano Pacífico.
Segundo Rivoldi, o intercâmbio entre Brasil e Peru caiu 10,8% entre janeiro e abril deste ano por conta de restrições comerciais. As exportações peruanas para o Brasil somaram US$ 487,6 milhões no primeiro quadrimestre, valor inferior ao registrado no mesmo período de 2013. De acordo com a Adex (Associação Peruana de Exportadores), por problemas criados pelo Brasil.
A Adex observou que a exportação de cobre para o mercado brasileiro diminuiu significativamente e elas representam 34% do total das exportações do Peru para o Brasil. No entanto, houve retrocesso também em setores como a pesca tradicional e não tradicional, mineração e no setor metal-mecânico.
Os peruanos reclamam ainda que o Brasil mantém medidas para-tarifárias que freiam o livre comércio com outros países. Segundo o Trade Alert das Nações Unidas, o Brasil adota 251 barreiras comerciais.
Dificuldades enfrentadas
São três as razões que explicam a demora para decolar o resultado comercial proporcionado pela Interoceânica. A primeira é que não há acordos para que o cruzamento de fronteira seja mais organizado. Os peruanos reclamam de controles excessivos.
O administrador da Transportadora Civa, Carlos Miguel Rios, disse que para cruzar a fronteira, é necessário a apresentação de certificado de febre amarela, fazer imigração na fronteira e logo ter outro controle em Rio Branco, capital acreana, além dos registros da alfândega.
“O trâmite é muito enrolado. Às vezes, argumentam razões fitossanitárias e somos impedidos de cruzar a fronteira com a mercadoria. Aqui, o único beneficiado é o narcotráfico, que agora ficou com a estrada expressa”, desabafou o transportador. A transportadora é uma das que mais transitam naquela região.
A segunda é que, na teoria, fica barato levar a carga do Brasil aos portos peruanos, mas como o veículo que leva a carga costuma retornar vazio, pois o país vizinho exporta bem menos, o frete fica caro. O saldo comercial é negativo para o Peru. A Adex informou que a balança comercial foi negativa para o Peru em cerca de US$ 153 milhões, no primeiro quadrimestre de 2014.
Por último, os motoristas brasileiros enfrentam dificuldades em dirigir seus caminhões e carretas pelas estreitas estradas andinas peruanas no trecho que vai para Juliaca, no sul do país, onde algumas curvas são tão estreitas que até os ônibus de passageiros enfrentam dificuldades em passar.
Cenário econômico
Apesar da contração no primeiro quadrimestre do ano, o Brasil segue como sexto principal destino das exportações peruanas, depois da China, Estados Unidos, Suíça, Canadá e Japão. O país concentra 4% do total das exportações peruanas.
No ranking de produtos exportados para o Brasil, depois do cobre, seguem a gasolina, minérios em geral, carburadores, azeitonas, e algodão com destaque para camisetas T-shirts.
Para a Adex, o potencial comercial entre Brasil e Peru poderia ultrapassar US$ 1 bilhão. A instituição acredita que ainda há muito para se aproveitar em relação aos subsetores químico, agropecuário, agroindustrial, mineração não metálica, siderurgia, pesca, têxtil e madeiras.
Os produtos que o Brasil mais importa do Peru são medicamentos, pneus para caminhões, polipropileno, preparações alimentícias, feijão, perfumes e preparações para maquiagem.
Com respeito à balança comercial, a ADEX informou que no primeiro quadrimestre foi negativa para o Peru em cerca de US$ 153 milhões.







