PESQUISA CNC

Em: 16 de janeiro de 2014
Crédito caro reduz ímpeto de consumo – Intenção para compra de bens duráveis caiu 6,5% em janeiro em relação a dezembro
Crédito caro reduz ímpeto de consumo - Intenção para compra de bens duráveis caiu 6,5% em janeiro em relação a dezembro

O encarecimento do crédito reduziu a predisposição do consumidor às compras, sobretudo o apetite por bens de consumo duráveis, de acordo com dados da pesquisa ICF (Intenção de Consumo das Famílias), divulgada pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). A avaliação sobre o momento para a compra de duráveis teve deterioração de 6,5% em janeiro em relação a dezembro. Na comparação com janeiro de 2013, a queda foi de 14,1%.
“O indicador mostra que a perspectiva de consumo é moderada, porém favorável. Mas, para os bens duráveis, o momento tende a não ser tão favorável”, avaliou o economista da CNC, Bruno Fernandes, lembrando ainda que também desestimulam o consumo de bens duráveis o alto nível de endividamento das famílias e a desvalorização do real frente ao dólar. “A gente tem um novo patamar de câmbio que encarece os bens duráveis”, acrescentou.
Os juros mais altos nas linhas de financiamento afetaram também a avaliação das famílias sobre as compras a prazo. Apesar da melhora de 3,6% na passagem de dezembro para janeiro, o item compra a prazo teve piora de 7,3% na comparação com janeiro de 2013.
Outro sintoma da insatisfação das famílias com o crédito aparece na pesquisa pelo corte de faixa de renda. As famílias com renda mensal acima de 10 salários mínimos tiveram uma queda na intenção de consumo mais aguda (-5,4%) do que a registrada pelas com renda de até 10 salários (-2,5%).
“O crédito mais caro impacta diretamente essa faixa de renda mais alta”, apontou Fernandes. No resultado geral, a ICF registrou alta de 1,1% em janeiro ante dezembro, para 131 pontos Em relação a janeiro de 2013, houve recuo de 3%, motivado tanto pelo encarecimento do crédito quanto pelo alto nível de endividamento e pressões inflacionárias. Por outro lado, a manutenção dos ganhos salariais reais e da taxa de desemprego baixa mantém o índice num patamar ainda favorável, acima da zona de indiferença (100 pontos). “É um resultado favorável, mas não podemos dizer que vamos voltar a ter taxas de crescimento nas vendas em ritmo chinês. O cenário é de crescimento moderado”, disse. A CNC espera uma expansão em torno de 6% nas vendas do varejo em 2014.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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