Pesquisa mostra que óleos essenciais amazônicos são excelentes fungicidas e bactericidas

Em: 1 de maio de 2024

Estudo realizado por pesquisadores da Ufam, via CT&I Áreas Prioritárias (Programa de Apoio à Ciência, Tecnologia e Inovação em Áreas Prioritárias para o Estado do Amazonas), da Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas), busca em óleos essenciais amazônicos com princípios ativos, aplicabilidade em filmes de hidrogel com potencial para auxiliar no tratamento de doenças de pele. O estudo é coordenado pela doutora em Ciências, Cristina Gomes da Silva, e tem como objetivo desenvolver materiais curativos inovadores, com baixo custo, para serem aplicados tanto em ambiente hospitalar pós-cirúrgicos, quanto em uso doméstico, conforme explicou ao Jornal do Commercio, na entrevista a seguir.

“Resultados preliminares apontam que o óleo essencial do pau rosa, extraído de árvore nativa da região amazônica, apresenta cerca de 97% do ativo de linalol, um importante componente que age efetivamente na ruptura da parede celular dos microrganismos”, disse.

De acordo com Cristina, os óleos essenciais possuem princípios ativos em sua composição que agem no mecanismo de quebra da parede celular dos microrganismos, interrompendo seu processo de multiplicação e crescimento, promovendo a recuperação mais efetiva dos ferimentos e em menores intervalos de tempo, contribuindo para o bem-estar do paciente.

Jornal do Commercio: O que são filmes de hidrogel?

Cristina Gomes: O hidrogel, ou biofilme, é um polímero de cadeias longas de carbono, que formam uma rede entrecruzada, com a finalidade de reter uma grande quantidade de moléculas de água. Estes armazenam cerca de 90% de água em sua estrutura reticulada, com excelente eficiência durante sua aplicação. Os hidrogéis são muito utilizados na área biológica para a liberação controlada de água e princípios ativos que ficam retidos em sua rede cristalina. Proteínas e polissacarídeos são muito utilizados para a produção de hidrogéis biodegradáveis, tais como, a quitosana e a celulose, nas suas formas carboxiladas. Atualmente, a combinação de polímeros resulta em hidrogéis, hidratados ou desidratados, de alta eficiência para serem aplicados em áreas diversificadas.   

Cristina, “todos possuem ação fungicida e bactericida, agindo na cicatrização de feridas na pele”

JC: Quais óleos essenciais estão sendo usados na pesquisa?

CG: Os óleos essenciais de pau-rosa, melaleuca e copaíba são os óleos aplicados no desenvolvimento desta pesquisa. Todos possuem ação fungicida e bactericida, agindo na cicatrização de feridas na pele. 

JC: Os conhecimentos empíricos sobre os óleos essenciais ajudam nas suas pesquisas?

CG: Os conhecimentos empíricos (populares) auxiliam na divulgação e popularização da aplicação de produtos naturais em diversos setores da cadeia produtiva. Os óleos essenciais amazônicos são amplamente conhecidos pela cultura popular, e a pesquisa científica corrobora para a investigação dos princípios ativos destes óleos, ampliando as possibilidades e confiabilidade da sua aplicação em produtos comercializáveis. 

JC: Produzido o hidrogel, em quais casos seria utilizado?

CG: O hidrogel é amplamente utilizado, desde a agricultura até medicamentos. As suas aplicações podem ser diversificadas, mas a sua principal função é proporcionar um ambiente úmido por um intervalo de tempo prolongado, contribuindo para a liberação de princípios ativos diversificados para o meio em que se encontra. No caso desta pesquisa, a aplicação é direcionada para curativos cutâneos, onde a umidade favorece o processo de cicatrização da pele e o princípio ativo dos óleos essenciais contribuem para manter o ferimento livre de fungos e bactérias, evitando infecções e acelerando o tempo de cura.  

JC: Já tem protótipos de hidrogel?

CG: Os curativos podem ser apresentados na forma de filmes finos transparentes ou um gel viscoso. Nesta pesquisa desenvolvemos filmes finos que podem ser hidratados e aplicados diretamente sobre a pele. Os óleos essenciais são nanoencapsulados, para que a sua liberação seja lenta e gradativa. Essa emulsão é incorporada a uma solução de hidrogel celulósico e o filme é formado. Os filmes de hidrogel preparados até o momento desta pesquisa apresentaram resistência adequada para a sua aplicação sobre a pele. 

JC: Suas pesquisas já foram concluídas?

CG: As pesquisas ainda estão em andamento e os resultados obtidos até o momento são promissores, tanto para os óleos essenciais quanto para o hidrogel. Os produtos curativos que temos disponíveis no mercado são ainda importados, com valores elevados e de pouco acesso no Brasil. A produção e comercialização mais efetiva e com melhor acessibilidade, pode abranger sua aplicação em momentos cirúrgicos e pós-cirúrgicos, ou ainda de uso comumente caseiro, acelerando o processo de recuperação dos pacientes. 

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Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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