A sobremesa preferida do amazonense, quiçá do amazônida, é a banana, seja Prata, Maçã, Cavendish (D’Água, Nanica ou Caturra) e Terra, ou Pacovã (boa para fritura), e cada uma dessas variedades com outras variedades. Além de energética, a banana é rica em sais minerais como sódio, magnésio, fósforo e, especialmente, potássio, além de outras vitaminas. Tal preciosidade, se não for cuidadosamente protegida, pode desaparecer da face da Terra. Exagero? Pragas e doenças são capazes de ocasionar perdas de 100% numa produção, caso não haja manejo e controle adequados. Por isso, uma das pesquisas de ponta na Embrapa Amazônia Ocidental, em Manaus, visa combater as inimigas das bananas. Como a prevenção é o melhor remédio, os pesquisadores da Embrapa promovem cursos sobre doenças que tem afetado gravemente os cultivos de bananeira em vários Estados do país, principalmente a temida sigatoka-negra e o moko da bananeira. Em 1998 a sigatoka-negra surgiu no Amazonas, depois no Acre, e desde então tem sido uma sombra nas plantações da região.
“O diagnóstico correto de cada doença é o primeiro passo para definir as medidas adequadas para o controle”, explicou o pesquisador da Embrapa e doutor em Fitopatologia, Luadir Gasparotto, que ministrou um curso para agrônomos do Rio Grande do Norte, nos recentes dias 5 a 7 de outubro, em parceria com o pesquisador do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e doutor em Biotecnologia, Rogério Eiji Hanada.
A sigatoka-negra acarreta prejuízos que chegam à perda total da produção e a principal forma de prevenção é o plantio de cultivares que são geneticamente resistentes ao fungo causador da doença.
A Embrapa Mandioca e Fruticultura, da Bahia, lançou diversas cultivares de bananeira resistentes a essa doença, recomendadas para várias regiões do Brasil. Para o Amazonas são recomendadas 12 cultivares de banana com resistência a sigatoka. Destaque para a BRS Conquista, desenvolvida pela Embrapa Amazônia Ocidental, que apresenta resistência também a sigatoka-amarela e mal-do-Panamá, e vem sendo plantada em vários Estados do país.
“Quem tem preferência por continuar plantando algumas cultivares de banana que são suscetíveis ao fungo da sigatoka-negra, tem a alternativa de manter a produtividade no bananal com a aplicação periódica de fungicidas”, completou Gasparotto.
Graças a essas pesquisas e descobertas realizadas pelos pesquisadores da Embrapa, as bananas ainda devem continuar por muito tempo sendo uma saudável sobremesa na mesa do povo amazônida.
Mais alta que a torre Eiffel da França
Ela é o símbolo de um dos projetos recentes mais expressivos do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia): a torre do Projeto Atto. Com 325 metros de altura (sete metros mais alta que a Torre Eiffel) e plantada numa área de floresta praticamente virgem, na RDS (Reserva de Desenvolvimento Sustentável) do Uatumã, no município de São Sebastião do Uatumã, a torre servirá para observação das mudanças climáticas, coletando dados sobre gases de efeito estufa, particípios aerossol, formação de nuvens e transporte de massas de ar todos os dias e em tempo real.
“Ela está acompanhada de outras duas torres menores, de 80 metros de altura. Delas serão feitas pesquisas sobre a interação da biosfera com a atmosfera, para se descobrir a relação dos seres vivos com a atmosfera”, falou Niro Higushi, coordenador brasileiro do projeto. A torre Atto é um empreendimento conjunto do Inpa/MCTI, em parceria com o Instituto Max Planck (Alemanha), a UEA (Universidade do Estado do Amazonas) e outras instituições parceiras. A união selada entre o Inpa e o Instituto Max Planck existe há mais de 40 anos e vem mostrando bons resultados para o avanço da ciência.
O objetivo de longo prazo da Atto é medir os impactos das mudanças climáticas globais nas florestas de terra firme da Amazônia por meio de medidas da interação da floresta com a atmosfera, além de servir para pesquisas inéditas de química da atmosfera (trocas gasosas, reações químicas e aerossóis), processos de transporte de massa e energia na camada limite atmosférica e processos de formação e desenvolvimento de nuvens.
“A torre foi entregue no início deste ano, mas só agora começaremos a utilizá-la efetivamente. O CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) já autorizou os trabalhos e ela será toda equipada com aparelhos para a coleta das informações”, adiantou Higushi.
Estarão envolvidos nos trabalhos de pesquisa, 88 pesquisadores alemães e 99 brasileiros. “É que as especificidades das pesquisas são infinitas, por isso tantos pesquisadores atuando no projeto, explicou.
A previsão é que a instrumentação a ser instalada na Atto funcione 24 horas por dia durante um período de 20 a 30 anos. As outras duas torres menores servirão para medir fluxos e transportes horizontais, auxiliando na obtenção de dados da torre principal.







