O Amazonas cresceu abaixo da média nacional, no primeiro ano pós-pandemia. Seu PIB avançou 2,05% entre 2022 em 2023, passando de R$ 145,14 bilhões para R$ 161,79 bilhões. No mesmo período, o Brasil cresceu 3,2%. A alta no Estado veio menos vigorosa do que a do exercício anterior (+3,30%), marcado por disparada na inflação das comodities (em decorrência da guerra na Ucrânia) e reescalada nos gastos públicos, a despeito das eleições. Em 2023, o avanço veio principalmente do PIM, da administração pública e dos serviços financeiros e imobiliários, a despeito de este também ter sido o primeiro ano de vazante histórica no Estado.
O Amazonas se manteve na 16ª posição do ranking brasileiro e na segunda maior economia da região Norte, perdendo apenas para o Pará (R$ 254,55 bilhões). E, apesar da taxa de crescimento menor, aumentou sua participação no PIB nacional, de 1,46% para 1,50%. Em 20 anos, a economia amazonense acumulou expansão de 94%, a décima maior taxa nacional – e a penúltima da região Norte. Em contraste, a renda per capta (R$ 41.047,91) caiu da 14ª para a 15ª colocação. Os dados são da pesquisa de Sistema de Contas Regionais de 2023, e foram compilados pelo IBGE, em parceria com a Sedecti (Secretaria de Desenvolvimento Ciência Tecnologia e Inovação) e a Suframa.
Em 2023, o PIB brasileiro subiu 3,2% e chegou a R$ 10,90 trilhões, com alta disseminada em todas as 27 unidades federativas – o que não ocorria desde 2021. Ao menos 14 unidades federativas cresceram acima da média nacional, sendo que as maiores altas vieram do Acre (+14,7%), Mato Grosso do Sul (+13,4%), Mato Grosso (+12,9%), Tocantins (+7,9%) e Rio de Janeiro (+5,7%). No outro extremo, as menores variações ocorreram no Pará (+1,4%), São Paulo (+1,4%) e Rio Grande do Sul (+1,3%). Os maiores valores absoluto vieram de São Paulo (R$ 3,44 trilhões), Rio de Janeiro (R$ 1,17 trilhão) e Minas Gerais (R$ 971,98 bilhões), que responderam por mais da metade do Produto Interno Bruto nacional.
Serviços e indústria
A agropecuária foi o setor econômico que mais cresceu no Brasil, em 2023, atingindo alta de 16,3%, na comparação com o exercício anterior. O desempenho positivo, induzido principalmente pelo cultivo de soja, alavancou oito dos 13 Estados que mais cresceram, principalmente Acre, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. No Amazonas, a atividade rural alcançou R$ 7,4 bilhões em 2023, representando 4,60% da economia estadual e mantendo papel relevante na geração de renda e emprego no interior. Mas, perdeu novamente para a rubrica de “impostos”, que representou 14,98% do PIB amazonense, conforme a Sedecti.
Os serviços também influenciaram os resultados dos Estados com maior crescimento do PIB em 2023. Administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social impactaram sobretudo o PIB do Acre, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Rio de Janeiro. Já o grupo de comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas também influenciou os três primeiros e o Mato Grosso. O setor foi que mais contribui com valor adicionado (54,5%) e segue como principal motor da economia amazonense, movimentando R$ 73,9 bilhões em 2023. As atividades de maior foram administração pública (R$ 27,8 bilhões), “outros serviços (R$ 14,5 bilhões) e comércio (R$ 13,9 bilhões).
As principais influências da indústria no PIB brasileiro vieram das indústrias extrativas (em especial petróleo e gás) do Rio de Janeiro e da geração de energia hidrelétrica no Mato Grosso do Sul. A indústria amazonense cresceu 12,47%, totalizando R$ 55,1 bilhões. Responsável por 81,36% do setor e 27,72% do PIB estadual, a indústria de transformação avançou 2,21%, especialmente em equipamentos de transporte e bebidas. “A indústria extrativa também apresentou leve alta, enquanto a construção civil teve desempenho moderado, influenciado pela redução no ritmo de obras de pequeno porte”, pontuou a Sedecti, em texto de sua assessoria de comunicação.
“O Amazonas se consolida como um polo econômico significativo dentro da Região Norte, sendo o segundo maior em volume de riqueza gerada, atrás apenas do Pará. A indústria de transformação atuou como o principal motor de avanço para o PIB do Estado, enquanto os serviços continuam a ter a maior contribuição para o valor adicionado bruto da economia amazonense, reforçando sua importância estrutural”, assinalou o chefe de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, no material distribuído à imprensa.
“Ano atípico”
O Sudeste (53%) foi a região brasileira que cresceu menos e, por isso, teve redução de 0,3 ponto percentual na participação no PIB nacional. Em contraste, Sul (+0,2 p.p.) e Norte (+0,1 p.p.) tiveram aumentos relativos, chegando a 16,8% e 5,8%. Já o Nordeste (13,8%) e o Centro-Oeste (10,6%) mantiveram suas participações. No Norte, apenas Amazonas (+1,5%) e Amapá (+0,3%) tiveram aumento de participação no PIB, ambos de 0,1 p.p. “No Amazonas, o desempenho foi justificado principalmente pelas Indústrias de transformação, atividade que tem peso devido à Zona Franca de Manaus”, assinalou o IBGE.
O Amazonas, por outro lado, apresentou PIB per capita de R$ 41.047,91 em 2023, valor abaixo do verificado no conjunto do país (R$ 53.886,67). As regiões Centro-Oeste (R$ 71.200,72) e Sul (R$ 61.274,54) superaram a média nacional, em sentido contrário ao ocorrido no Norte (R$ 36.678,53) e Nordeste (R$27.681,97). O Estado ficou na 15ª posição do ranking brasileiro, que foi liderado pelo Distrito Federal (R$ 129.790,44) e encerrado pelo Maranhão (R$ 22.020,63).
Em texto de sua assessoria de imprensa, o titular da Sedecti, Serafim Corrêa, lembrou que 2023 foi “um ano de grandes desafios”, marcado por uma crise hídrica que desembocou em um estrangulamento logístico, só contornado graças à sinergia entre o setor público e a iniciativa privada. “O ano de 2023 foi atípico. Tivemos uma seca prolongada e ficamos 50 dias sem receber um único navio vindo de fora de Manaus. O resultado disso foi um baque muito forte na nossa economia. Ainda assim, o PIB amazonense cresceu e chegou a R$ 161 bilhões, o que é muito positivo, com um crescimento de 2,05%, apesar de todos os pesares. Portanto, boa notícia”, ponderou.
No material divulgado à imprensa, o chefe de disseminação de informações do IBGE-AM, reforça que, apesar dos progressos registrados pelo Estado em uma quadra difícil, os números indicam “ritmo de crescimento mais moderado” e desaceleração na economia amazonense em 2023. “No cenário econômico brasileiro, o Estado ocupa posição intermediária no ranking. Seu desempenho ficou abaixo da média de expansão observada para o país como um todo, sinalizando que a recuperação econômica local ocorreu em passo menos acelerado que a do Brasil”, finalizou Adjalma Nogueira Jaques.







