PIB surpreende mercado

Em: 1 de junho de 2026
Economia brasileira cresceu 1,1% no trimestre, impulsionada pela agropecuária e pelos investimentos.
Resultado coloca Brasil entre destaques mundiais. (Divulgação)
Resultado coloca Brasil entre destaques mundiais. (Divulgação)

O PIB brasileiro do primeiro trimestre surpreendeu o mercado, dado o peso dos juros sobre a economia. Mas, há dúvidas sobre a continuidade do ritmo de crescimento nos próximos meses. Puxado principalmente pela agropecuária (+2%), o Produto Interno Bruto avançou 1,1%, na comparação do primeiro trimestre com os imediatamente três meses anteriores. Alavancado também pela indústria (+1%) e pelos serviços (+0,5%), alcançou R$ 3,30 trilhões – R$ 2,80 trilhões em valor adicionado e R$ 461,20 bilhões em impostos subsídios. A formação de capital fixo/investimentos cresceu 3,5%, acompanhado pelo consumo das famílias (+1%) e pelo consumo do governo (+0,4%). 

O desempenho foi mais robusto na comparação com o mesmo período do ano anterior, que marcou alta de 1,8%. Os serviços (+2,1%), que representam em torno de 70% da economia nacional, cresceram, mais do que a indústria (+1,6%) e a agropecuária (+0,7%). Pela ótica da despesa, o consumo do governo (+2,8%) o das famílias (+1,7%), em um ambiente menos favorável para a formação bruta de capital fixo (-1,4%). A taxa de investimento foi de 16,5%, ficando pouco acima da taxa de poupança (15,5%). Em quatro trimestres, o PIB nacional teve elevação de 2%. Os números são do Sistema de Contas Nacionais Trimestrais foram divulgados pelo IBGE, nesta sexta (29).

O resultado do PIB dos primeiros três meses de 2026 surpreendeu o mercado e colocou a economia brasileira posição de destaque mundial. A variação trimestral positiva de 1,1% situou o Brasil no sexto lugar do ranking da Austing Rating, que reúne um total de 51 países. O pódio foi ocupado por Hong Kong (+2,9%), Taiwan (+2,8%) e Dinamarca (+1,9%). Considerando o tamanho de seu Produto Interno Bruto em dólares, se continuar nesse ritmo, o país pode recuperar a décima colocação entre as maiores economias globais – perdido para a Rússia –, de acordo com as projeções do FMI (Fundo Monetário Internacional).

 

Indústria e construção

Na virada do ano, a indústria (+1% e R$ 632,90 bilhões) se destacou no segmento extrativo mineral (+3,6%), em panorama de estabilidade para seu braço de transformação (+0,1%) – que tem destaque no PIM – e de queda para serviços industriais de utilidade pública (-0,3%). Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, o crescimento ficou restrito às indústrias extrativas (13,1%), impulsionadas pela extração de petróleo e gás Natural. Puxada pelos subsetores de impressão e reprodução de gravações (-10,2%) e de máquinas e equipamentos (-9,4%), a indústria de transformação amargou queda de 0,9%, sendo acompanhada pelos SIUPs (-1,7%). Em quatro trimestres, a indústria de transformação acumula queda de 0,9%.

“Os números revelam um cenário que mascara o peso da atual política monetária sobre a economia real. O Amazonas não reflete o otimismo dos números gerais, uma vez que o PIM é estruturalmente alicerçado na indústria de transformação, que enfrenta um ambiente de negócios ainda restritivo. A retração interanual nos investimentos nacionais sinaliza que as fábricas seguem espremidas pelos altos custos operacionais, dificultando o planejamento de expansão das linhas de produção. Para o restante de 2026, nossa expectativa para o setor é de cautela, condicionando qualquer retomada vigorosa à flexibilização sustentável da taxa básica de juros e à garantia de segurança jurídica tributária”, frisou o presidente da Fieam, Antonio Silva. 

O PIB da construção, que é contabilizado dentro da indústria em geral, registrou aquecimento de 2,90%, na passagem quarto trimestre de 2025 para o acumulado de janeiro a março de 2026, em sentido contrário ao registro anterior. Também houve incremento na comparação com o patamar do mesmo período do ano passado (+1,3%). De acordo com o texto divulgado pelo IBGE, o resultado “está em linha com o crescimento do pessoal ocupado e horas trabalhadas na atividade”. O impulso, no entanto, não foi suficiente para tirar construtoras brasileiras da estagnação no aglutinado dos quatro trimestres (+0,1%).

“Há realmente uma desaceleração do PIB brasileiro, porque a economia está travada pelos juros alto e muita despesa do governo. Há uma projeção de 1,3% para o PIB brasileiro da construção em 2026, que havia aumentado 2,3% no ano passado. A alta dos juros e a inflação dos materiais também puxam o desempenho do setor para baixo. Mas, no caso da construção civil do Amazonas, esse PIB tende a subir, principalmente em virtude das obras do Minha Casa, Minha Vida”, ponderou o presidente do Sinduscon-AM, Frank Souza, contrapondo os números positivos da indústria imobiliária de Manaus, no primeiro trimestre.

 

Serviços e agro

Responsável pela maior parte do valor adicionado no PIB brasileiro, o setor de serviços (+0,5% e R$ 1,90 trilhão) teve acréscimos trimestrais mais destacados no segmento de “informação e comunicação” (+2,4%) e nas “atividades imobiliárias” (+1,2%). O valor adicionado pela prestação de serviços sobre igual intervalo de 2024 aumentou 2,1% para os serviços em geral, em performance igualmente liderada pelas duas atividades citadas (+7,6% e 2,9%, respectivamente). Em quatro trimestres, os serviços subiram apenas 1,8%. O comércio (+0,6%, +1% e +0,8%, na ordem), que é contabilizado como um braço dos serviços, cresceu menos nas comparações com 2025.

“Os serviços sempre se destacam de forma positiva, mas temos de observar que o subsetor de informação e comunicação e as atividades imobiliárias são as que realmente contribuíram com os melhores resultados. O PIB deve entrar com maior vigor no segundo semestre. É claro estamos vivendo um momento de oscilações na geopolítica, marcada por guerras que interferem na economia. E ainda temos de considerar os juros elevados, que vitimam um grande número de famílias. Mas, a expectativa é que esse momento seja superado”, avaliou o presidente em exercício da Fecomercio-AM, Aderson Frota.

A agropecuária (R$ 230,40 bilhões) cresceu 2% frente ao quarto trimestre de 2025, crescendo também na variação interanual (+0,7%) e no acumulado dos quatro trimestres (+7,5%). O IBGE, salienta que o desempenho reflete incremento de produção e de produtividade do setor. Segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, condições climáticas favoráveis na maior parte do país e expansão da área plantada impulsionaram o cultivo de soja (+4,8%), embora o mesmo não possar ser dito do milho (-2,5%) e arroz (-10,6%). 

 

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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