PIM bate novo recorde

Em: 13 de maio de 2026
Produção de motocicletas em Manaus cresce 10,6% e alcança melhor quadrimestre desde 2008.
Venda de motocicletas em todo o Brasil impulsiona indústria em Manaus. (Divulgação)
Venda de motocicletas em todo o Brasil impulsiona indústria em Manaus. (Divulgação)

A indústria de motocicletas do PIM voltou a renovar recordes em abril e no quadrimestre. O Polo Industrial de Manaus fabricou 745.824 unidades no acumulado do ano, 10,6% a mais do que em igual intervalo de 2025 (673.125), no melhor resultado desde 2008. O placar de abril (184.376) mostrou desaceleração de 13,3% ante março (212.716). Mas representou alta de 6,4% sobre a base de comparação de 12 meses atrás (172.224) e o número mais robusto em 18 anos para o mês. Os dados foram divulgados pela Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), nessa terça (12).

A base de dados confirma novos recordes absolutos nos licenciamentos e novo incremento nas exportações. Diante disso, a Abraciclo reforçou projeção de encerrar 2026 com sua sexta alta anual consecutiva e romper novamente a barreira dos 2 milhões de unidades. A expectativa é de incremento de 4,5% na produção, com 2.070.000 motocicletas, até dezembro. A perspectiva para o varejo doméstico é que sejam emplacadas 2.300.000 motocicletas, atingindo elevação de 4,6% diante do exercício anterior. As fabricantes esperam também manter as vendas externas no campo positivo pelo segundo ano seguido, ao avançar 4,4% nos embarques ao estrangeiro, totalizando 43.117 unidades.

Em texto veiculado pela assessoria de imprensa da Abraciclo, o presidente da entidade, Marcos Bento, atribuiu a variação mensal negativa aos dois dias úteis a menos de abril, em relação a março. No entendimento do dirigente, os números refletem a resposta do consumidor aos atributos dos veículos de duas rodas, como economia, mobilidade urbana, menor custo de aquisição e uso profissional, o que contribui para a atualização e expansão da oferta. “O resultado reflete o aumento da demanda por motocicletas, com as fabricantes operando em ritmo forte para atender ao mercado”, apontou. 

 

Varejo e exportações

Segundo a Abraciclo, o volume de motocicletas emplacadas chegou a 782.364 unidades nos quatro primeiros meses deste ano, com 19,1% de alta sobre 2025 (656.743). Abril registrou 210.636 licenciamentos, resultado 5% inferior ao de março (221.618), embora a média diária de vendas tenha avançado de 10.074 para 10.532 unidades, na mesma comparação. No confronto com igual mês de 2025 (182.720), houve crescimento de 15,3%. O Sudeste concentrou 32,4% (253.800) das vendas do acumulado do ano, ficando pouco atrás do Nordeste (32,5% e 254.500). Na sequência, estão o Norte (13,7% e 106.900), Sul (12,1% e 94.700) e Centro-Oeste (9,3% e 72.500). 

As motocicletas de baixa cilindrada (até 160 centímetros cúbicos) representaram 78% (581.700) das vendas domésticas de 2026. Os modelos de 161 a 449 cilindradas (143.700) responderam por uma fatia de 19,1%. Já os veículos acima de 450 cilindradas (21.400) contribuíram com 2,9% do total e novamente atingiram a maior expansão (+43,6%). A categoria Street (383.500) reinou com 51,4% da oferta. Na sequência, estão os modelos Trail (20% e 148.800), Motoneta (13,1% e 97.800), Scooter (9,1% e 67.600) e Naked (1,6% e 11.900), entre outras. Os modelos flex representaram 62,1% (463.000) do total, com progressão de 7% sobre os quatro meses iniciais de 2025.

As exportações também conseguiram fechar o quadrimestre no azul, mas voltaram a balançar no mês. Embora a passagem de março (4.606) para abril (3.484) tenha mostrado diminuição de 24,4% na velocidade dos embarques, o montante representou uma escalada de 38% sobre o patamar do quarto mês do ano passado (2.525). Números do Mdic, disponibilizados na plataforma Comex Stat informam que, de janeiro a abril, os principais mercados para as motocicletas ‘made in ZFM’, foram Argentina (US$ 20.41 milhões e 39,11% do total), EUA (US$ 10.86 milhões e 20,81%) e Colômbia (US$ 7.97 milhões e 15,27%). Os dois primeiros cresceram 11,65% e 11,04%, enquanto o terceiro recuou 15,66%. 

Na coletiva de imprensa realizada em abril, por conta do aniversário de 50 anos da Abraciclo, o presidente da entidade ressaltou que a indústria de motocicletas do PIM vem exportando para mais de 50 países, nos últimos dez anos. “Entre os motivos para esse crescimento, destacamos novamente o papel dos mercados da América do Sul. O primeiro lugar foi ocupado pela Argentina, em decorrência inclusive da própria recuperação da economia do país vizinho. No segundo lugar, temos os Estados Unidos, que continua sendo um destino importante para nós”, salientou.

 

Fator guerra

Durante a mesma coletiva, Marcos Bento ressaltou que, apesar do desempenho positivo, a Abraciclo continua atenta aos desafios previstos para o ano, especialmente no que se refere ao cenário internacional de guerra no Oriente Médio e seus impactos na economia. “Acompanhamos esse conflito e seus efeitos no preço do combustível e logística. Isso nos preocupa, porque pressiona a inflação e, com isso, a gente teve uma queda da taxa Selic mais leve. Mas, ainda não notamos nenhum impacto na demanda e mantemos uma perspectiva de continuidade do crescimento ao longo do ano”, ponderou, acrescentando que a possibilidade de nova estiagem recorde na região amazônica também está no radar do setor.

O presidente da Abraciclo se mostra mais preocupado, quando indagado sobre os eventuais impactos do cenário geopolítico especificamente para as montadoras mais novas, que ainda têm nível de verticalização abaixo da média do subsetor, sendo mais dependentes da importação de componentes. “O polo de duas rodas de Manaus emprega muitas pessoas e é bem verticalizado, mas o fornecimento global é uma realidade para todos. Por enquanto, neste cenário de curto prazo, não vimos nenhum problema. Mas, se houver prolongamento da guerra, podemos ter pressão logística e a falta de gás e combustíveis em países que nos fornecem gerar falta de componentes”, concluiu. 

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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