O faturamento do PIM em dólares ganhou mais fôlego no primeiro bimestre, mas o mesmo não ocorreu na conversão em reais. Em paralelo, a geração de empregos voltou a desacelerar. As vendas brutas cresceram 9,29% em moeda americana e somaram US$ 6,99 bilhões, na comparação com igual período de 2025 (R$ 6,40 bilhões), em um ambiente de desvalorização de 11,57% do dólar em 12 meses, conforme o BC. Na divisa nacional (R$ 37,23 bilhões), o panorama foi de estabilidade com viés negativo (-0,38%), em cenário de IPCA de 3,81% no mesmo acumulado. É o que revelam os Indicadores de Desempenho do Polo Industrial de Manaus, divulgados na sexta (10).
A comparação entre janeiro (R$ 18,47 bilhões ou US$ 3.45 bilhão) e fevereiro (R$ 18,75 bilhões ou US$ 3.55 bilhões) resultou em aceleração nas vendas (+1,51% e +2,90%, respectivamente). Já o confronto com igual período do exercício anterior (R$ 18,76 bilhões ou US$ 3.21 bilhões) indicou estabilidade em reais (-0,05%) e aumento em dólares (+10,59%). O levantamento mensal da Suframa revela ainda que o Polo Industrial de Manaus voltou a perder velocidade nas contratações, já que a média mensal de empregos de fevereiro (128.945 trabalhadores) esfriou em todas as comparações, marcando o placar mais baixo desde agosto de 2024 (126.854).
De janeiro a fevereiro, 12 dos 26 subsetores faturaram mais em dólares. Entre os segmentos que carreiam o PIM, os destaques vieram de duas rodas, metalúrgico, químico, termoplástico e eletroeletrônico, em detrimento de bens de informática. As melhores performances vieram das divisões de bebidas (+58,43% e US$ 62.28 milhões), brinquedos (+35,45% e US$ 12.67 milhões) e de vestuário e calçados (+28,34% e US$ 2.02 milhões). Os tombos mais severos ficaram nos polos naval (-48,30% e US$ 25.92 milhões), de couros e similares (-43,43% e US$ 389.142) e madeireiro (-38,57% e US$ 1.31 milhão).
Os subsetores de bens de informática e de eletroeletrônicos foram mais uma vez em direções opostas, no bimestre. O primeiro (US$ 1.32 bilhão) elevou sua participação para 18,87% do faturamento do Polo, mas encolheu 5,67% ante 2025. Já os eletroeletrônicos (US$ 1.11 bilhão) cresceram 15,50% e viram seu share elevado para 15,91%. Também aquecido (+15,31%), o subsetor de duas rodas (US$ 1.45 bilhão) manteve a dianteira no ranking das vendas globais da indústria incentivada, com fatia de 20,82%. A lista se completa com os segmentos de “outros produtos” (14,25% do bolo), químico (12,15%), termoplástico (9,14%) e metalúrgico (8,87%).
Produção e empregos
O crescimento também foi menos disseminado em termos de produção industrial. O aumento mais expressivo do bimestre veio da linha de aparelhos telefônicos (incluindo porteiros eletrônicos), que somou 38.922 unidades e alcançaram incremento de 21,63% frente ao segundo mês de 2025. Outras altas expressivas vieram da fabricação de celulares (+7,34% e 1.817.314) e motocicletas, motonetas e ciclomotos (+5,52% e 379.046). Em contraste, segmentos de destaque para o PIM, como os de condicionadores de ar do tipo split system (-26,26% e 851.791); relógios de pulso e de bolso (-4% e 1.172.638); e TVs com telas LCD e Oled (-8,20% e 2.336.655) amargaram quedas.
Em sintonia, o nível de empregos do Polo Industrial de Manaus voltou a perder velocidade. A média obtida em fevereiro foi de 128.945 trabalhadores, entre efetivos, temporários e terceirizados. A performance ficou pouco baixo (-0,81%) da verificada em janeiro (129.999), além de configurar queda de 2,66% diante do registro de fevereiro do ano passado (132.475). Foi o número mensal mais baixo, desde agosto de 2024 (126.854) – quando o PIM sofria os impactos logísticos do segundo ano de vazante histórica. A média de colaboradores acumulada em 2026 (129.472) ficou 1,81% aquém do exercício anterior (131.866), embora ainda supere o dado de 2024 (124.039).
Apenas sete das 24 divisões do PIM conseguiram saldos positivos de empregos no acumulado do ano. Os melhores índices vieram de vestuário de calçados (+16,38% e 469 trabalhadores) e de “material de limpeza de velas” (+3,70% e 56) e duas rodas (+3,57% e 27.196). Já os recuos mais intensos ficaram nos segmentos e de brinquedos (-43,20% e 30), “produtos diversos” (-27,19% e 458) e mobiliário (-18,50% e 806). Dentro do grupo de mão de obra estritamente efetiva, o Polo conseguiu criar apenas 191 novas vagas no bimestre, diante das 6.545 admissões e 6.354 demissões contabilizadas no período.
“Manter uma média de mais de 129 mil trabalhadores ativos demonstra a capacidade e força estrutural do nosso Polo. Além disso, o salto de mais de 27% nas exportações acumuladas prova que as indústrias da Zona Franca de Manaus continuam altamente competitivas no cenário internacional. Tudo isso só evidencia que o PIM segue forte, diversificado e plenamente preparado para expandir seus resultados ao longo de 2026”, destacou o novo titular da autarquia, Leopoldo Montenegro, em texto veiculado pela assessoria de imprensa da Suframa.
Resiliência e cautela
O presidente da Fieam, Antonio Silva, considera que os números revela um cenário de estabilização e resiliência do PIM, embora inspirem cautela. “É notável que o avanço mais expressivo tenha ocorrido em dólar e nas exportações. O resultado evidencia a competitividade externa das nossas indústrias e sugere estratégia de diversificação de mercados como resposta à conjuntura global de volatilidade e incertezas”, destacou.
O dirigente ressaltou que os conflitos internacionais e dúvidas quanto à trajetória dos juros pesam sobre o custo de capital e o poder de compra, freando a expansão em subsetores que dependem de crédito e maior previsibilidade de consumo. “Essa realidade demanda acompanhamento técnico rigoroso para garantir que os diferenciais competitivos da ZFM continuem a neutralizar as assimetrias exacerbadas por esse ambiente”, recomendou.
Antonio Silva avalia que a manutenção da média de empregos acima de 129 mil ocupações confirma o compromisso social da indústria, apesar do declínio pontual. “Para 2026, a expectativa reside na busca contínua por eficiência produtiva e equilíbrio operacional, visando sustentar os patamares de emprego e renda. O fortalecimento da segurança jurídica e a clareza nas políticas de desenvolvimento regional serão fundamentais para o setor navegar por este período de transição global com a estabilidade necessária”, frisou.
O contador, professor da Ufam e consultor empresarial especializado na indústria, André Costa, concorda que o cenário é de estabilidade para o PIM. “Mas ainda com uma percepção geral positiva. A base de comparação é muito forte, dado que o início de 2025 foi extraordinário. Agora, janeiro de 2026 só não superou 2025 devido à forte redução do desempenho de celulares. Houve recuperação e por isso fevereiro foi melhor”, ponderou.
O especialista salienta, entretanto, que a atual conjuntura ainda inspira cautela nas perspectivas. “A expectativa para o ano é bastante desafiadora, porque temos relatos de endividamento recorde das famílias brasileiras. E prevemos um impacto nos preços, em virtude do forte aumento nos preços globais de energia e logística, impactado pelas guerras no Oriente Médio. Mas temos ainda a expectativa que a Copa do Mundo e eleições sejam direcionadores que ajudem a superar os desafios”, finalizou.







