PIM – Faturamento não acompanha investimentos

Em: 20 de janeiro de 2012
Pelo menos 11 setores industriais dobraram investimentos nos últimos cinco anos, mas resultado não representa necessariamente crescimento da atividade
https://www.jcam.com.br/2001_CapaLuiz.jpg
Pelo menos 11 setores industriais dobraram investimentos nos últimos cinco anos, mas resultado não representa necessariamente crescimento da atividade

Além do polo de duas rodas, outros dez segmentos menores dobraram os investimentos nos últimos cinco anos de acordo com os indicadores da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus). Juntos, eles somaram US$ 4,66 bilhões em 2011, o que, mesmo sem os dados fechados de dezembro, representa um crescimento de 125,47% na comparação com 2006 (US$ 2,07 bilhões), quando teve início a série histórica da autarquia.
Embora o faturamento e a mão de obra empregada também tenham crescido, o aumento de investimentos não significa necessariamente, crescimento na produtividade e no lucro, podendo causar uma sensação de ‘falsa prosperidade’, lembram entidades representantes dos setores.
O setor termoplástico, por exemplo, que em 2006 investiu US$ 509,4 milhões, aplicou 123,60% a mais no ano passado (US$1.14 bilhão), e 19,8% na comparação com o montante empregado em 2010. Enquanto isso, o faturamento aumentou 43,7% e a mão de obra passou de 8,4 mil trabalhadores para 10,2 mil (+21,2%).
“O maior crescimento foi em 2007 e 2008. Em 2010 e 2011 tivemos investimentos sobretudo em máquinas e equipamentos, uma vez que os industriários se preocuparam em renovar as máquinas pois elas garantem em torno de 30% a mais na produtividade. Mas o faturamento não acompanha”, avalia o presidente do Simplast (Sindicato da Indústria do Material Plástico do Estado do Amazonas), Carlos Alberto Monteiro.
Ele conta que os empresários do setor continuam enfrentando a forte concorrência com os produtos asiáticos e que já neste mês novos estudos de investimentos em maquinários estão em andamento. “Mas será para continuar atendendo a demanda ociosa resultante do fechamento de duas empresas do setor. Então não é que temos demanda extra. Às vezes, podemos passar essa falsa impressão de que está tudo bem”, complementou.
O segmento metalúrgico, responsável pela produção de componentes e peças para o polo de duas rodas, por sua vez investiu até novembro de 2011, o equivalente a US$ 567,88 milhões, quase 200% a mais em relação a 2006, quando o montante aplicado foi de US$ 190,70 milhões.
“O setor metalúrgico cresce porque o polo de duas rodas cresce, então um deveria acompanhar o outro, mas a proporção nem sempre é igual. Os números, são frios e por vezes não passam a real situação individual das empresas”, ponderou o presidente do Sinmen (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Eletrônicos de Manaus), Athaydes Mariano Félix.
O consultor empresarial das empresas do PIM, Teruaki Yamagishi, explica que um dos principais motivos para os investimentos não retornarem como deveriam, é justamente a falta de competitividade em relação aos importados. “Os fabricantes de produtos acabados terminam adquirindo os importados, pois o custo é muito inferior e por isso esses segmentos menores não crescem na mesma medida. Só uma política industrial bem estruturada será capaz de reverter essa situação e dar competitividade a esses setores”, afirmou.

Grandes investimentos

Outros setores também investiram pesado nos últimos anos. Entre eles, o polo relojoeiro que aplicou, até novembro do ano passado, a cifra de US$ 104,5 milhões, 94,6% a mais no confronto com 2010 e 133% superior ao investido em 2009. O valor do ano passado é maior do que o investimento dos dois anos somados (US$ 98,5 milhões)
O presidente do Sinrom (Sindicato da Indústria de Relojoaria e Ourivesaria de Manaus), Nelson Azevedo que o desempenho foi satisfatório e o aumento de investimentos necessário para suportar a produção. “Mesmo assim mantemos cautela para a euforia não ser grande demais. Ainda sofremos com a pirataria e os produtos da China. De qualquer forma a economia nos estimula e nos encaminha para um 2012 que tenha um resultado pelo menos igual ao do ano passado”, analisou.
O polo naval também merece destaque. Em 2011, foram US$ 15,7 milhões aplicados contras os US$ 433,1 mil de 2006. Já o segmento mais recente do PIM, o de beneficiamento da borracha, iniciado em 2010, já investiu US$ 457,62 contra os US$ 251,3 relativos a 2010.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar