Pintura ao vivo de volta

Em: 28 de maio de 2025
Artistas se preparam para tomar como palco, neste domingo, o Largo de São Sebastião com o projeto ‘Pintura ao vivo no Largo’.

Com o retorno do verão, depois de um ano sem ser realizado, está de volta ao Largo de São Sebastião, a partir do próximo domingo, 1º de junho, e pelos domingos seguintes, pela manhã, o projeto ‘Pintura ao vivo no Largo’, idealizado e coordenado pela artista plástica Rosa dos Anjos. A primeira edição do projeto ocorreu em 2014 e, desde então, Rosa dos Anjos nunca deixou de realizá-lo, num dos espaços mais culturais de Manaus, devido à proximidade de seu ateliê e da Etnia, sua galeria de artes. O evento acontecerá das 9h ao meio-dia e será aberto ao público. As pessoas poderão ver os artistas pintando e até mesmo adquirir suas obras.

“Sim, estamos instalados num casarão secular, na rua Tapajós, bem ao lado da igreja de São Sebastião, o que facilita dar o apoio e garantir a logística de toda a estrutura do projeto”, explicou.

“Sempre paramos com o projeto quando começa o período das chuvas, entre outubro e novembro, e só retornamos com os primeiros sinais do início do verão, pois como o ‘Pintura ao vivo no Largo’, como o nome diz, é ao vivo, com as chuvas fica inviável realizá-lo”, informou.

Rosa dos Anjos trouxe de Paris a ideia do ‘Pintura ao vivo no Largo’, mais especificamente da Place du Tertre, praça francesa que começou a ser ocupada por artistas após a Revolução Francesa (1789/1799). Apesar de a ‘Cidade Luz’ respirar arte por todos os cantos, a Place du Tertre se tornou referência para artistas, principalmente pintores de quadros, por realizarem suas obras ao vivo. Durante a Belle Époque (1871/1914) muitos artistas franceses ganharam fama mundial como Monet, Renoir, Manet, Paul Cézanne, Gauguin, Van Gogh (holandês, mas viveu na França), Toulouse-Lautrec, e o escultor Rodin, entre vários outros.

 

Aberto a outras artes

“Em Manaus, também, grandes nomes das artes plásticas passaram pelo ‘Pintura ao vivo no Largo’, nesses dez anos de existência. Moacir Andrade, por exemplo, esteve nas primeiras edições, até seu falecimento, em 2016, e é considerado o padrinho do projeto. Cito também Rubens Belém, Homero Amazonas, Noleto, Hadna Abreu que, ao longo desses anos têm participado de diversas edições”, listou.

Apesar da palavra ‘pintura’, no projeto, Rosa dos Anjos lembra que à medida que o ‘Pintura ao vivo no Largo’ foi se expandindo, ela o abriu para todo e qualquer tipo de arte. Nas edições mais recentes aconteceram shows musicais e de dança.     

“Pereira já tocou e cantou aqui. O jovem violonista Djedah também se apresentou no Largo, além de grupos de danças. Queremos apenas que os artistas que desejarem expor, ou se apresentar no espaço, nos procurem, no local mesmo, para que seus trabalhos passem por uma apreciação e avaliação nossa”, avisou.

“Estamos abertos a receber exposição de fotografias, instalações, escultores e desenhistas”, falou.

Dois ritmos musicais bem amazônicos têm estado presente no ‘Pintura ao vivo no Largo’, nas edições mais recentes, o beiradão, genuinamente do Amazonas, e o carimbó, marca registrada do Pará. Este ano não será diferente.

“Sim, já temos apresentações acertadas e estamos abertos a quem quiser vir cantar, ou dançar, beiradões e carimbós, para fazer o domingo mais alegre e divertido”, adiantou.

Para esta primeira edição de 2025 confirmaram presença Clínio Roosevelt, Rejane Melo, Gabriel Godinho e, direto de Itacoatiara, Tavares, para citar alguns.

Apoiam o projeto a SEC (Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Estado do Amazonas) e Aceam (Associação de Cultura do Estado do Amazonas).

Informações: 9 8509-6461

 

Ações que impactam

A paraense Rosa dos Anjos é uma artista plástica completa. Além de pintar quadros, ela faz esculturas em recicláveis, barro, gesso, madeira, areia, cimento, alumínio, prata e bronze, biojoias, artigos de decoração, grafite, indumentárias, trançados em palha e seda. Algumas de suas ações impactam a cidade, como, no Natal, as decorações feitas com milhares de garrafas pet, colocadas em pontos estratégicos de Manaus; ou sua luta em defesa da preservação do prédio da Santa Casa de Misericórdia, quando promoveu a limpeza de suas dependências e abraços simbólicos realizados por vários artistas. Esse esforço valeu a pena, pois o poder público teve que agir em defesa do patrimônio histórico até o prédio ser adquirido pelo Centro Universitário Fametro, que se prontificou a restaurá-lo. A mais recente ação impactante de Rosa ultrapassou as fronteiras de Manaus, depois que ela limpou e pintou de dourado a estátua de Tenreiro Aranha, localizada na praça da Saudade. Choveram críticas negativas ao seu trabalho, mas, através de opiniões vindas de especialistas em restauração de outros estados, a artista comprovou que não cometeu erro algum em realizar tal intervenção.

“A estátua estava suja e nunca vi ninguém reclamar. Quando a limpei e pintei, me ‘crucificaram’. Agora a estátua está lá, novamente suja e pichada e, de novo, ninguém fala nada”, finalizou.     

Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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