Pirarucu, cada vez mais valorizado

Em: 27 de dezembro de 2022

Os clubes de compras não são tão antigos. Surgiram nos Estados Unidos, em 2009, e desde então se desenvolveram de forma surpreendente. Nesses clubes o associado paga por um determinado produto, ou segmento de produto, que irá receber numa periodicidade combinada. A vantagem é que esse associado tem uma série de benefícios. Em Manaus acaba de ser lançado o Piraruclub para venda, isso mesmo, de pirarucu. O Piraruclub foi idealizado pela FAS (Fundação Amazônia Sustentável) para incentivar o desenvolvimento da cadeia de manejo sustentável do pirarucu na RDS (Reserva de Desenvolvimento Sustentável) Mamirauá.

“Trata-se de um clube de compras que conecta os pescadores (manejadores), das comunidades que a FAS tem apoiado, ao mercado consumidor. Esse mercado específico são hotéis, restaurantes e empórios”, falou Wildney Mourão, gerente do Programa de Empreendedorismo e Negócios Sustentáveis da Amazônia da FAS.

“O Piraruclub funciona com um modelo de assinatura anual, fornecendo pirarucu de manejo, o que valoriza essa atividade tão importante para as comunidades, bem como os manejadores, e encontra um canal, um mercado de comercialização, que vai remunerar com um preço mais justo e ajudar na qualidade de vida dessas pessoas dando o valor necessário ao esforço que fazem pela sustentabilidade”, completou.

A venda é realizada por meio de combos de pirarucu elaborados sob medida, com cortes especiais, garantia de entrega e qualidade do produto final, além de um conjunto de benefícios e vantagens para os associados.

Vantagens aos associados

Os combos de 100 kg mensais, já vêm formatados para atender a um canal de comercialização, com filé e ventrecha, mas o cliente que desejar comprar o bucho, ou a cabeça, do pirarucu, já existe outra forma de comercialização, que é a Feira do Pirarucu, realizada na sede da FAS, de setembro a dezembro, no período do manejo, desde 2017. Essa estratégia de diversificação da comercialização com o Piraruclub é uma segunda fase do projeto cujo objetivo é valorizar a comercialização para bancar a vigilância dos lagos feita pelos manejadores; a contagem dos peixes, nos lagos; a organização social das famílias; o beneficiamento na ponta; e o apoio logístico para esse produto chegar a Manaus, como o condicionamento e posterior distribuição, além de remunerar melhor as famílias.

Entre as vantagens para os associados do Piraruclub, estão a entrega programada de um produto com qualidade garantida, com o melhor custo benefício, rastreabilidade do pirarucu e compra direta com o manejador, fortalecendo e apoiando toda a cadeia produtiva do pescado.

A projeção, segundo Wildney, é ultrapassar R$ 1,2 milhão recebido pelas famílias a cada manejo, com uma projeção de vendas, até 2023, de 42 toneladas de pirarucu.

“Ainda temos cotas para comercializar, mas a meta é conseguir esse valor em vendas, com esse total de toneladas pescadas”, disse.

Atualmente a iniciativa beneficia mais de 200 famílias em 25 comunidades ribeirinhas do Amazonas.

“Esse trabalho de manejo é resultado da organização social comunitária, da capacidade de realizar um planejamento produtivo participativo que garante o uso racional e consciente dos estoques do peixe nas Unidades de Conservação”, informou.

Três cotas

“Comercializar essas 42 toneladas, é um desafio mas, conseguindo ganhar a fidelização dos atuais clientes, automaticamente já pensamos em prospectar novos e ampliar o projeto numa segunda fase. É uma ambição mais ousada. Pensamos atingir clientes em todo o Brasil, e incluir novas famílias, de outras unidades de conservação. O retorno financeiro para esses ribeirinhos, premia esse trabalho valoroso de manejo que realizam”, afirmou.

A cota liberada pelo Ibama com anuência da Sema (Secretaria do Meio Ambiente), para a RDS Mamirauá, deve chegar a 800 toneladas/ano. O trabalho de assistência técnica e comercialização apoiado pela FAS, junto às comunidades manejadoras do pirarucu, pode fazer com que o manejo chegue a 150 toneladas no período 2022/2023.

O Piraruclub possui três tipos de cota mensal: Cota Sustentável, Cota Pirarucu e Cota Premium. Todas com plano de assinatura anual e dando ao comprador um selo sustentável exclusivo que certifica a procedência e qualidade do pirarucu adquirido.

A Cota Sustentável consiste em um combo de 100 quilos de filé e ventrecha por R$ 27,52/quilo. A Cota Pirarucu disponibiliza 150 quilos de filé e ventrecha, a R$ 24,35/quilo. Este combo acompanha duas opções de kit: um com farinha e óleo vegetal, e outro com geleia de cacau, guaraná e produtos de artesanato. A Cota Premium inclui 100 quilos de filé de pirarucu a R$ 39,52/quilo. Esta cota inclui, além das opções de kits, um pingente personalizado de pirarucu e um voucher exclusivo Day Tour para duas pessoas.

Os interessados em adquirir uma das cotas podem entrar em contato pelos fones: (92) 4009-8900 e (92) 8643-0178 (Whatsapp). 

Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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