Pirataria gera desemprego em Manaus

Em: 10 de fevereiro de 2009
Como estratégia para driblar não somente a crise econômica mundial, mas também a concorrência desleal da pirataria, lojas que comercializam CDs e DVDs em Manaus estão buscando opções para atrair o público e garantir a sobrevivência no mercado
Como estratégia para driblar não somente a crise econômica mundial, mas também a concorrência desleal da pirataria, lojas que comercializam CDs e DVDs em Manaus estão buscando opções para atrair o público e garantir a sobrevivência no mercado

Como estratégia para driblar não somente a crise econômica mundial, mas também a concorrência desleal da pirataria, lojas que comercializam CDs e DVDs em Manaus estão buscando opções para atrair o público e garantir a sobrevivência no mercado. Apenas em dois empreendimentos consultados pelo JC, 25 pessoas perderam os empregos no ano passado por conta da queda nas vendas.
De acordo com proprietários de empresas do segmento, a comercialização dos discos teve uma retração de 30% no ano de 2008 em comparação a 2007. Para este ano, os empresários ainda não têm boas expectativas.
Para o proprietário da Disco Laser, Rui Costa, tanto a pirataria quanto a instabilidade financeira contribuíram para a queda no desempenho desse mercado. A loja que em 2007 possuía 38 funcionários fechou o ano passado com apenas 17.
Costa contou que os comerciantes de cópias ilegais conseguem adquirir os discos virgens por preços que variam entre R$ 0,50 e R$ 2 e, além disso, não pagam nenhuma das tributações comuns para as lojas legalizadas. “As empresas legalizadas costumam pagar a contribuição social, o imposto de renda e o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços). Nenhum desses impostos é pago por comerciantes ilegais”, assegurou o empresário. “O que falta é uma maior valorização para os empresários e profissionais da música por parte das autoridades”, completou.
Costa contou que para atrair o público para sua loja, a tática utilizada é colocar as bandejas com os produtos bem na entrada da loja, praticamente na calçada, com os cartazes das promoções anexados. “E os vendedores também estão sempre ali para atender bem aos consumidores e tirar qualquer eventual dúvida”.
Na Disco Laser são comercializados mais de 25 mil itens entre CDs e DVDs de ritmos diferentes. “Entre os mais vendidos estão o Victor & Léo e Ivete Sangalo”, afirmou Costa.

Pagando para trabalhar

Já na Disco Magia, são vendidos mais de 10 mil títulos também de estilos variados. Entretanto, conforme o proprietário da loja, Laerte Antonaccio, com a elevação da pirataria está quase impossível se manter estável no mercado. “O que acontece é que está praticamente se pagando para estar com o comércio aberto. Nós tínhamos vendas, mas com a falsificação dos produtos e a constante oscilação do dólar, a tendência é sair do segmento”, garantiu.
O empresário contou ainda que a sua loja até a metade do ano passado possuía cinco pessoas no quadro funcional e hoje conta com apenas um colaborador. “Está difícil manter todos os custos diante dos aspectos financeiros atuais”, declarou Antonaccio.
Para atrair o público, a Disco Magia costuma fazer propagandas boca-a-boca.

Preço baixo de falsificados fisga consumidor

Para o consultor aeroportuário Arielson Gomes, como consumidor, adquirir os discos falsificados são uma opção incorreta, porém mais econômica. “Com todas as contas a serem pagas, não dá para pagar R$ 30 ou mais em um CD ou DVD. Os falsificados são vendidos por até R$ 5 e são até muito mais fáceis de serem encontrados”, afirmou.
Para o jornalista Lennon Jorge, não é muito convencional comprar CDs e DVDs piratas por conta da desvalorização da classe artística. “Não opto por piratas facilmente porque valorizo o trabalho dos bons profissionais, que recebem uma porcentagem das vendas, mesmo pequena”, comentou. O jornalista contou ainda que mantém o hábito de comprar CDs mas também costuma baixar músicas da internet porque o processo possui custo nulo.
A assessora de imprensa Vanessa Senna também não costuma comprar CDs e DVDs falsificados. “Se tiver dinheiro compro mesmo os produtos, mas caso contrário apelo para os downloads, em último caso”, ressaltou a assessora ao dizer que o hábito também não é muito indicado já que nem todos os artistas costumam liberar as obras por conta dos direitos autorais.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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