Plantas do Ceará podem combater dengue

Em: 20 de abril de 2010
Um grupo de pesquisadores de três universidades cearenses estuda a composição química de algumas espécies de plantas existentes na Meruoca, Zona Norte do Estado do Ceará
Um grupo de pesquisadores de três universidades cearenses estuda a composição química de algumas espécies de plantas existentes na Meruoca, Zona Norte do Estado do Ceará

Um grupo de pesquisadores de três universidades cearenses estuda a composição química de algumas espécies de plantas existentes na Meruoca, Zona Norte do Estado do Ceará. O projeto começou em 2006 e tem como objetivo realizar um estudo biomonitorado dos óleos essenciais, extratos e frações das espécies selecionadas por seu valor medicinal. O biomonitoramento pode ser útil no combate à dengue, através do estudo de componentes produzidos pela planta que a protegem contra microorganismos e insetos predadores, podendo ser utilizados em novos produtos para combater o mosquito Aedes aegypti.
O monitoramento de extratos de plantas para a procura de substâncias bioativas têm se tornado cada vez mais comum em laboratórios de produtos naturais, principalmente em estudos sobre as atividades larvicida e antimicrobiana, ou em ensaios que visam avaliar o potencial citotóxico, antioxidante e anticolinesterásico (inibidor da enzima acetilcolinesterase, utilizado no tratamento de alzheimer). Esses estudos podem resultar em dados importantes para o tratamento de doenças como câncer, enfisema, cirrose, aterosclerose, alzheimer e artrites, relacionadas ao estresse oxidativo, que ocorre quando os mecanismos de proteção antioxidante do organismo se tornam ineficientes por fatores como idade e deterioração das funções fisiológicas.
De acordo com a professora Maria Rose Jane Ribeiro, da UVA (Universidade Estadual Vale do Acaraú), coordenadora do projeto, foram estudadas nove espécies de plantas encontradas na Meruoca.
Das outras espécies estudadas, Baccharis trinervis, conhecida como assapeixe-fino ou assapeixe-branco, apresentou atividade antimicrobiana, e Blainvillea rhomboidea, cujo nome popular é erva-palha ou picão grande, apresentou atividade citotóxica frente a células tumorais da mama e do cólon. Além dessas, os óleos essenciais obtidos das folhas de Eupatorium ballotaefolium (picão-roxo) demonstraram potencial anticolinesterásico, podendo ser fortes candidatos no tratamento do alzheimer.
Segundo a pesquisadora, o grupo de pesquisa em Química Orgânica da UVA também estuda outras espécies que têm demonstrado ação larvicida significativa contra as larvas do Aedes aegypti, como o óleo essencial das raízes de Eupatorium betonicaeforme, ou elevada atividade antimicrobiana, como o óleo essencial de Baccharis trinervis (assapeixe-fino) . O projeto é intitulado “Estudo Fitoquímico e Avaliação da Atividade Farmacológica de Plantas Nativas da Serra da Meruoca & Sobral & Ceará”.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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