PMEs buscam inserção no mercado

Em: 7 de outubro de 2016
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Para a indústria a ordem é recuperar mercado, já para pequenas e médias empresas, a hora é de inserção, avalia o CIN-AM (Centro Internacional de Negócios do Amazonas). A avaliação do Centro ganha maior dimensão ao se juntar aos recentes dados da Fiesp (Federação da Indústria do Estado de São Paulo) que apontam o câmbio e os altos custos de se conseguir financiamento como limitadores das exportações. Segundo a pesquisa, para 72% das empresas brasileiras, o câmbio é o principal fator a impedir negócios no mercado exterior.
Para Thomaz Zanotto, diretor titular do Derex (Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior) da Fiesp exportar produtos da indústria de transformação demanda esforços comerciais e uma série de investimentos específicos que somente podem ser viabilizados com um ambiente de negócios regular, estável e previsível. Isso abrange desde a sobrevalorização e volatilidade da taxa de câmbio até incertezas no âmbito macroeconômico, jurídico, tributário, regulatório e trabalhista, principalmente.
Segundo o diretor do Derex, há também outros pontos determinantes que limitam as empresas na hora de exportar, como a tributação, por exemplo. “A margem de lucro das exportações é baixa e, na impossibilidade de se exportar tributos, o acúmulo de impostos ao longo da cadeia produtiva tem que ser compensado de alguma forma. Nenhum país exporta tributos”, disse.

Desequilíbrio

A valorização da moeda brasileira causa um contrassenso econômico muito bem observado no PIM (Polo Industrial de Manaus), conta o gerente executivo do CIN-Am Marcelo Lima. “Nossos produtos tinham preços competitivos com a grande diferença do Real frente ao Dólar. Acontece que a estabilização da moeda freou o comércio com países próximos. Nossos clientes da América Latina reduziram em muito as demandas e passaram a consumir em outros mercados”, afirma.
Segundo o gerente executivo, o desequilíbrio de forças entre comprar e vender no exterior torna os dados da Fiesp mais críticos na indústria amazonense. Em setembro a balança comercial amazonense registrou US$ 50.211.805 FOB (Free on Board) em exportações contra US$ 606.104.756 FOB de importações. “Na ZFM um dos fatores que impedem maiores investimentos na exportação é o desequilíbrio de forças. É uma proporção de dez para um. São dez importações de insumos e matéria-prima para uma exportação de bens finais”, comenta Lima.

Financiamentos
Ainda de acordo com a pesquisa da entidade paulista, o financiamento aparece como um dos maiores dificultadores da exportação, se desdobrando em alto custo (67%), difícil acesso (64%) e restrita oferta (60%). Para Marcelo Lima, o que há é falta de informação, principalmente do pequeno e médio empresário. “A indústria é atenta a isso, mas as pequenas e médias empresas amazonenses parecem desconhecer ou serem receosas em tomar financiamento. Entidades como Banco do Brasil e BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) possuem linhas de crédito para importação e exportação. Algumas financiam em até 180 dias, um tempo que abrange da compra dos insumos a entrega do produto final”, explica.
Além da falta de conhecimento, Lima elenca o receio de investir por conta da instabilidade política e econômica. “O momento causa receio no empresário. E ainda existe a falta de uma cultura empreendedora visando o mercado exterior, o que piora como encolhimento do mercado interno. Mas o CIN sempre está promovendo ações com rodadas de negócios e missões ao exterior para promover o que é produzido aqui”, ressalta.
Os altos custos de se criar uma estrutura de exportação foi a resposta de 63% dos pesquisados para não avançar no comércio externo. Esses altos custos, residem em capacitação e logística, principalmente. Segundo o gerente executivo, resolver pelo menos o primeiro deve ser iniciativa do empresário. “Temos uma rodada de negócios marcada para o próximo dia 13, é a chance do empresário se pôr cara a cara com investidores e negociadores estrangeiros. Isso faz parte do esforço do CIN para mobilizar o empresariado e criar essa cultura exportadora na pequena e média empresa”, resume Marcelo Lima.

Identificação de fatores limitantes

A pesquisa “Expectativas e Obstáculos Para Exportações e Substituição de Importações da Indústria em 2016” ouviu 1.120 empresas da indústria de transformação, sendo 534 pequenas, 405 médias e 181 grandes, entre os dias 14 de março e 22 de abril de 2016 e teve como objetivo identificar os fatores que limitam a atuação no mercado externo, identificar estratégias predominantes do setor para a importação de insumos e produtos prontos para revenda e sua eventual substituição por produtos fornecidos localmente.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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