Sálvia Haddad é Procuradora do Estado do Amazonas mas, nas noites, em casa, após o árduo trabalho, escreve crônicas e poesias sobre os fatos que acontecem no seu dia a dia. Em 2013 lançou seu primeiro livro “Mel e Fel – retalhos de vida”, pela Editora Novo Século. Agora lança seu mais novo trabalho, desta vez incluindo algumas poesias, “Teus olhos de Capitu – outros retalhos e alguns poemas”, pela Chiado Editora. Até o poeta maior do Amazonas exaltou, Thiago de Mello, exaltou o novo livro de Sálvia em forma de poesia: “na alegria de te encontrar, pelo bem que o teu livro me fez, acredita na importância do teu escrever”. “Teus olhos de Capitu…” será lançado no dia 30, segunda-feira, às 17h, no Emporium Roma, em Adrianópolis, e Sálvia falou um pouco mais sobre ele ao JC.
Jornal do Commercio: Afinal de contas você se considera uma cronista ou uma poeta?
Sálvia Haddad: Sou escritora. Acredito que o escritor, como qualquer outro profissional, tem suas preferências na área em que atua. Um oncologista ou um dermatologista, por exemplo, é primeiramente um médico. Assim como o cronista ou o poeta é antes escritor. A questão do gênero não é o mais importante.
JC: Por que esse título “Teus olhos de Capitu”?
SH: No livro há um poema que fala de olhos que enganam, que traem, iludem, e a maior referência de olhos dissimulados na literatura brasileira é de Capitu e seus olhos de cigana dissimulada.
JC: Suas poesias são românticas, mas tristes. São fruto de uma desilusão amorosa?
SH: Não necessariamente. Muitas vezes são frutos de experiências de pessoas próximas, desabafos e relatos de sofrimentos alheios, isso também me inspira nos poemas.
JC: Atuando como Procuradora do Estado, você deve ser uma mulher muito ocupada. Como encontra tempo para se dedicar à escrita?
SH: Sim, minha rotina é bem pesada. É muito difícil conciliar agendas profissionais, somando-se ainda o cuidado com meus três filhos que cabe principalmente à mim. Escrevo à noite quando a casa está mais calma e as demandas do dia ficaram para trás. Mas ainda não me cobro uma escrita contínua e regular porque realmente não há tempo hábil para isso no meu cotidiano.
JC: De onde costuma tirar os assuntos para suas crônicas e como escolhe esses assuntos?
SH: Os assuntos surgem do cotidiano, de algo que vejo e que, de alguma forma me toca, me leva à reflexão. Pode ser algo inusitado como uma leitura ou filme, ou assunto trazido pelos noticiários, não há regra. Algumas vezes escolho o tema, mas na maioria das situações os temas me escolhem.
JC: Você sabia que no Amazonas conta-se nos dedos das mãos as cronistas? Como se vê dentro desse contexto?
SH: Eu não sabia. E não pensei nisso quando comecei a escrever. Fico feliz por ser, digamos assim, uma pioneira no gênero em minha terra. Espero incentivar novos escritores, abrir portas.
JC: Esse é seu segundo livro (o primeiro, “Meu e Fel – retalhos de vida”, foi só de crônicas), então podemos contar, agora, com uma profícua cronista?
SH: Esse é meu desejo. Não consigo mais parar de escrever e não me vejo sem a literatura em minha vida. Já estou com mais dois projetos em andamento, todos em crônicas. Então sim, podem contar com uma profícua cronista.







