“Podem contar com uma profícua cronista”

Em: 27 de novembro de 2015
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Sálvia Haddad é Procuradora do Estado do Amazonas mas, nas noites, em casa, após o árduo trabalho, escreve crônicas e poesias sobre os fatos que acontecem no seu dia a dia. Em 2013 lançou seu primeiro livro “Mel e Fel – retalhos de vida”, pela Editora Novo Século. Agora lança seu mais novo trabalho, desta vez incluindo algumas poesias, “Teus olhos de Capitu – outros retalhos e alguns poemas”, pela Chiado Editora. Até o poeta maior do Amazonas exaltou, Thiago de Mello, exaltou o novo livro de Sálvia em forma de poesia: “na alegria de te encontrar, pelo bem que o teu livro me fez, acredita na importância do teu escrever”. “Teus olhos de Capitu…” será lançado no dia 30, segunda-feira, às 17h, no Emporium Roma, em Adrianópolis, e Sálvia falou um pouco mais sobre ele ao JC.

Jornal do Commercio: Afinal de contas você se considera uma cronista ou uma poeta?
Sálvia Haddad: Sou escritora. Acredito que o escritor, como qualquer outro profissional, tem suas preferências na área em que atua. Um oncologista ou um dermatologista, por exemplo, é primeiramente um médico. Assim como o cronista ou o poeta é antes escritor. A questão do gênero não é o mais importante.

JC: Por que esse título “Teus olhos de Capitu”?
SH: No livro há um poema que fala de olhos que enganam, que traem, iludem, e a maior referência de olhos dissimulados na literatura brasileira é de Capitu e seus olhos de cigana dissimulada.

JC: Suas poesias são românticas, mas tristes. São fruto de uma desilusão amorosa?
SH: Não necessariamente. Muitas vezes são frutos de experiências de pessoas próximas, desabafos e relatos de sofrimentos alheios, isso também me inspira nos poemas.

JC: Atuando como Procuradora do Estado, você deve ser uma mulher muito ocupada. Como encontra tempo para se dedicar à escrita?
SH: Sim, minha rotina é bem pesada. É muito difícil conciliar agendas profissionais, somando-se ainda o cuidado com meus três filhos que cabe principalmente à mim. Escrevo à noite quando a casa está mais calma e as demandas do dia ficaram para trás. Mas ainda não me cobro uma escrita contínua e regular porque realmente não há tempo hábil para isso no meu cotidiano.

JC: De onde costuma tirar os assuntos para suas crônicas e como escolhe esses assuntos?
SH: Os assuntos surgem do cotidiano, de algo que vejo e que, de alguma forma me toca, me leva à reflexão. Pode ser algo inusitado como uma leitura ou filme, ou assunto trazido pelos noticiários, não há regra. Algumas vezes escolho o tema, mas na maioria das situações os temas me escolhem.

JC: Você sabia que no Amazonas conta-se nos dedos das mãos as cronistas? Como se vê dentro desse contexto?
SH: Eu não sabia. E não pensei nisso quando comecei a escrever. Fico feliz por ser, digamos assim, uma pioneira no gênero em minha terra. Espero incentivar novos escritores, abrir portas.

JC: Esse é seu segundo livro (o primeiro, “Meu e Fel – retalhos de vida”, foi só de crônicas), então podemos contar, agora, com uma profícua cronista?
SH: Esse é meu desejo. Não consigo mais parar de escrever e não me vejo sem a literatura em minha vida. Já estou com mais dois projetos em andamento, todos em crônicas. Então sim, podem contar com uma profícua cronista.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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