A economia ainda segue encolhida e ao que tudo indica vai levar tempo para ser domada, é o que comprova o levantamento realizado pela PnadC (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) do IBGE (Instituto Brasileiro de Economia e Estatística), que divulgou a crescente no número de brasileiros na linha da pobreza de 13,8% para 14,4% entre 2016 e 2017. No Amazonas, embora a SIS (Síntese de Indicadores Sociais) apresente uma variação nesse índice de 49,9% para 47,9% entre os respectivos anos, o reflexo do levantamento na atividade econômica para representantes de alguns setores é pujante e corrói o poder de consumo.
Ao avaliar o impacto sobre o consumo o presidente da Alasc (Associação de Lojistas do Amazonas Shopping), André Gesta, diz que notadamente se observa que a população está com menos dinheiro e prioriza gastos apenas com contas básicas como; luz, água, gás… “Quando o salário é destinado para pagar o orçamento, fica impossível gastar com supérfluos, porque a renda familiar não acompanha”. Apesar do estudo indicar a desigualdade acentuada no número de pobreza, para o presidente da Alasc o otimismo ganhou força no setor varejista e isso foi comprovado, principalmente, dentro dos centros comerciais com o período da Black Friday. “Não só eu, mas outros lojistas percebemos um cenário diferente. É um quadro de recuperação. Não podemos menosprezar nenhuma pesquisa, mas acompanhamos um momento de motivação ao consumo no mês de novembro e continua intenso neste dezembro”, observa André Gesta destacando o otimismo e perspectiva de melhora para recuperação da economia.
Para o presidente do Sindivarejista ( Sindicato do Comércio Varejista do Estado do Amazonas) Teófilo Gomes, a queda na inflação refletindo no salário que este ano teve uma correção de 3% a 4% projetaram quedas consideradas nas atividades econômicas. “O comércio está saindo dessa crise, os ganhos de antigamente, em termos de salários, foram balizados. As empresas estão tentando se manter no mercado mas até lá a demanda por compras vai ser muito baixa”. Teófilo afirma que essa superação era para ter começado dentro do setor da construção civil , mas não deslanchou. “O setor movimenta vários mercados. Começa na obra e termina numa loja de tintas, num departamento de móveis. Mas infelizmente a população não tem como acompanhar porque não tem recursos suficientes para investir e assumir longos compromissos de pagamentos com imóveis”. Ele ressalta, por enquanto, que o período natalino tem trazido fôlego para o segmento e que depois deste período a economia desacelera e o consumo esfria. Depois surgem as promoções pós festas e teremos mais um aquecimento no setor de papelaria e livraria com a volta às aulas.
Quando avalia o setor para o período com a data alusiva ao Natal, o presidente da ACA (Associação do Comércio do Amazonas), Ataliba Filho, considera a movimentação intensa para o comércio que têm como fatores para o aumento do consumo o décimo terceiro e empregos temporários. Mas quando faz a comparação em cima do estudo do IBGE com a baixa diminuição nos índices, Ataliba conclui que a margem representa apenas um atenuado e que o problema na região e no País só tendem a melhorar quando essas pessoas estiverem incluídas socialmente. E qualquer mudança para minimizar esses índices envolvem políticas públicas dentro do novo governo, se estas, forem aplicadas. “Mas esse resultado só teremos depois de noventa dias. Não temos como afirmar que vai melhorar, são apenas expectativas e um grande otimismo”. Conforme Ataliba Filho, a renda do trabalhador é fundamental para medir as estatísticas de pobreza.
Na mesma direção, o setor de bares e restaurantes, apresentaram perdas de clientes, é o que afirma o conselheiro da Abrasel-AM (Associação de Bares e Restaurantes), Rodrigo Zamperlini. “Os efeitos da crise econômica estão refletidos nesses dados, o setor de bares e restaurantes sentiu a queda no faturamento, diminuição do ticket médio por cliente e mudança nos padrões de consumo, ou seja, muitas pessoas passaram a frequentar estabelecimentos com refeições mais em conta e diminuíram a frequência das visitas nos momentos de lazer. Por outro lado, oportunidades também surgiram, em especial para o serviço de entrega de refeições em domicílio ou no escritório e também para estabelecimentos que ajustaram seus cardápios a essa nova realidade de consumo mais sensível ao preço”.
Conforme Rodrigo, o aumento do número de pessoas na linha de pobreza ou abaixo dela é muito ruim não apenas para o setor de bares e restaurantes, mas para todos os outros, pois estão fora da realidade de consumo, preocupadas essencialmente em sobreviver. “A recuperação da economia é condição essencial para a melhoria desses índices”.
Levantamento
Segundo a linha de pobreza proposta pelo Banco Mundial (rendimento de até US$ 5,5 por dia, ou R$ 406 por mês), a proporção de pessoas pobres no Amazonas era de 49,9% da população em 2016 e diminuiu para 47,9%, em 2017. Já o contingente de pessoas com renda inferior a US$ 1,90 por dia (R$ 140 por mês), que estariam na extrema pobreza, ou miséria, de acordo com a linha proposta pelo Banco Mundial, representava 13,8% da população do Estado, em 2016, contra 14,4% em 2017.
Quando se observa o rendimento médio mensal domiciliar per capita no País foi de R$ 1.192. Sobre o rendimento médio das pessoas ocupadas houve queda de 4% na comparação de 2012 com 2017. No âmbito regional o Estado, em 2012, o rendimento médio era de R$ 1.897: em 2017, esse rendimento teve queda para R$ 1.810. Os homens tiveram perda média de 1%, já as mulheres perderam 11,9% no período. A SIS 2018 apontou que 28,8% da população do Amazonas vivia em domicílios com aos menos uma das quatro inadequações analisadas. Em Manaus haviam 482 mil pessoas com ocorrência de inadequação de moradias, o que corresponde a 22,6%. E o adensamento também foi a maior causa (16,3%).







