“Não, em nada”, afirmou Ramírez, questionado sobre se o resultado afetaria as deciõses sobre a política petrolífera. O ministro está em Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos) para participar hoje, dia 5, da reunião dos representantes dos países-membros da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo).
No encontro, a Opep irá estudar a evolução do mercado e eventualmente reajustar a oferta conjunta do combustível. Ramírez reconheceu que atualmente não há consenso entre os membros, mas expressou confiança de que haverá um consenso sobre o nível de fornecimento para os próximos meses.
De acordo com um delega-do da Opep ouvido pela agência de notícias Efe, nas consultas informais antes da conferência, havia duas opções em discussão: uma seria manter a cota oficial de produção, de 27,25 milhões de barris diários; a segunda seria aumentá-la em pelo menos 500 mil barris diários -mesmo que apenas para evitar que a Opep seja acusada de ser a responsável pelo aumento dos preços, informou o delegado.
Todos os ministros confirmam que o mercado está bem abastecido e que a escalada das cotações do petróleo se deve a fatores alheios à oferta e à demanda, como a especulação financeira e os conflitos geopolíticos.
Ramírez destacou que “o preço caiu 11% em poucos dias” e que isso “é uma clara indicação da especulação”. Ele lembrou ainda que a queda do dólar frente ao euro e outras moedas “tem um impacto no preço do petróleo”.
Por outro lado, reconheceu que “não há nenhuma indicação de que a demanda possa cair” e reiterou que os ministros estudarão os dados disponíveis sobre a situação do mercado nos próximos meses.
Também destacou que há necessidade de discutir as propostas expressadas pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, na 3ª cúpula da Opep, realizada em 17 e 18 de novembro em Riad, na Arábia Saudita.
EUA vêem bom sinal
A derrota de Hugo Chávez foi saudada pelos EUA e a aceitação por ele do resultado do referendo elogiada pela União Européia. O subsecretário de Estado americano para Assuntos Políticos, Nicholas Burns, qualificou o resultado de “notícia positiva’’.
Antes, a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, disse que a vitória do “não’’ era “um bom sinal’’. Na Europa, a porta-voz de Relações Exteriores da Comissão Européia, Chris-tiane Hohmann, manifestou “satisfação’’ por Chávez ter aceito o revés.
Na Espanha, o chanceler Miguel Angel Moratinos parabenizou a Venezuela por sua “maturidade democrática’’. O porta-voz do PSOE (partido do primeiro-ministro socialista José Luis Rodríguez Zapatero), Diego López Garrido, disse esperar que Chávez extraia os “devidos ensinamentos’’ da derrota.
Hugo Chavez se envolveu em contenda com a Espanha na Cúpula Ibero-americana, em outubro, quando o rei Juan Carlos lhe mandou calar depois que ele chamou de fascista o ex-premiê José María Aznar.






