Políticos do Amazonas falam de suas impressões sobre atos em Brasília

Em: 10 de janeiro de 2023
Janelas danificadas no Palácio do Planalto após atos terroristas no ultimo domingo

O Brasil ainda está atordoado com os atos de vandalismo que aconteceram no domingo (8), em Brasília, quando foram depredadas as sedes dos três poderes da República – Congresso, Palácio do Planalto e STF (Supremo Tribunal Federal).

Ainda ontem, o país recebeu moções de solidariedade de praticamente todos os países -da Europa, dos Estados Unidos e dos nossos vizinhos, na América do Sul e na América Latina, enquanto a PF (Polícia Federal) e outras corporações de segurança tentavam identificar outros suspeitos de realizar e financiar as manifestações na capital federal.

Segundo o ministro da Justiça, Flávio Dino, já haviam sido identificados pelo menos dez possíveis financiadores que apoiaram os manifestantes em vários Estados, bancando contratações de ônibus, alimentação, apoio logístico e materiais que foram usados nas depredações.

Como em outros Estados do Brasil, os atos tiveram grande repercussão. Parlamentares do Amazonas –da bancada em Brasília, deputados estaduais e vereadores condenaram –, condenaram o que consideram uma “completa balbúrdia” contra o sistema democrático, ameaçando a harmonia entre os poderes e a própria população brasileira, como um todo.

Políticos do Amazonas se manifestaram pelas redes sociais e também durante entrevistas à imprensa. O mais crítico foi o senador Omar Aziz (PSD-AM), que se envolveu em vários embates contra o então presidente Jair Bolsonaro (PL) durante a CPI da Pandemia do Senado, no ano passado.

“Tristes cenas da falta de respeito à democracia ocorrem agora em Brasília. Radicais estão depredando o patrimônio público, invadindo o Congresso e pedindo golpe. Esses atos são resultados da imprudência de um líder sem responsabilidade e sem integridade. E que contam com o financiamento e incentivo de parlamentares e autoridades”, escreveu no Twitter o parlamentar, que preside a bancada amazonense no Congresso Nacional.

O senador Eduardo Braga (MDB-AM), que polarizou a disputa pelo governo do Estado com o governador Wilson Lima nas últimas eleições, compartilhou praticamente o mesmo sentimento do colega.

“Não há lugar para vandalismo nem para radicalismo político numa democracia. O Brasil e os brasileiros são os grandes prejudicados pela irresponsabilidade de grupos extremistas. Não vamos aceitar que a democracia que reconquistamos a duras penas, após um período sombrio de ditadura militar, seja abalada por criminosos”, diz ele, também nas redes sociais.

Candidato mais votado nas últimas eleições para deputado federal pelo Amazonas (foram quase 280 mil votos), o vereador Amom Mandel  (Cidadania) se manifestou sobre o episódio que abalou as estruturas políticas do país.

“A invasão dos três poderes carrega um simbolismo terrível para o Brasil. Se as nossas instituições não garantem a segurança nem dos seus prédios, como vão impedir os roubos? O desmatamento? O feminicídio?”, escreveu.

Ausência

Não reeleito e do mesmo partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o deputado federal José Ricardo (PT-AM) criticou as invasões e questionou a ausência de agentes de segurança no início dos protestos.

“Cadê a segurança da Câmara, do Senado, do STF, do Planalto? Está tão fácil invadir? Durante o dia a dia é a maior burocracia para alguém entrar. E a total omissão do governo do Distrito Federal. Os criminosos bolsonaristas precisam ser responsabilizados. Invasão e depredação”, disse.

O deputado federal Sidney Leite (PSD) emendou as críticas, expressando a sua indignação. “Total repúdio aos atos de vandalismo que acontecem agora em Brasília.  Radicais invadem o congresso e tentam adentrar o Palácio do Planalto, ameaçando funcionários. Atos antidemocráticos como esses não podem passar impunes”, afirmou.

Políticos apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro decidiram não se manifestar sobre os atos em Brasília, mas demonstraram considerar as manifestações pacíficas (apesar da depredação) como resultado do inconformismo de grande parte da população com o novo governo central em Brasília, agora sob os comandos de Lula. Segundo eles, os casos do “mensalão” e do “petrolão” ainda estão vivos na memória da maioria dos brasileiros. E isso, em  tese, tem motivado os protestos, segundo lideranças.

Marcelo Peres

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