Quando o assunto é a seleção brasileira em campo, todos se unem em um só pensamento – ver mais uma vez a equipe canarinha vencer. Ontem, políticos não resistiram à apresentação do Brasil, caindo no clima nos jogos da Copa do Mundo, que acontecem no Catar, no Oriente Médio.
Tanto no Amazonas como em outros Estados do País, figuras e celebridades muito conhecidas no meio político nacional abandonaram suas divergências para torcer pelo selecionado nacional, que derrotou a Sérvia com um placar de 2 a 0 durante a estreia no Mundial.
Porém, a reportagem não conseguiu ouvir alguns políticos amazonenses que também assistiram ao confronto entre brasileiros e sérvios. Mas suas assessorias confirmaram que grande parte deles parou tudo para assistir ao jogo.
Neste ano de Copa, celebridades políticas seguem a tendência do torcedor comum, independentemente de posição social e econômica. A paixão pelo futebol deixa a todos iguais em um país que se notabilizou pela qualidade, boa arte e renovação constante de seus craques no esporte, de geração a geração.
Em Brasília, a equipe de transição do governo eleito, liderada pelo vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB), parou todos os trabalhos para assistir à seleção enfrentar os sérvios.
Diante de um telão, no prédio onde reúne vários grupos que participam das atividades do próximo governo, a plateia gritava a cada momento que os brasileiros chegavam à área do adversário. O ambiente foi de muita tensão, regada a degustação de guloseimas, refrigerantes e outras bebidas para amenizar a tensão.
Alckmin, que arriscou o placar de 2 a 1 para o Brasil, e os demais integrantes do grupo vestiram a clássica camiseta amarela. Algumas foram customizadas com referências ao hoje presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ontem, o evento encheu o teatro do Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília, onde um telão transmitiu o jogo entre Brasil e Sérvia. E transmitirá as próximas partidas do Mundial. Os profissionais da imprensa foram convidados a assistir, com direito a distribuição de pipoca e refrigerante.
Quebrando a tensão
Depois de um primeiro tempo com a seleção enfrentando um paredão sérvio na defesa, o primeiro gol de Richarlison que saiu no segundo tempo quebrou a tensão entre a plateia de políticos, técnicos e assessores e jornalistas que se acotovelavam para ver o jogo. Todos estavam muito calados. Mas a gritaria foi geral em seguida, com direitos a abraços e cumprimentos entre os presentes.
O segundo gol de Richarlison, depois de um voleio espetacular metendo a bola no fundo da rede sérvia, aumentou ainda mais a algaravia dos espectadores, com todos voltando a se abraçar.
O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) ganhou o bolão marcando um placar de 2 a 0 sobre a Sérvia. A sisuda Gleisi Hoffmann, presidente do PT, apostou que a seleção ganharia de 2 a 1, como previu Alckmin. Mesmo em clima de muita tensão, aliviada logo depois pelos gols espetaculares de Richarlison, ela não perdeu a oportunidade para criticar Neymar. “Desde que ele apoiou Bolsonaro, nunca mais jogou bem”, alfinetou.
Randolfe também aproveitou o clima da partida para alfinetar o atual governo ao ser questionado por jornalistas. “O jogo da proposta de emenda à Constituição (PEC) para retirar o Bolsa Família do teto de gastos está dominado”, afirmou.
Posteriormente, o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin postou um vídeo em comemoração aos gols do Brasil na Copa do Mundo, em partida contra a Sérvia. Nas imagens é possível observar que o político está em um auditório com outros membros da equipe de transição, como a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann.
Ontem, o presidente eleito Lula também convocou a população a usar as cores verde e amarela para torcerem pela seleção brasileira, um gesto considerado pelos apoiadores de Bolsonaro para atacar o atual presidente.
Segundo fontes do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro e outros membros de sua equipe também assistiram ao jogo entre Brasil e Sérvia em uma sala reservada. O chefe do Executivo nacional já voltou a despachar em Brasília. Ele esteve ausente por problemas de saúde, de acordo com seus assessores.
Por MARCELO PERES
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