Pólo de duas rodas não produz apenas boas notícias

Em: 10 de abril de 2008

O pólo de duas rodas de Manaus coleciona boas notícias há mais de dois anos, quando o setor engrenou e passou a liderar em faturamento, produção e exportação. A cada divulgação dos números da Suframa, este segmento ganha cores fortes de solidez que parece não sofrer abalos de parte alguma.
Mas a festa não é para todos, especificamente para os fabricantes de bicicletas, que ameaçam inclusive com fechamento de fábricas e demissão de funcionários. As montadoras de bicicletas têm muitos motivos para reclamar, mas o principal continua sendo a concorrência dos fabricantes asiáticos, cujos modelos chegam ao mercado local até por R$ 80. A desvalorização do dólar baixa os custos dos produtos importados e mata os fabricantes do PIM, principalmente aqueles que não conseguem diminuir seus preços e fazer frente à concorrência.
Apenas uma fábrica do PIM amarga retração de 162,3% em suas vendas nos últimos quatro anos e está fora do mercado das regiões Sul e Sudeste, onde os atacadistas têm suas próprias marcas de bicicletas. Os fabricantes enfrentam também outro tipo de concorrência, a patrocinada pelas lojas de peças e acessórios, que são verdadeiras fábricas piratas, onde as bicicletas são personalizadas e saem de lá com a logomarca dos fabricantes legais.
A solução para os fabricantes de bicicletas é produzir modelos com maior valor agregado para competir com produtos mais populares, vindos da Ásia, sem muita tecnologia e de pouca durabilidade. Diferente de motocicletas, cuja linha de produção exige componentes e insumos importados e de boa qualidade, bicicletas são produtos cuja tecnologia é usada há séculos, com pequenas inovações, o que facilita sua fabricação a preços bem reduzidos.
Os fabricantes devem buscar soluções para enfrentar a concorrência, vinda de onde vier, confiando em sua marca e baixando seus preços. Nenhum produto entra no marcado pela porta da frente e os empresários sabem disso. O setor de duas rodas tem oferecido boas notícias, mas também deve saber competir para que o mercado não fique a mercê de produtos baratos vindos da Ásia.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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